Henrikh Mkhitaryan: Maior revelação da Armênia

 

Por Rodolfo Zavati

Quantos armênios se destacam, ou ao menos exercem papel importante, no futebol europeu atualmente? Certamente, poucos nomes vieram a sua cabeça. O atacante Edgar Manucharyan foi um dos que tentaram romper esta barreira, sendo aposta do Ajax e rodando, sempre emprestado, por pequenos times holandeses. Entretanto, jamais se firmou e, em 2010, retornou ao Pyunik, eterno campeão da Armênia. Nem mesmo nas ligas mais fortes da ex-União Soviética, como Rússia e Ucrânia, os armênios encontram grande espaço. Entretanto, o jovem meia Henrikh Mkhitaryan, do Shakthar Donetsk, se mostra um sério candidato a alcançar um patamar de relevância ainda inédito para jogadores nascidos na menor república da extinta URSS.

Nascido em Ierevan, capital armênia, em 1989, Henrikh Hamlet Mkhitaryan iniciou sua carreira no Pyunik, principal clube local e campeão de simplesmente todas as edições do campeonato nacional entre 2001 e 2009. No vencedor Pyunik, Mkhitaryan debutou cedo, ainda aos 17 anos, em 2006. No ano seguinte (o campeonato armênio segue um calendário anual, semelhante ao brasileiro, ao contrário do sistema europeu de temporadas), firmou-se como titular e se revelou um meia de excelente chegada ao ataque, característica que se refletia em sua média de gols elevada para um jogador de meio campo. Ainda em 2007, é convocado para a seleção de seu país e faz sua estreia num amistoso contra o Panamá, em janeiro.

Após outra temporada de destaque em 2008, o jovem teve um início de 2009 arrasador. Em dez partidas, anotou 11 gols, chamando a atenção do Metalurh Donetsk, da Ucrânia, que o contratou imediatamente.

Logo na estreia, deixou sua marca, estufando as redes do MTZ-RIPO (de Belarus, atualmente chamado Partizan Minsk), num jogo válido pela Liga Europa. Rapidamente, Mkhitaryan tornou-se nome importante no plantel do segundo time de Donetsk, balançando a rede seguidamente em outros jogos da competição europeia. O saldo da temporada foi positivo: 14 gols em 38 jogos, sendo nove pela liga ucraniana e mais quatro pela competição continental. De forma unânime, foi escolhido como o jogador armênio do ano, e ainda anotou seu primeiro gol pela seleção nacional, em um 2 a 2 perante a Estônia, válido pelas eliminatórias da Copa da África do Sul. Já em 2010, foi nomeado capitão do Metalurh, se tornando o mais jovem a ocupar tal posto.

A excelente impressão causada pela revelação armênia chamou a atenção do milionário Shakthar Donetsk. Já com a temporada ucraniana em andamento, a equipe de Mircea Lucescu ofereceu € 5,5 milhões aos rivais.

Oferta aceita, Mkhitaryan chegou ao seu novo clube em setembro. Inscrito com a camisa 22, Mkhitaryan enfrenta a concorrência de uma legião de brasileiros que atua em seu setor: Jádson, Fernandinho, Willian, Douglas Costa e Alex Teixeira. Atuando mais avançado, como um segundo atacante, ganhou suas primeiras oportunidades como titular. Pela Champions League, por exemplo, esteve em campo durante os 90 minutos da grande vitória do Shakthar diante do Braga, em Portugal.

Desde que recuperou sua independência, a Armênia jamais mostrou ter chance de sequer cogitar uma vaga em Copa do Mundo ou Eurocopa. Mesmo que se torne um grande jogador, Mkhitaryan poderá passar pela mesma frustração que outros grandes craques se depararam: jamais disputar uma Copa do Mundo.

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