Futebol + tecnologia = polêmica?

Essa quinta-feira, 28 de agosto de 2008 é um dia histórico. O mais conservador dos esportes aceita a inclusão da tecnologia em sua dinâmica. Não, os velhinhos da International Board não abriram a cabeça. Não estamos falando de futebol, trata-se do beisebol.
Após alguns erros que decidiram partidas, a MLB (liga profissional de beisebol) resolveu seguir o exemplo das principais ligas profissionais norte-americanas, de futebol americano, hóquei e basquete. A tecnologia será utilizada para determinar se a bolinha foi rebatida para dentro ou fora dos limites do campo, o que pode determinar se uma rebatida é um home-run ou se é uma rebatida não válida. A diferença pode determinar uma partida, um campeonato e a sorte de uma franquia que envolve milhões.
Eles decidiram, então, que não valia a pena manter a antiga postura conservadora e mudaram a regra. E mudaram no meio do campeonato. Lá, uma central de vídeo em Nova York vai usar imagens de diversas televisões, alám de câmeras próprias para rapidamente determinar exclusivamente os lance de home-run. Isso porque, a formatação dos novos estádios é considerada confusa e prejudicial para a visão dos juízes em distancias longas. A liga, no entanto, não quer tirar o fator humano do jogo e outras jogadas polêmicas não serão incluídas no pacote.
A comparação entre beisebol e futebol é válida. Se na FIFA, os conservadores velinhos da International Board são arredios à qualquer mudança na regra, o mesmo vale para o passatempo americano. Bud Seling, o todo poderoso da MLB, já se mostrou por diversas vezes cético quanto a validade de mudanças. Aos 74 anos, o comissário da liga quer preservar a dinâmica do jogo e, por isso, técnicos não poderão pedir para que jogadas sejam revistas, como acontece no futebol americano. Se reclamarem, serão expulsos da partida.
O futebol precisa rever alguns de seus conceitos. Isso não significa fazer a trave acender um sirene depois da bola entrar no gol ou fazer o jogo parar para que o árbitro verifique um possível impedimento. As tecnologias são cada vez mais inovadoras e oferecem possibilidades que até bem pouco tempo eram inimagináveis. É importante que a FIFA invista em pesquisas que ajudem no desenvolvimento do jogo. Um dos exemplos mais banais é o tal do sprayzinho da barreira, que apesar de funcionar no Brasil ainda não foi implementado no mundo inteiro. Manter a dinâmica do futebol pode, sim, ser compatível com novas tecnologias.



