Líbia: futebol e política

 

Por Rafael Duarte

O mundo árabe tem vivido momentos de tensão neste início de 2011. Na Líbia, a situação é grave, com milhares de civis mortos em conflitos para derrubar o ditador Muammar al-Khadafi, que está no poder do país desde 1969.

A Líbia é uma nação africana localizada no norte do continente, fazendo fronteira com Egito, Argélia e Tunísia. Dentre todos estes países, é o único que nunca se classificou para uma Copa do Mundo, tendo chegado perto da vaga somente uma vez, em 1986. Mas perdeu a chance de se classificar para o Marrocos por 3 a 0 no primeiro jogo da última fase. Mesmo vencendo a última partida por 1 a 0, não conseguiu a sonhada classificação.

Os greens, como é conhecida a seleção local, foram formados pela primeira vez em 1918, mas só jogaram sua primeira partida oficial em 1953, quando eram treinados por Masoud Zantouny e derrotaram a Palestina por 5 a 2.

Os melhores anos

A confusão envolvendo o ditador Khadafi mostra uma face interessante do futebol no país, já que este sempre foi influenciado pela política local. A primeira tentativa de classificação do país para uma copa do mundo foi em 1970, apenas um ano após a posse do ditador. Mas o melhor momento do esporte no país foi em 1982, quando sediou uma edição da Copa Africana de Nações e foi vice campeã do torneio.
Futebol e Política

Após uma boa década para o futebol no país, a política mais uma vez interferiu no esporte. Por uma série de sanções da ONU, a Líbia não pode participar de jogos oficiais entre 1993 e 1996, o que fez a seleção não poder participar das eliminatórias para os mundiais de 1994 nos Estados Unidos e 1998 na França.

Passados os anos 90 e a “década perdida” para os greens, o próximo passo foi a reestruturação do futebol local. Sem conseguir a classificação também para os mundiais de 2002 e 2006, e após uma campanha frustrada na sua segunda e última participação na Copa das Nações Africanas, quando foi eliminada na primeira fase, o tunisiano Faouzi Benzarti foi contratado para o cargo de treinador.

Novos tempos

Mas com um trabalho repleto de fracassos, mais uma vez a política interferiu no futebol, quando o filho do ditador e líder do comitê olímpico líbio Muhammad Khadafi nomeou o sérvio Branko Smiljani? para o cargo e menos de seis meses depois novamente trocou o comando, escolhendo o brasileiro Marcos Paquetá para treinar a seleção do país.

Paquetá começou como treinador no América-RJ em 1987, e chegou a treinar durante alguns anos as seleções brasileiras de base. Treinou também a seleção da Arábia Saudita na Copa do Mundo de 2006 na Alemanha. Seus principais desafios à frente dos greens são classificar a seleção líbia para a Copa das Nações Africanas de 2012 e deixar preparada para a edição de 2014, que o país sediará, e o mais difícil: classificar os líbios para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Devido à recente crise no país, o treinador está de volta ao Brasil, com previsão de retorno para quando a situação política se acalmar.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo