Katsouranis: Arma grega na Luz

Katsouranis é o primeiro reforço do Benfica com o aval do novo técnico, Fernando Santos. O grego de 27 anos custou 2 milhões de euros às Águias e construiu quase toda sua carreira no AEK, clube no qual se consagrou como um dos mais importantes jogadores. Katsouranis também ganhou notoriedade por seu papel no ferrolho grego de Rehhagel, campeão da Euro 2004.

Na Euro sub-21 de 2002

Katsouranis teve a sua primeira competição de peso em maio de 2002, quando participou no Europeu sub-21 disputado na Suíça. O jogador atuava no meio-campo dessa equipe, sendo que o técnico Andreas Michalopoulos lhe pedia que fizesse, a partir do centro, um apoio vertical mais direto aos atacantes, como Charisteas ou Papadopoulos. Nesse time ainda jogavam jogadores como o ala Patsatzoglou, os zagueiros Kirgiakos e Tavlaridis, Amanatidis e Seitaridis.

Ingresso no AEK

Depois do Euro sub-21 de 2002, Katsouranis assinou pelo AEK, deixando o Panahaiki, da sua terra natal, Patra. No clube ateniense, entrou no lugar de Zikos, que se transferira para o Monaco de Deschamps, e assumiu rapidamente a condição de volante titular. Tornou-se, gradualmente, numa das principais referências do futebol grego.

Como o AEK é um clube que tem atravessado uma enorme crise financeira e o resto do plantel tem sido elaborado com contenção de despesas, Katsouranis se tornou capitão e elemento mais valioso da equipe depois da saída de Zagorakis. Essa condição resistiu até esta semana, tendo o Werder Bremen feito, no verão passado, uma proposta de cerca de 3 milhões de euros, recusada pela direção do clube ateniense. Na última temporada, jogou ao lado do brasileiro Emerson (ex-Belenenses e Porto) que chegou no inverno para se juntar a ‘Kats’ no meio-campo defensivo do AEK de Fernando Santos.

A glória na Euro-2004

É um jogador com essência de marcação. No Euro 2004, Basinas era quem jogava ligeiramente mais recuado, como pivô do meio-campo com obrigação de distribuir o jogo. Katsouranis e Zagorakis jogavam mais no meio, embora o último tivesse mais vocação de fazer a bola circular e auxiliar Karagounis a levar o jogo para os atacantes.

Katsouranis e Zagorakis jogaram juntos no AEK, embora o último tivesse se transferido para o Bologna após o magnífico desempenho no Euro 2004, onde foi eleito o melhor jogador desse torneio. O título europeu deve-se bastante ao trabalho defensivo de Katsouranis, integrado em uma complexa teia de coberturas.

A preferência de Katsouranis

Ainda que no AEK tenha jogado muitas vezes como volante, o melhor futebol de Katsouranis surge quando alguém atua por ele no setor, como pivô defensivo. Mais ou menos como fazia Basinas (no caso da seleção), ou mesmo Paulo Assunção (no caso do AEK), hoje jogador do Porto. ‘Kats’ gosta de seguir o adversário com uma boa marcação individual e normalmente Rehhagel lhe destinava a vigilância dos armadores da equipa contrária.

Além do trabalho de marcação, Katsouranis (19 gols na liga grega em quatro anos de AEK) aparece bem na zona de finalização central, sempre em movimentos verticais sem a bola, esperando uma bola perdida para rematar ou um passe de um colega que esteja com dificuldades.

De qualquer forma, esta virtude de saber se integrar no ataque “exigirá” a Fernando Santos a colocação de mais alguém no esquema defensivo do meio-campo. Por não ser um volante puro, Petit pode vir a ser um bom complemento a Katsouranis na medida em que, além de povoar o setor recuado para o desarme e coberturas dos laterais, se preocupa muito com a distribuição de jogo (às vezes até abusa do passe longo, é verdade), o que libertaria o novo reforço grego para incisões sem-bola.

Com alguém jogando mais fixo, Katsouranis pode dar mais atenção à transição ataque-defesa dos adversários. Com isso, fica mais fácil prever qual o espaço os oponentes irão preencher depois da recuperação da bola. Além disso, o grego pressiona com intensidade, tem boa resistência, força e compleição física, mas não circula a bola com a mesma facilidade com que faz marcação. Daí seria conveniente, tanto do ponto de vista individual como do colectivo, que Katsouranis não seja o tal homem para jogar mais fixo e recuado à frente da defesa.

Apesar disso, Rehhagel já o utilizou esporadicamente como líbero na Grécia de 3-5-2. Tanto Katsouranis como Basinas já experimentaram essa posição devido à ausência de Dellas por lesão. É uma prova em como o know-how das interceptações é uma das qualidades do jogador e em como também se sabe valer do sistema defensivo mais à zona, sem ser exclusivamente de marcação individual. No entanto, não é muito aconselhável a Fernando Santos começar a “inventar” posições para ‘Kostas’ Katsouranis no centro da defesa.

O último grego na Luz?

Katsouranis é o quarto grego na história do Benfica. Depois do fraquíssimo volante Machairidis (na era Heynckes), do não muito melhor lateral-esquerdo Fyssas e do meia Karagounis, Katsouranis pode não ser o último helênico no Estádio da Luz. Há rumores que apontam Lyberopoulos, atacante do AEK, também estaria na rota do clube encarnado.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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