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Las canchas argentinas

Não adianta: na Argentina, todas as canchas têm seus nomes – que, em sua maioria, homenageiam alguma figura importante  do clube – mas, principalmente, um apelido. Quem nunca ouviu falar na gloriosa La Bombonera, a “caixa de bombons” do Boca Juniors, ou mesmo do majestoso Monumental de Nuñez, maior estádio do país, casa do River Plate, e da seleção nacional?

Mas Antonio Vespucio Liberti, ou mesmo Alberto José Armando, Pedro Bidegain, Estanislao López, todos são as personagens da história de seus grupos, que deram os nomes originais às casas das equipes.

Grandes dirigentes que tiraram o time da lama, figuras históricas nacionais – políticas e militares -, ex-jogadores e ídolos… do populista ex-presidente Juan Perón, até Diego Maradona. Acompanhe o especial da Trivela sobre um pouco da história dessas figuras, e por que razão foram agraciadas com a chance de permanecer na memória dos torcedores dos clubes, batizando com seu nome a cancha de cada um deles.

Monumental Antonio Vespucio Liberti ( Monumental de Nuñez)

Clube: River Plate
Capacidade: 65645 pessoas

O maior estádio da argentina é mundialmente conhecido como “Monumental de Nuñez”, o que faz referência a sua grandeza, e à região onde se encontra: o bairro de Nuñez, em Buenos Aires.

Porém, originalmente, a casa do River Plate homenageia o ex-presidente do clube, Antonio Vespucio Liberti (1902-1978).

Liberti assumiu o posto no clube por diversos anos, entre 1933 e 1969, em quatro gestões audaciosas, e que contribuíram para a grandeza do nome do River. Quando assumiu pela primeira vez, na década de 30, foi responsável pela compra de jogadores de alto nível, e por transferir o estádio para sua localização de hoje.

O ex-presidente marcou a história do clube pelas suas aquisições estrangeiras. Houve uma época em que no River, mais da metade dos onze titulares eram jogadores internacionais. Em 1964, agitou o mercado do futebol, ao contratar o uruguaio Roberto Matosas, pelo valor recorde de 33 milhões de pesos.

Liberti, que deu seus primeiros passos no clube como ajudante de campo, tendo como função levar material aos jogadores, é tido hoje como responsável pelos títulos e crescimento do River Plate. Oito anos após sua morte, ficou eternizado ao ser homenageado no nome do estádio da equipe.

Alberto José Armando (La Bombonera)

Clube: Boca Juniors
Capacidade: 49000 pessoas

Inicialmente, o estádio dos Xeneizes levava o nome do presidente na época em que foram concluídas as obras do local, Camilo Ciccero, em 1940. Porém, após algumas reformas, La Bombonera – “caixa de bombons”, devido ao seu formato – recebeu o nome do ex-presidente, Alberto José Armando.

Armando esteve no cargo na década de 70, conturbado período político na Argentina. Quando assumiu, prometera uma grande reforma na casa dos boquenses, mas teve seus planos adiados devido ao momento econômico que país – e o próprio clube – enfrentava.

Empresário e político, Armando ocupava o cargo quando o brasileiro Paulo Valentim reforçou o elenco da equipe. De personalidade forte, conta-se que, na época da vinda do jogador, o então presidente teria dado um conselho para que o brasileiro conquistasse os fãs xeneizes: “você precisa marcar gols”, teria sido a simples exigência de Armando.

Somente a partir de 2001 o estádio seria rebatizado, em homenagem ao empresário que conduziu o Boca Junors, no tenso período de sua história.

Diego Armando Maradona (La Paternal)

Clube: Argentinos Juniors
Capacidade: 24800 pessoas

Não precisa de muitas palavras. O ex-jogador, ídolo argentino, e atual técnico da seleção de seu país, foi homenageado pelo clube, que batizou seu estádio em recordação à maior estrela do futebol dos hermanos.

Maradona foi revelado nas categorias de base do Argentinos Juniors, antes de marcar sua história no futebol no Boca Juniors e Napoli, e, em especial, ao conquistar a Copa do Mundo de 1986 com a seleção da Argentina.

A formação pela equipe justifica as razões para que os Juniors tenham saído à frente e conquistado a honra de nomear sua cancha com o ídolo nacional.

Florencio Solá (Lencho)

Clube: Banfield
Capacidade: 33350 pessoas

Ao final de 1938, o Banfield vivia fase crítica de sua história. Sem sócios, sem recursos, e à beira do desaparecimento, o clube foi assumido por um jovem empresário.

Florencio Solá teve o jogo de cintura adequado para conseguir aliviar a situação tensa pela qual o time passava, montando equipe de qualidade suficiente para levar de volta o Bnafield à elite argentina.

Dois anos depois, seu estádio era construído na cidade de Banfield. O negócio acabou ficando em família; em 1945, seu irmão, Remigio Sola, assumiu a presidência e fez o clube, que havia caído outra vez para a segunda divisão, regressar.

Florencio voltou ao cargo em 1948, e continuou a briga contra o descenso. Só em 1955, convocou eleições presidenciais pela primeira vez na história do clube.

Não só seu irmão, mas também seu filho, Horacio Solá, participou da história do Banfield. Tendo assumido a partir de 1998, o novo presidente encontrou o clube em situação de caos financeiro, mas logo conseguiu pôr tudo em ordem.

Até hoje, “Lencho” Solá é considerado o maior dirigente da história do clube para os banfileños, que o reconhecem por ter ajudado a equipe a viver as melhores de suas fases.

José Amalfitani (El Fortín de Liniers)

Clube: Vélez Sársfield
Capacidade: 49540 pessoas

Em 1913, dentre os dez novos sócios que entravam para o Vélez, José Amalfintani foi quem mais se destacou na história do clube. Após 10 anos vinculado, “Don Pepe” tornou-se presidente da equipe pela primeira vez, posto que ocupou por 30 anos.

Quando o estádio foi construído, acabou levando o apelido de “El Fortín”, pois sua forma se assemelhava a um baluarte. Porém, devidoà necessidade de reformas, Amalfitani foi obrigado a economizar cada centavo do clube para, em 1951, reformular a casa de seus atletas, inaugurando dois anos depois o estádio de cimento.

Juan Domingo Perón (El Cilindro)

Clube: Racing Club
Capacidade: 64.161 pessoas

Outra figura que dispensa apresentações; o histórico e carismático ex-presidente da Argentina recebeu homenagem do Racing, levando seu nome no estádio da equipe.

Perón facilitou a compra do terreno de seu clube de coração, que inaugurou em 1950 o “Cilindro de Avellaneda”. O ex-presidente conquistou boa parte de sua popularidade com seu casamento com Evita Perón, também conhecida pela paixão que as massas dedicavam à ex-primeira-dama do país.

Juan Carlos Zerillo ( Estadio del Bosque)

Clube: Gimnasia y Esgrima La Plata
Capacidade: 33500 pessoas

Zerillo era um farmacêutico platense, que acabou assumindo a presidência do Gimnasia de La Plata entre 1929 e 1931, após Adolfo Rivarola.

Em sua gestão, o clube sagrou-se campeão argentino, pela primeira e única  vez, em 1929.

Julio Humberto Grondona (El Viaducto)

Clube: Arsenal de Sarandí
Capacidade: 49540 pessoas (16300)

O dirigente tem longa carreira na área do futebol. Sem ter sido bem-sucedido nos gramados, tendo sido reprovado em testes no River Plate, Julio Humberto Grodona optou por fundar seu próprio clube, na década de 1950, o Arsenal.

Foi o primeiro presidente da equipe de Sarandí, tendo sido sucedido por seu irmão, e cofundador, Héctor. Hoje em dia, seu filho Julio Ricardo ocupa a posição.

Após a vitória da seleção argentina na Copa do Mundo de 1978, Grondona assumiu a presidência da federação do país (AFA). Sob sua dirigência, também foram conquistadas a Copa de 1986, o vice-campeonato em 1990, além de três medalhas Olímpicas.

Hoje, Grondona é vice-presidente executivo e presidente financeiro da Fifa, assim como mantém o posto na AFA, e ocupa presidência de honra no Arsenal.

Pedro Bidegain (El Nuevo Gasómetro)

Clube: San Lorenzo
Capacidade: 43494 pessoas

O argentino foi um dos primeiros dirigentes do San Lorenzo, tendo trabalhado para a inauguração do estádio Gasómetro em 1916, tornando-se vice-presidente do clube logo dois anos depois, cargo em que ficou por 10 anos.

No ano seguinte, 1929, foi eleito presidente do clube, quadruplicando o número de sócios, e investindo em infraestrutura esportiva e o estádio da equipe.

Político e ativista, vinculado à Unión Cívia Radical, acabou preso no golpe militar de 1930, e exilado para o Uruguai por três meses. Quando retornou à Argentina, foi mandado outra vez à prisão, onde veio a falecer em 1933, vítima de câncer no pulmão.

O estádio original, o Gasómetro, fechou em 1979, tendo sido reinaugurado apenas em 1993, com nome de Nuevo Gasómetro.

Brigadier General Estanislao López (El Cementerio)

Clube: Colón
Capacidade: 32500 pessoas

O brigadeiro e general Estanislao López (1796-1838) foi um caudilho argentino do século XIX, herói da região nas guerras que assolaram a região da província de Santa Fe na época.

Por 20 anos, entre 1818 e 1838, López foi governador de Santa Fe, tendo lutado na Guerra dos Sete Anos e na Guera de Rosas.

Considerado o “patriarca da federação”, sua morte acarretou em um mês de luto, no maior cortejo fúnebre na história da província.

Jorge Luis Hirschi

Clube: Estudiantes
Capacidade: 23000 pessoas

O ex-jogador e presidente do Estudiantes fez parte do clube desde 1913, tendo presidido de 1927 a 1932, e foi homenageado com seu nome no estádio da equipe de 1970 até sua demolição.

Há quatro anos o estádio foi demolido, e no local está sendo construída a nova casa do time de La Plata, que se chamará “Tierra de Campiones”, com previsão para conclusão neste ano.

Tomás Adolfo Ducó

Clube: Huracán
Capacidade: 48314 pessoas

Em agradecimento aos serviços prestados, Tomás Ducó, ao lado do exército nacional argentino, foram homenageados pelo Huracán, na construção de seu estádio.

O local foi fechado em 2008, para reformas, e foi reaberto no final do ano passado, para as últimas partidas do Apertura.

Dr. Lisandro de la Torre (Gigante de Arroyito)

Clube: Rosario Central
Capacidade: 41.654 pessoas

Nascido na cidade de Rosario, o advogado e político argentino foi homenageado no nome do estádio da equipe da cidade.

Lisandro De la Torre (1868-1939) foi também membro fundador do Partido Democrata Progressista na Argentina, e hoje é lembrado como herói de Rosario.

Ciudad de Lanús-Néstor Díaz Pérez (La Fortaleza)

Clube: Lanús
Capacidade: 46619 pessoas

O local foi construído em 1924, mas passou por diversas reformas, em especial em 2003, quando foi derrubado e refeito.

Estádio El Coloso del Parque

Clube: Newell's Old Boys
Capacidade: 42000 pessoas

A cancha inaugurada em 1911 é a casa do Newell's Old Boys, na cidade de Rosario, já passou por diversas reformas, para chegar às condições e capacidades que tem hoje.

É o segundo maior estádio do interior da Argentina, e e recebeu em 2001 a Copa do Mundo Sub-20.

Ciudad de La Plata

Clube: Estudiantes e Gimnasia
Capacidade: 49540 pessoas

O estádio da cidade recebe as duas principais equipes locais, Estudiantes e Gimnasia y Esgrima, além da seleção argentina. Foi inaugurado em 2003, e é um dos mais modernos da América Latina, apesar de ainda não estar cmpletamente concluído

Libertadores de América (La Doble Visera)

Clube: Independiente
Capacidade: 48000 pessoas (em obras) 52823

Nos subúrbios de Buenos Aires, o Independiente de Avellaneda recebe seus adversários, no estádio Libertadores da América, também conhecido como “La Doble Visera”.

Foi inaugurado em 1928, sendo a primeira cancha da América do Sul a ser construída em cimento, desafiando a região pantanosa onde se encontra.

A Doble Visera está passando por uma grande reforma atualmente, em projeto ambicioso e caro, e pode tornar-se o segundo maior do país, perdendo apenas para o Monumental de Nuñez.

Malvinas Argentinas

Clube: Godoy Cruz
Capacidade: 48000 pessoas

A cancha da cidade de Mendoza, que é usada como casa do Godoy Cruz desde 1994, foi construída para a Copa do Mundo de 1978.

Por alguns anos, chamou-se Estadio da Ciudad de Mendoza, tendo sido rebatizada em homenagem à Guerra das Malvinas, de 1982.

La Ciudadela

Clube: San Martín (T)
Capacidade: 35000 pessoas

A casa do San Martín de Tucumán recebe o nome de La Ciudadela devido à diversas razões. A fortaleza instalada na região desde a época recebeu o apelido na época, dando nome ao bairro onde se encontra a cancha.

Na mesma região, em 1812, foi disputada a Batalha de Tucumán, que foi decisiva para a independência da Argentina.

Com a mística, o clube assumiu a ideia de nomear seu estádio de “fortín” ou “ciudadela”, para que a equipe fosse, então, “invencível”.

Monumental de Victoria

Clube: Tigre
Capacidade: 27000 pessoas

Inaugurado em 1936, em Victoria, a cancha do Tigre passou por diversas reformas até sua capacidade atual. Recebe o nome em homenagem ao local, província de Buenos Aires.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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