Kaká fora de Pequim?

do Olheiros.net
A reação, como costuma ser em Milanello, foi quase que instantânea. Ricardo Teixeira deu seus rodeios, disse que o Milan talvez dificultasse a presença de Kaká. Adriano Galliani, vice-presidente dos rossoneri e braço direito de Silvio Berlusconi, respondeu no dia seguinte, também via imprensa, alegando que há pouco sentido em levar o melhor do mundo para os Jogos de Pequim.
Por mais que os fatos tenham sido pouco notados e comentados, é evidente que o problema está à mesa. Nem mesmo as boas relações da CBF com Leonardo, integrante da cúpula milanista, parecem capaz de reverter o quadro. Há alguns meses, em programa ao vivo com Galvão Bueno no Sportv, Léo alertara sobre as dificuldades na liberação de Kaká. Desde então, aparentemente, pouco foi feito. As coisas estão estagnadas.
A resistência rossonera, em primeiro lugar, vem explicada pela provável situação do Milan para a próxima temporada. Com Internazionale, Roma e Juventus solidificadas como as três primeiras na Série A, caberia, ao time de Kaká, passar pela fase eliminatória da edição que vem da Liga dos Campeões. Mesmo que termine em terceiro, na verdade, os milanistas precisariam jogar tais partidas. Estas datas, como se sabe, coincidem com a dos Jogos Olímpicos. Por ora, aliás, o clube pode até ficar fora da UCL.
Não é apenas isso, porém, que explica as divergências. Há um mal estar entre as partes que provém desde a Copa América e o então desejo de Kaká e do próprio Milan em preservar as férias em detrimento da competição. Nestes casos, fica clara a incompetência institucional da CBF em negociar um acordo com a cúpula milanista e avaliar que, na verdade, as Olimpíadas têm um peso muito mais significativo que a competição da Conmebol.
Dentro de campo e até fora dele, aliás, a presença de Kaká deve ser tratada como imprescindível. Além de ser, claro, um grande jogador, o meia é o tipo de atleta que contribui para qualquer ambiente. Dono de uma personalidade forte, mas altamente positiva, seria uma referência indispensável para um grupo altamente virtuoso, porém razoavelmente jovem. Como todos em Pequim, claro.
Em um momento em que boa parte das seleções, possivelmente, terá os seus melhores jogadores experientes em Pequim, o Brasil deve ser privado de utilizar Kaká para o título que deveria ser prioridade no planejamento para o biênio 2007/08. Tudo por falta de cuidado com o projeto.
Enquanto houver motivos, nossas críticas não vão cessar.



