'Futebol é uma caixinha de surpresas'
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Surpreender leitores exigentes e fanáticos como aqueles que acompanham futebol na Trivela não é tarefa das mais fáceis. Pois é justamente isso que Luiz Fernando Bindi consegue com seu despretensioso e agradável “Futebol é uma caixinha de surpresas”.
Figurinha carimbada em fóruns como o “Loucos por Futebol” da ESPN Brasil e a própria revista Trivela e notório pela especialização em distintivos de clubes, Bindi empenhou-se na arriscada empreitada de consolidar curiosidades sobre o esporte mais popular do planeta. Costumamos ressaltar neste espaço a carência de literatura futebolística de qualidade no Brasil, mas isso não se aplica ao gênero sobre o qual o autor se debruça neste livro. Com repertório rico, o Bindi dribla os clichês habituais com categoria.
As inúmeras curiosidades descritas são agrupadas em capítulos tão variados quanto “árbitros”, “medicina” e “dinheiro”. Abrindo cada capítulo com uma definição à la dicionário, a idéia é justamente dar um aspecto temático a cada sub-divisão. Em geral funciona bem, mas vez por outra o leitor pode ser flagrado se questionando por que a história do atacante que comemorou um gol seminu é contada no capítulo “Onze”, entre outros pequenos deslizes semelhantes.
Fica explícito que Bindi possui um conhecimento vastíssimo de futebol. Dessa forma, navega confortavelmente com seus causos no tempo e no espaço: dos primórdios do futebol na Inglaterra ao mundial de 2006, das divisões amadoras da Paraíba à liga Neozelandesa. Deve-se destacar que não se trata apenas de um livro frio ou burocrático bem escrito por um louco por futebol. Além de conhecimento, Bindi faz transparecer a paixão que tem pelo esporte, o que valoriza, e muito, o conteúdo apresentado.
Mesmo assim, as expectativas devem ser ajustadas. Leitores ávidos por material profundo e analítico poderão se frustrar, assim como aqueles que forem sedentos ao capítulo “Distintivos”, relativamente magro se pensarmos que o autor possui uma módica coleção com 50 mil escudos de times.
Considerando prós e contras, o livro é muito bom e sua leitura, recomendada aos fanáticos e curiosos. O conteúdo é leve, diversificado e prazeroso. Merecem destaque histórias como a da torcida do interior que desfilou num elefante após o time bater o São Paulo; a relutância inicial de Telê Santana em disputar a Libertadores; a expulsão de De La Peña por esmagar os testículos do árbitro; as maracutaias na província Indiana de Goa ou o jogador do Botafogo que contraiu uma DST em relação extraconjugal e pediu para ser engessado da cintura para baixo enquanto se curava do probleminha. São excentricidades como essas que fazem jus ao título do livro e à própria definição do futebol.