Lazio: Sonhos grandes da veterana da capital

Nesta semana, uma hecatombe se abateu sobre o CT da Lazio em Formello, arredores de Roma. O time dirigido por Alberto Zaccheroni foi eliminado das competições européias, ao terminar a primeira fase da Liga dos Campeões como a última equipe do seu grupo.

Não, colega internauta, a tragédia para o torcedor 'laziale' não fica só na derrota esportiva. A eliminação pode custar à Lazio a condição de time 'grande' da Europa e até mesmo deixar o time fora do G14, entidade que reúne os titãs do futebol europeu.

Sem o dinheiro da competição, o orçamento do clube entrou no vermelho e a única saída é fazer caixa vendendo os dois medalhões do time: o capitão Alessandro Nesta e o artilheiro Hernán Crespo. Com isso, o clube deve passar por um período mais difícil, logo depois das vacas gordas da entrada na Bolsa, arquitetada pelo seu dono, Sergio Cragnotti ,em 1998. Para entender, é necessário voltar um pouco no tempo.

Os primórdios

A Lazio foi fundada em 1900 e é mais velha do que a rival Roma (1927). Sua primeira partida seria dois anos depois, contra a Virtus, um time que saiu da própria Lazio. Sua história começaria da mesma maneira modesta que caracterizaria os anos seguintes. O time (que tem o nome da região da Itália onde fica a capital Roma – Lazio ou Lácio, em português), em toda a sua fase inicial, foi um coadjuvante, ainda que tenha participado de três finais nacionais (1913, 1914 e 1927).

Na década de 30, um liame importante com o Brasil: o time, que tinha em suas fileiras muitos 'oriundi' (estrangeiros filhos de imigrantes italianos) que vinham do Brasil, era conhecido como 'Brasilazio'. Infelizmente o time não teve um grande sucesso no campo (acabou em 13º lugar o campeonato de 1932, que já era disputado em grupo único de turno e returno – exatamente como hoje).

Silvio Piola, um mito italiano

Acostumada à condição de saco de pancadas, a Lazio (que nesta altura – 1934 – já tinha a Roma como rival) encontrou uma esperança nos pés de Silvio Piola, o maior artilheiro da história da Serie A italiana: 290 gols em 566 partidas (segundo na história em número de presenças).

Tendo iniciado sua carreira no Pro Vercelli, Piola era um mágico do gol. Não era o mais habilidoso de sua geração (Giuseppe Meazza, companheiro seu na 'Azzurra', era considerado mais talentoso). No entanto, Piola era imbatível para fazer gols. Na Seleção, marcaria 30, em 34 partidas, sendo que um deles (quando o atacante já tinha inacreditáveis 39 anos), com a mão. Foi o artilheiro do país na conquista da Copa de 1938.

Piola ficaria no clube de 34 até 1943, quando foi dado como morto, na Segunda Guerra. Até mesmo uma missa foi rezada em sua homenagem. Quando retornou, ainda teve tempo de jogar mais algumas temporadas, antes de se transferir para a Juventus e depois para o Novara. Ele ainda é o jogador com mais gols pela Lazio (144).

A primeira glória e a decadência momentânea

Na década de 50, a Lazio levantaria seu primeiro caneco, uma Copa Itália, que serviria para atear fogo em Roma, uma cidade que, apesar de ser capital do país, jamais tinha vencido nada. Antes disso, havia tido boas temporadas, chegando a três quartos lugares (de 1950 a 52). Depois da conquista da Copa Itália, viria uma seqüência de temporadas ruins que culminariam com o primeiro rebaixamento da história, em 1961. E nos anos 60, como o próprio clube define em sua história oficial, “anos de sombra” acompanhariam a equipe até a década de 1970. E aí viria a redenção.

Depois da bonança, a tempestade

Em 1974, a Lazio pela primeira vez consegue o 'scudetto' com um time impecável, capitaneado por Giorgio Chinaglia (que jogaria com Pelé no Cosmos). “Então a Lazio virou time grande?”, perguntará o amigo internauta. Não. Bem longe disso. O clube entrou numa espiral negativa, caiu para a Serie B novamente em 1980 (onde ficou seis temporadas) e só não caiu para a Série C porque (dizem as más línguas), uma punição de perda de nove pontos teria sido manipulada pelo ex-primeiro ministro Giulio Andreotti.

No final da década, o clube começaria a ver o céu azul novamente, depois da má gestão da família Lenzini. Na temporada que o clube voltou à Série A, a Lazio estabeleceu o recorde de público para a Série B, com 566 mil pagantes na temporada, sob a batuta de Eugenio Fascetti, atualmente treinador do Vicenza.

Cragnotti e a refundação

Em 1992, o milionário Sergio Cragnotti comprou o clube das mãos de Giamarco Calleri, por um valor de US$ 19 milhões (números da época). Ainda fora da presidência (seu irmão Giovanni era o encarregado), Cragnotti levou muitos craques para o time, fazendo com que o clube passasse a incomodar. Os maiores destaques ficariam por conta de Beppe Signori e Paul Gascoigne. O clube, já sólido financeiramente, começa a ficar com freqüência entre os sete primeiros.

Em 1994, chega ao clube o polêmico Zdenek Zeman, que trabalha num 4-3-3 ofensivíssimo, tem um elenco com estrelas, mas o time ainda não parece maduro para disputar o título. Pavel Nedved e Alessandro Nesta já figuram na equipe que termina o campeonato em quarto lugar em 1997 (já com Zoff assumindo o lugar do demitido Zeman). O sueco Eriksson seria o responsável pelo auge do clube.

Pioneirismo: o primeiro time italiano na Bolsa

Em 1998, Cragnotti dá a cartada final: coloca as ações do clube na Bolsa de Milão e providencia uma carreta de dinheiro para contratar uma constelação: chegam Mihajlovic, Sergio Conceição, Salas, Vieri, Fernando Couto e Roberto Mancini, num time que ficou a um ponto do título (que venceria no ano seguinte). O custo estimado da temporada foi de US$ 110 milhões.

O mérito de ter colocado a Lazio na Bolsa teve um custo para Cragnotti: os resultados determinam o poder de fogo do time. Sem a Liga dos Campeões e sem nenhum título no ano passado, o clube entrou no vermelho e teve de vender Nedved, Verón e Salas. Agora, precisa se desfazer de mais alguns ícones. Resta esperar para saber se o time fica como grande ou volta ao passado de coadjuvante.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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