Kranjcar: O filho do chefe

Na Copa de 1998, o zagueiro/lateral-esquerdo do Milan Paolo Maldini foi titular da seleção italiana, que era dirigida por seu pai, Cesare. Na época, poucos ousaram fazer piadas com relação ao fato. Isto porque Maldini, o filho, era, incontestavelmente, um dos melhores defensores de todo o planeta. Assim, sua presença na equipe da Itália era obrigatória, pouco importando qual o treinador do time.

Na Alemanha, uma outra história muito semelhante à da família Maldini estará sendo escrita. Desta vez, os croatas Kranjcar terão a oportunidade de demonstrar ao mundo que os negócios independem da questão familiar, e vice versa.

Zlatko Kranjcar é o treinador da Croácia, primeira adversária do Brasil na Copa do Mundo, enquanto seu filho, Niko, é um dos meias titulares da equipe. Por não ser tão badalado quanto o Paolo Maldini de 98, o jogador deve sim ser alvo de piadas por parte de nossos comentaristas. Porém, não se engane: não há nepotismo na seleção croata. Niko Kranjcar não é apenas um dos titulares da equipe, mas sim o craque do time, mesmo que, para isso, tenha necessitado de um empurrãozinho do papai.

Com 21 anos, Kranjcar tem tudo para ser uma das principais revelações do Mundial. Meia armador habilidoso e de muita técnica, ele costuma ser o principal homem de criação da Croácia. Seu posicionamento na seleção lembra muito o de Kaká no Milan. Niko Kranjcar é o arco, aquele que coloca Ivan Klasnic, do Werder Bremen, e Dado Prso, do Glasgow Rangers, na cara dos goleiros adversários.

Mesmo com muito talento, o jogador teve uma trajetória marcada por muitos altos e baixos. Apesar da pouca idade, Niko Kranjcar já aprendeu a lidar com os críticos. Isso será essencial para ele dar o próximo passo em sua carreira: fazer uma boa Copa e deixar o futebol croata, de preferência, para jogar no Barcelona, que é o seu grande sonho. Conheça agora um pouco mais da história do garoto que pode complicar a estréia do Brasil no Mundial de 2006.

Um início sensacional, porém…

Niko Kranjcar surgiu para o mundo do futebol no Campeonato Europeu Sub-16 de 2001, o mesmo que revelou o atacante espanhol Fernando Torres, da Espanha. Dono do meio campo da seleção croata, ele levou a equipe a uma honrosa terceira colocação no torneio disputado na Inglaterra.

De volta ao Dínamo Zagreb, o jogador passou a integrar o elenco principal de sua equipe, onde faria história. Aos 18 anos, ele se tornou o mais jovem capitão do time, quebrando um recorde que pertencia ao também meio-campista Zvonimir Boban, uma lenda do futebol croata.

Porém, após isso, sua carreira sofreu uma estagnação. Pressionado por todos, que depositavam o futuro do futebol croata no jogador, Kranjcar sentiu a responsabilidade e acabou demorando mais para evoluir do que se esperava. É nesta hora que seu pai, Zlatko Kranjcar, passou a ter um papel essencial no seu desenvolvimento.

Após a Eurocopa de 2004, Kranjcar assumiu o comando da seleção croata. No dia 4 de setembro de 2004, Niko estreou com a camisa da equipe principal da Croácia contra a Hungria, pelas Eliminatórias para a Copa de 2006. Antes disso, ele já havia sido convocado, porém nunca havia atuado.

Após a primeira partida com a seleção, a carreira de Niko Kranjcar voltou ao curso natural. No entanto, no final daquele ano, o jogador se envolveu em uma polêmica negociação, quando trocou o Dínamo Zagreb por seu rival, o Hadjuk Split.

O mundo conhece Kranjcar

Após o Campeonato Europeu sub-16 de 2001, Kranjcar passou a figurar na lista de reforços de alguns dos mais importantes clubes do mundo, como Juventus e Milan. Porém, desde aquele momento, o jogador já nutria o sonho de atuar no futebol espanhol, mais precisamente no Barcelona.

Foi esse desejo de jogar na equipe de Ronaldinho, Eto´o e Messi que também impediu Kranjcar de assinar com os russos do CSKA Moscow. Na época, o jogador disse que “a Rússia era muito fria para ele”.

Agora, ainda jovem, porém experiente, e voltando a jogar um belo futebol, Kranjcar tem a chance de usar a Copa do Mundo como uma grande vitrine. Para isso, conta com a ajuda de seu pai e de toda a seleção da Croácia, que confia nele para realizar uma boa campanha na Alemanha.

Niko não é um jogador rápido. Meia mais clássico, ele tem um estilo semelhante ao de Zidane, a quem costuma ser comparado. Entretanto, ele compensa essa possível “lentidão”, com precisão nos passes e nos chutes a gol. Ele tem a cara do futebol croata, que é tradicionalmente marcado por sua técnica.

Apesar da preferência em atuar atrás de dois atacantes, fechando uma espécie de tridente ofensivo, Niko Kranjcar também pode ser utilizado como segundo homem de frente, pois tem facilidade na finalização das jogadas. Apesar de ser um jogador que joga preferencialmente pelo centro do campo (no Barcelona, seu sonho, ele atuaria na posição do luso-brasileiro Deco), Kranjcar também é aproveitado em uma linha de quatro jogadores, tanto pelo lado esquerdo, quanto pelo direito.

Na Alemanha, Niko Kranjcar tem a missão de provar ao mundo que a dependência de seu pai, que teve papel decisivo na sua recuperação, é coisa do passado. Para isto, ele quer repetir o exemplo de Maldini, que mesmo filho do chefe, nunca foi um filho do pai.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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