“Gol II”, uma adaptação literária
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2023%2F04%2FTrivela-Imagem-Padrao.jpg)
‘Gol II’ seria a adaptação oficial do filme homônimo de Robert Rigby para o formato de romance. A editora Record lançou as adaptações de ‘Gol’ e ‘Gol II’ simultaneamente no Brasil. Uma vez que eu já havia visto o filme ‘Gol’, optei por pagar pela versão literária da seqüência pois obviamente eu já sabia o que aconteceria na primeira parte. Logo temos o prosseguir da vida de Santiago Muñez, descendente de mexicanos que quando garoto foi descoberto nos EUA e colocado enquanto promessa do futebol. Muñez vai parar no Newcastle United onde disputará a Premier League, tendo em campo a companhia de seu amigo Gavin Harris bem como os ilustres Patrick Kluivert e Alan Shearer protagonizando a eles mesmos. Acredito que todos os leitores do Trivela estejam cientes do fato de ‘Gol’ contar com imagens extraídas de partidas reais, neste momento durante a temporada européia de 2004/2005.
Gavin acaba negociado com o Real Madrid e quando Muñez começa a se enraizar no cotidiano inglês ao lado de sua namorada Roz, Michael Owen retorna à Inglaterra após uma temporada pouco bem-sucedida na Espanha. O Real Madrid se desfez de Owen que chega exatamente ao Newcastle, um fato real que sem dúvida favoreceu o desenrolar da trama. Previsivelmente, Muñez será levado ao Santiago Bernabéu e será o mais novo… galáctico! E teremos o passo mais ambicioso daquilo que aparentemente acabará como uma trilogia. Aqui em ‘Gol II’ veremos Muñez tentando se adaptar ao futebol espanhol, à superexposição e a tanta megalomania. Além do ‘fantasma’ de sua mãe, desaparecida e que poderia ter fugido para a Espanha. Ao redor da trama elementos estéticos pertencentes à temporada 2005/2006 vivida pelo Real Madrid. Ironicamente uma temporada em que brilhou mais o Barcelona na vida real. Santiago e Gavin formam junto a David Beckham o trio cintilante de Madrid. Ao redor deles, Zidane, Ronaldo, Raúl e o restante do plantel madridista por eles mesmos. Ao menos no cinema a temporada 2005/2006 teve um final feliz para os galácticos.
As duas partes de ‘Gol’ trazem uma linguagem leve e descontraída. A Record disponibilizou a publicação pelo selo ‘Galera Record’ voltado ao público infanto/juvenil. Uma vez que os filmes acabaram não obtendo uma grande repercussão no país, as adaptações literárias também acabaram passando um tanto quanto despercebidas. Além de não aparecerem em listas de best sellers, os livros possivelmente acabam nas estantes próximas dos livros infantis ou obras voltadas ao público adolescente. Foi exatamente desta maneira que me surpreendi na livraria.
Como todo ‘blockbuster’ hollywoodeano, ‘Gol’ atende a todos os critérios e clichês das produções norte-americanas que estamos habituados a ver. Compreensívelmente tais requisitos acabam não se aplicando ao público brasileiro em se tratando de futebol. O craque do filme é mexicano e talvez o feito do diretor Robert Rigby tenha ajudado a proporcionar a boa recepção que David Beckhan acabou tendo nos EUA, ao ser contratado pelo LA Galaxy. Para leitores muito exigentes é uma contra-indicação. Para aficcionados e para a molecada, diversão sem muitas pretensões.