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Hey there! Football is using Twitter

Logo após o confronto entre Corinthians e São Paulo, pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro, Cristian e Marcelo Oliveira deixaram o gramado machucados. Os torcedores corintianos ficaram apreensivos, já que alguns dias depois os dois teriam que entrar em campo no segundo jogo da final da Copa do Brasil, contra o Internacional.

Poucas horas depois, a notícia, em primeira mão, confirmando que as lesões não eram graves e que os dois estavam garantidos contra o Inter, foi publicada na internet. No entanto, o “furo” não foi dado por um grande jornal, e sim pelo próprio técnico Mano Menezes em seu Twitter.

A nova moda da web começou a cair nas graças dos brasileiros recentemente, mas já conquistou muitos adeptos interessados em dividir informações relevantes, irrelevantes, curiosidades, piadas ou, simplesmente, levar ao pé da letra a pergunta-base do site: “what are you doing?” (o que você está fazendo?).

O treinador corintiano mantém sua página atualizadíssima e já conta com mais de 330 mil seguidores. Foi eleito pelo jornal britânico Telegraph como um dos dez melhores “tuiteiros” do mundo. O fato de ele divulgar notícias exclusivas em seu Twitter gerou, na prática, uma nova forma de se buscar informações.

Mídia difusora

O miniblog, como têm sido chamadas as páginas do Twitter, é usado como um “RSS” – ferramenta usada para acompanhar a atualização dos sites preferidos – pela imprensa, que percebeu o filão de informar muitos ao mesmo tempo. “Redes sociais como o Twitter pressupõem uma reconfiguração no conceito de notícia”, afirma Luciana Moherdaui, doutoranda na PUC-SP em Processos de Criação nas Mídias.

O boom do Twitter nos Estados Unidos tem gerado diversos estudos. De acordo com pesquisa da Harvard Business School, o site – que pulou de menos de 10 milhões de visitantes em março de 2008 para 19 milhões em 12 meses – é usado como uma espécie de mídia difusora. As pessoas buscam obter informações, e não alimentar.

“Eu, pessoalmente, só sigo pes-soas. Acho que, se seguir esses veículos, aquilo lá vai entupir”, diz Maurício Stycer, jornalista do IG e que também tem seu Twitter. Já Lédio Carmona, comentarista do Sportv, defende exatamente o contrário. “O que mais faço no Twitter é o RSS de todos os veículos que me interessam. É melhor isso do que saber que fulano está indo escovar os dentes”, ironiza.

Esporte na rede

Nos Estados Unidos, os esportistas já são antigos usuários do Twitter. Dois jogadores da NBA, Shaquille O’Neal, do Cleveland Cavaliers, e Charlie Villanueva, do Milwaukee Bucks, costumam atualizar suas páginas no intervalo das partidas, escrevendo sobre as orientações dos treinadores. O primeiro foi incentivado pelo técnico. O segundo, punido, sob a desculpa que isso atrapalhava a concentração.

Já no Brasil, são poucos os que se aventuram. O goleiro reserva do Palmeiras, Bruno, foi um dos solitários futebolistas a entrar na rede tuitera. Ele alterna mensagens do time com detalhes pessoais, como suas bandas preferidas.

O departamento de comunicação do São Paulo também não ficou atrás, e criou um perfil que visa manter os torcedores do Tricolor antenados. Outros times ainda não aderiram, mas muitos têm páginas criadas pelos próprios torcedores.

“Não adianta ter o perfil no Twitter. O importante é saber usar a ferramenta. E a maioria dos personagens do esporte ainda não entendeu isso”, diz Carmona. “Acho que no caso de jogadores e técnicos, o meio alcança dois públicos: o fã e o interessado em informar, ou seja, o jornalista. O cara pode fazer o perfil só para o fã, mas serve como fonte de informação e de pauta para nós”, defende Stycer.

Perfis falsos, porém, não faltam. Há desde os que pretendem ser verdadeiros, como os que têm a aberta intenção de apenas divertir ou denegrir, como as contas “piratas” de Rogério Ceni, Richarlyson e Muricy Ramalho. O Twitter prometeu resolver o problema em breve, com a criação de um selo de autenticidade para os usuários.

Twitter ao vivo?

Cada lampejo de ideia pode ser rapidamente dividido com centenas de pessoas em segundos, seja ele em campo, em casa ou qualquer lugar com acesso à internet. O que abriria a possibilidade de se fazer uma transmissão ao vivo, por exemplo. O site, porém, não a sustentaria. Há um número limite de atualizações diárias e a transmissão viraria uma bagunça misturada com os comentários alheios.

“Claro que o Twitter não tem fôlego para coberturas ao vivo. Mas é possível fazer coberturas em rede como, por exemplo, com várias pessoas em um evento postando notas”, sustenta Luciana.

No momento, o Twitter pode ser considerado uma grande bolha da internet. Ainda não dá para saber se será duradoura. Enquanto isso, os tuiteiros de plantão espalham-se pelo mundo.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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