Heerenveen: Nacionalismo frísio

Muitos estranharam a convocação de Afonso Alves para a Seleção Brasileira. De fato, arroubos de arrogância à parte, foi uma chamada surpreendente, apesar da boa temporada do atacante no futebol holandês, depois de relativo sucesso também no futebol sueco. Dizer que “nunca ouvi falar desse Afonso” é um excesso de desinformação, mas poucos podem afirmar que sabem há tempos com qual perna ele chuta melhor ou qual sua maior qualidade.
Também ouviu-se muitas piadinhas sobre o Heerenveen, time em que joga Afonso. Comparações surgiram: “é um time do tamanho do Brasiliense”, “é para a Holanda o que o Rio Branco de Americana é para São Paulo”. Na verdade, no cenário nacional, seria mais correto comparar o time holandês ao Paraná ou à Ponte Preta.
Fundado em 20 de julho de 1920 na cidade homônima de menos de 30 mil habitantes, localizada na província da Frísia, na Holanda setentrional, o Heerenveen (‘heer’ significa ‘lorde’ e ‘veen’ signifca ‘turfa’, já que a cidade foi fundada por nobres que viviam da extração de turfa) é de fato um time modesto mesmo nos parâmetros holandeses. Seus grandes feitos foram três vice-campeonatos: um do Campeonato Holandês em 2000 e outro da Copa da Holanda de 1993 e 1997, além de ser presença constante em torneios europeus, especialmente da Copa Uefa, resultante de boas colocações no campeonato nacional.
O time foi fundado com o nome de Athleta. Um ano depois, alterou seu nome para Spartaan. Essa denominação não durou nem um ano, logo sendo mudada para VV Heerenveen. Apenas após o futebol do clube ter se tornado profissional, apenas em 1977 o time passou a ter o atual nome.
O ‘Orgulho da Frísia’ teve alguns importantes jogadores em sua história de poucas conquistas, mas muitas tradição: Ruud van Nistelrooy, que virou centroavante no Heerenveen, foi artilheiro do time na temporada 1997/8, de onde saiu para o PSV por quase € 7 milhões, um recorde à época entre times holandeses. Também o atacante Klaas Jan Huntelaar (atualmente no Ajax) destacou-se nos frísios, transferindo-se para Amsterdã por novo valor recorde de € 9 milhões. O polonês Arkadiusz Radomski fez grande carreira no time holandês durante sete anos, durante os quais disputou 213 jogos, recorde entre não-holandeses no Heerenveen.
É muito latente no Heerenveen o nacionalismo frísio. Os ‘corações’ no escudo do time são, na verdade, representações estilizadas de um tipo de lírio d'água (Nympaea alba), um dos grandes símbolos da província, que muitos consideram ser um país dentro de outro, com idioma e costumes diferentes dos holandeses. Antes de cada jogo, a torcida entoa o hino da Frísia, em cerimônia que muitos já compararam às danças maoris da seleção neozelandesa de rúgbi.
O Heerenveen disputa seus jogos no Estádio Abe Lenstra, com capacidade para 25 mil pessoas, cujo nome homenageia um meia-atacante que fez carreira em times como SC Enschede, Enschedese Boys, DOS '19, WSV, DOS Kampen e Assen. Mas foi no Heerenveen que Lenstra tornou-se um herói frísio e um dos grandes ídolos do futebol holandês antes da geração da década de 70.
FICHA
Sportclub Heerenveen
Ano de fundação: 1920
Cidade: Heerenveen, na Holanda
Endereço: Abe Lenstra Boulevard, 19 – 8448
Estádio: Abe Lenstra
Capacidade: 24.600
Principais títulos: nenhum
Principais jogadores: Jon Dahl Tomasson, Abe Lenstra, Ruud van Nistelrooy, Klaas Jan Huntelaar, Mika Nurmela, Rodion Camataru,
Arkadiusz Radomski, Marcus Allbäck, Daniel Jensen, Johan Hansma
Site oficial: http://www.sc-heerenveen.nl



