Macau: Falta espaço para o futebol

Falta de apoio financeiro, ausência de campos de futebol, amadorismo e suspeitas de manipulação de resultados. Esses são os principais problemas enfrentados por aqueles que praticam o futebol em Macau. Dessa forma, os naturais da região administrativa chinesa ainda vão levar um bom tempo para competir em condições de igualdade com seus adversários asiáticos.

A liga nacional é dividida em três divisões. A primeira conta com oito equipes, e a disputa ocorre por pontos corridos e dois turnos. Apesar de ser bem estruturado e organizado o campeonato local sofre com a falta de campos para a disputa das partidas. Como Macau é pequeno em extensão territorial, o esporte sofre. O único local com condições de receber grandes eventos é o Estádio Campo Desportivo, na Ilha de Taipa, com capacidade de 15 mil lugares.

Em 2007, o Manchester United fez um amistoso contra o Shenzen, da China, no estádio de Macau e atraiu um público de 16 mil pessoas (Cristiano Ronaldo é ídolo por lá), um excelente número.

O país

Macau é uma nação que sofre a influência de duas culturas. De um lado, a de Portugal, de quem foi colônia desde o século XVI (período das grandes navegações lusitanas rumo ao oriente) até dezembro de 1999, quando foi devolvido à China. Começou então a influência chinesa: Macau conta com benefícios e autonomia proporcionados pelo governo chinês, assim como Hong Kong, até 2049, quando expirará o atual acordo.

A economia gira em torno do turismo e do jogo. Macau possui uma grande quantidade de cassinos, atraindo apostadores de todo o planeta. Em 2007, faturou mais de € 6 bilhões somente com apostas. O número de prostitutas subiu consideravelmente e chama a atenção do governo. Outra preocupação é o desaparecimento da língua portuguesa: mesmo sendo oficial, em conjunto com o chinês, o idioma sofre com a presença cada vez mais forte do mandarim. Portugal tem intensificado recursos para manter a população local falando o idioma português.

Dinheiro para jogos de azar, não para o futebol

A Associação de Futebol de Macau (AFM) tenta desenvolver o esporte no país, apesar dos poucos recursos financeiros de que dispõe. A falta de patrocínio para os clubes é o principal motivo para que o futebol continue amador. Como o profissionalismo não existe, é comum equipes entrarem em campo com menos de 11 jogadores. Um dos times do campeonato, o Keong Sai, foi suspenso, por dois anos a partir de 2008, após não comparecer a vários jogos.

Em Macau, os cassinos dominam boa parte da economia, e as apostas acontecem além das roletas. Corridas de cachorros e cavalos são atraentes para os apostadores. E o futebol não foge à regra: a vitória do Vong Chiu por 18 a 2 contra o Kin Chong levantou suspeitas. O fato de ambos serem do mesmo proprietário (o empresário Hoi Wai Cheong) e haver o interesse do Vong Chiu na vitória para continuar brigando pelo título levaram a AFM a investigar o resultado. Nada foi comprovado, e o torneio prosseguiu.

O campeonato conta com um elevado número de estrangeiros, pois mesmo não sendo profissional, ele abriga um grande contingente de estudantes universitários, que possibilitam o desenvolvimento do esporte, mas atrapalham o surgimento de jogadores locais. O destaque da última temporada foi Alisson Brito, de 22 anos, do Monte Carlo. O jogador de Cabo Verde chamou a atenção e logo foi comparado ao brasileiro Liédson (do Sporting). O chinês Cheong Fai e o nigeriano Nwanbou também são estrelas. De Macau a torcida é por Ka Yu Sin, um atacante veloz e habilidoso da seleção sub-21.

Mesmo com falta de estrutura, Macau participa de todas as eliminatórias para a Copa do Mundo desde 1982, com exceção de 1990. A seleção jamais passou da primeira fase e também já disse adeus à África do Sul, depois de duas goleadas sofridas contra a Tailândia.

Futsal é a bola da vez

Uma solução para a falta de espaço físico para a prática do futebol é o futsal. A AFM já percebeu que pode dar condições melhores a essa modalidade. O dirigente Benjamin Chio, em declarações ao jornal Tribuna de Macau, demonstrou otimismo: “Se arrancarmos com o projeto que temos definido, conseguiremos ser competitivos a nível internacional em curto espaço de tempo”. E completou: “Macau não está tão atrasado no futsal como está no futebol de 11”. Há 2,6 mil praticantes, boa parte joga campo e quadra, e 20 equipes em disputa.

O cartola pode estar esperançoso, mas em outubro de 2006 Macau foi sede dos primeiros Jogos da Lusofonia e, na partida contra o Brasil, a seleção da casa levou de 27 a 0. Talvez Chio tenha ficado animado simplesmente pelo placar ser inferior ao 76 a 0 sofrido por Timor Leste.

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Equipe Trivela

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