Liam Brady: herói de Highbury

Quando pensamos em um jogador irlandês tendemos a imaginar um atleta “raçudo”, viril, cintura dura, afeito ao jogo físico e aéreo. Pois bem, Liam Brady em nada lembra este estereótipo. Meia canhoto habilidoso, Liam fez história no Arsenal e na seleção irlandesa.

Nascido em Dublin no dia 13 de fevereiro de 56, William Liam Brady é oriundo de uma família boleira, já que seu tio e dois irmãos (Pat and Ray) também jogaram profissionalmente. Aos 15 anos mudou-se para Londres e profissionalizou-se dois anos depois, pelo Arsenal, estreando em partida contra o Birmingham City.

Mas foi no final da década de 70 que o elegante jogador alcançou seu apogeu pelos Gunners. Municiando os atacantes Malcolm Macdonald e Frank Stapleton, Liam levou o time londrino a três finais seguidas da FA Cup, entre 78 e 80. Com passe milimétrico, deu a assistência para o gol do título em 79, em lance no último minuto contra o Machester United. O jogo ficou conhecido como “Brady’s Final”. Essa performance fez com que Brady fosse eleito o jogador do ano de 1979 pela Associação de Jogadores Profissionais. Em 80 quase transferiu-se para o Manchester pelo então valor recorde de 1.5 milhão de libras, mas recusou a proposta. Na mesma temporada, levou os Gunners ao vice da Recopa, passando pela Juventus nas semifinais e caindo, nos pênaltis, frente ao Valência na decisão.

O desempenho nos duelos contra a Vecchia Signora e pouco mais de 500 mil libras o levaram ao Delle Alpi. Chegava ao fim uma trajetória de 307 jogos e 59 gols pelo Arsenal. Pela Juve, o craque foi bicampeão italiano em 81 e 82, marcando o gol do segundo título. Com a chegada de Platini a Turim e a restrição de dois estrangeiros por equipe no Calcio, Brady transferiu-se para a Sampdoria, depois para a Inter (84-86), até encerrar sua aventura italiana pelo Ascoli (86/87). Em 87 voltou à Inglaterra para defender o West Ham, clube que defendeu até 90.

Chippy, como ficou conhecido em razão da preferência pelo tradicional Fish&Chips, defendeu a seleção irlandesa em 72 ocasiões, tendo marcado 9 gols. Jamais defendeu a seleção em um torneio expressivo, devido a uma suspensão antes da Euro 88 e da aposentadoria dos jogos internacionais durante as eliminatórias para a copa de 90. Em sua despedida contra a Alemanha Ocidental, foi substituído aos 35 minutos pelo desafeto Jack Charlton. Quando percebeu que a Irlanda iria ao mundial, tentou voltar mas foi barrado por Charlton.

Brady pendurou as chuteiras em 90, para assumir a função de manager do Celtic entre 91 e 93, para na seqüência exercer o mesmo papel no Brighton&Hove Albion. Nesta função, esteve muito distante de exibir o mesmo brilhantismo que demonstrara em campo com seu passe refinado e domínio apurado. Comenta-se que Liam apostou em jogadores que fracassaram, fez maus negócios e gerenciou verbas com pouca habilidade.

Após fracassar na empreitada como manager, retornou ao Arsenal em 96 como diretor das categorias de base. Sob sua supervisão, foram revelados David Bentley, Jermaine Pennant, Ashley Cole, Steve Sidwell, Moritz Volz e Jeremie Aliadiere. Curiosamente, foi convidado para a posição de manager após a saída de Bruce Rioch. Com sua desistência, abriu espaço para um tal Arsene Wenger. Tendo permanecido na função, que exerce até hoje, venceu a FA Premier Youth League em 1997-98, a FA Premier Academy League sub-17 em 2001-02, a FA Youth Cup em 1999-00 e 2000-01, além da FA Premier Academy League sub-19 em 2001-02. Em 2006 Brady foi escolhido para integrar o hall da fama do futebol inglês, em reconhecimento à sua valiosa contribuição para o esporte no país.

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Equipe Trivela

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