“Já tinha a camisa do Atlético”
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O paraguaio Iván González chegou ao Atlético Paranaense na última janela de transferências, mas o jogador de 23 anos já tinha a camisa do Furacão bem antes de vir para o clube.
Nesta entrevista exclusiva à Trivela, ele conta que já sonhava em defender a equipe paranaense desde a adolescência – tudo por conta de um torneio disputado no Brasil. Além disso, o jogador falou também sobre o período que atuou com com Sami Khedira e Mario Gómez no Stuttgart II.
Como está sendo a sua adaptação ao futebol brasileiro?
Acho que estou me adaptando bem no futebol brasileiro. No começo foi um pouco difícil, porque eu não estava jogando. O treinador achava que eu tinha que me adaptar primeiro e treinar para ver como era o futebol do Brasil antes de começar a jogar. Aos poucos passei a ser escalado. O futebol brasileiro é muito competitivo, mais do que no Paraguai, e acho que é o melhor da América do Sul. Aqui o futebol é mais rápido e ofensivo. No Paraguai é um pouco mais defensivo e lento.
Você foi jogar na Suíça pelo St. Gallen com 17 anos. Como foi?
Era a primeira vez que eu estava saindo do país. Nunca tinha nem morado fora de Assunção. Sentia falta da minha família e do meu país. Eu falava para minha mãe: “Quero voltar para o Paraguai. Eu não me sinto feliz aqui”. E ela dizia: “Filho, fica aí porque aqui no Paraguai não tem muito o que fazer. Aí é melhor”. Não gostava do clima da Suíça. Fazia muito frio e queria voltar. Fiquei e foi uma experiência legal, aos poucos fui me acostumando.
Depois você foi jogar no Stuttgart II. O que faltou para você chegar na equipe principal?
O Stuttgart até queria me contratar, só que houve um problema de dinheiro com o meu representante. Fiqui um ano na Alemanha e tive oportunidade de jogar no Stuttgart com vários atletas que agora estão em grandes times: Khedira do Real Madrid, Mario Gómez…
No ano passado você conquistou o título do Campeonato Paraguaio com o Cerro Porteño. Esse foi o momento mais marcante da sua carreira?
Foi muito legal. Joguei várias partidas como titular. Mas a melhor coisa que aconteceu foi ir para o Atlético Paranaense.
Você já conhecia o Atlético Paranaense antes de vir para o Brasil?
Eu já conhecia porque quando eu era pequeno vim para o Paraná para disputar um torneio com o Guaraní e comprei uma camiseta do Atlético Paranaense. Meu pai me levou em uma loja de artigos esportivos e me disse: “Filho, escolha a camisa que você gostar”. Tinha do Flamengo, São Paulo, Corinthians. Mas eu gostei mesmo das cores do Atlético Paranaense e falei que queria aquela. Meu pai disse: “Filho veja bem, tem do São Paulo, do Corinthians…”. Mas eu queria do Atlético.
Você sonhava em jogar pelo Atlético Paranaense?
Usava a camisa do Atlético quando eu jogava futebol com os meus amigos nas ruas do Paraguai. Usava porque ninguém tinha essa camiseta. Eu me imaginava como um jogador do Atlético Paranaense. Era um sonho jogar no Atlético, mas não imaginei que isso iria acontecer.
Como foi receber a notícia do interesse atleticano?
Foi como ver a imagem de quando eu era pequeno jogando nas ruas com os meus amigos. Foi muito emocionante. Para mim, é um sonho que eu estou vivendo.
E como está sendo a sua adaptação ao país?
Em Curitiba, o clima é um pouco mais frio que em Assunção. Gosto da cultura, das pessoas e da culinária do Brasil. O que eu mais gosto daqui é a comida: o arroz com feijão, a feijoada.
Você sente falta da comida paraguaia?
Sinto, mas não muita porque em casa tem comida paraguaia. Tenho uma empregada que veio do Paraguai e ela cozinha bastante. A minha mulher também faz comida.
O que você conhecia do Brasil antes de vir aqui?
Conhecia algumas músicas. Não conhecia a sertaneja e estou gostando muito. Os jogadores escutam muito o sertanejo. Há vários cantores bons brasileiros.
Quais jogadores brasileiros você já conhecia?
O Ronaldo [do Corinthians] e Robinho. Eles passavam muito na TV. No Paraguai, transmite jogos do Brasil.
O Paraguai foi bem na Copa do Mundo da África do Sul. No entanto faz tempo que os times paraguaios não conquistam títulos nos campeonatos sul-americanos. O que precisa mudar no Paraguai para reverter essa situação?
Acho que o nosso futebol está melhorando. Tanto que chegamos às quartas de final da Copa da África do Sul e fomos eliminados pela Espanha, que foi a campeã. Mas eu acho que precisa melhorar a infraestrutura dos times do Paraguai: as equipes não tem CT. E há times que não têm nem coletes, não têm bola.
O técnico do Paraguai, Gerardo Martino, deve fazer uma renovação no elenco. Você espera ser convocado em breve?
Espero. Trabalho para isso. Se ele me chamar, darei o melhor de mim.
O que você acha melhor: se transferir para um clube pequeno na Europa ou um time grande no Brasil?
Eu acho que buscar a transferência em um time grande no Brasil para depois chegar a um grande da Europa.
Você tem vontade de voltar para a Europa?
Até tenho vontade. Mas agora eu só estou pensando no Atlético. Se pudesse optar, ficaria no Atlético Paranaense até o ano que vem. Gostaria de ficar. Estamos focados para conseguir vaga na Libertadores, que é difícil, mas não impossível. Podem não acreditar em nós, mas confiamos em nós mesmos e vamos lutar até o fim. O grupo está forte e sabemos que podemos.
Até quando vai o seu contrato com o Atlético Paranaense?
Até dezembro do ano que vem.
Você tem algum sonho na carreira?
Disputar a Copa do Mundo do Brasil.