Futebol é uma ilha de ética

Esporte mais popular no mundo, o futebol sofre certo preconceito. Os jogadores são ironizados porque falam obviedades e por um certo comportamento brega, com cordões, aneis, marias-chuteiras e por não saberem, uma parte, lidar com a aposentadoria e a falta de sucesso. Há gente que respeita mais atletas de esportes de elite, como tênis, automobilismo, basquete e outros. Como se obviedade não fosse mato aí também. Já viram como um tenista justifica uma vitória. “Saquei bem, voleei bem e tive tranquilidade para fechar os pontos decisivos”. E um piloto? ” Os mecânicos fizeram um bom trabalho, o carro está muito equilibado, fui bem na classificação, larguei na pole e consegui vencer'. Graças a Deus é a frase que termina todas as analises, do futebol ao badmington.
Hoje, em dia, eu vejo os jogadores de futebol como uma espécie de reserva moral. Uma ilha de ética no meio do esporte brasileiro. Vamos ver?
AUTOMOBILISMO – Nossos pilotos, depois que os grandes se aposentaram, são mais famosos por usarem docilmente o freio do que por acelerarem. Pisam no freio, colocam a cabeça para fora e fazem sinal para o companheiro de equipe passar. Tudo normal. Agora, Barrichello e Bruno Senna estão correndo atrás de dinheiro que os mantenha na categoria. Que esporte é esse em que se acha natural deixar o outro passar? Em que é normal pagar para ter um lugar no time.? Ah, e esse Bruno Senna? Por que não usa o nome do pai? Preferiu o da mãe, igual ao do tio genial? Abre portas, não?
VÔLEI – No ano passado, Bernardinho escalou um time reserva, para perder. Bonito, não é? E esse ano, estão vendo o que está acontecendo? A Copa do Mundo de Vôlei classifica os três primeiros colocados diretamente para Pequim. Uma outra vaga vira no campeonato do continente. Então, a Argentina entra com o time reserva contra o Brasil. Assim, nós ficamos entre os três primeiros e eles podem garantir a vaga vencendo o sul-americano. A Sérvia faz o mesmo. Coloca reservas contra os europeus, para deixar o Brasil de fora. Assim, ficaria mais fácil para eles ganhar uma vaga no campeonato europeu. Tudo ético, não?
BASQUETE – Houve um mundial em que o Brasil entregou o jogo para Angola. NA – GO – LA. Na verdade, cometi um erro. O que deveria estar em maiúscula e separado por sílabas é EN – TTRE – GOU e não Angola. O erro é perder o jogo por querer, não interessa contra quem.
DOPING – Rebeca Gusmão teve duas medalhas de ouro cassadas no Pan de 2007. Cesar Cielo foi pego no doping e inocentado mais rapidamente do que seu maravilhoso desempenho nas piscinas. A equipe brasileira de revezamento 4x100m no atletismo foi dizimada pelo doping.
E o futebol? Tem um caso ou outro, com no maranhense de 2009, fala-se em mala branca, mas não há casos de entrega de jogo, de resultados adulterados por doping.
Lógico que os dirigentes, velhos ou novos, são o que há de pior. Mas, dentro de campo, o futebol tem ética. Ronaldo é um bom exemplo. Um dos grandes jogadores da história. Um cartolão como tantos.



