Forma ou tradição?

Arsenal x Milan, Liverpool x Internazionale. Os confrontos anglo-italianos são os dois mais intrigantes das oitavas-de-final da Liga dos Campeões, sorteados na última sexta-feira. Ambos colocam frente a frente times que vêm impressionando pelo rendimento doméstico na atual temporada (Arsenal e Inter) e os dois finalistas da última temporada (Milan e Liverpool), reconhecidos pela impressionante tradição européia e um estilo de jogo talhado para uma competição como a LC.

O Emirates Stadium será palco do jogo de ida entre os Gunners e os campeões do mundo. Dificilmente dois times poderiam se destacar por conceitos tão distintos na montagem do elenco. Do lado do Arsenal, um elenco jovem que amadurece a olhos vistos sob a batuta de Arsène Wenger, a ponto de se considerar a saída do ídolo Thierry Henry como algo positivo, e não uma tragédia. No Milan, quanto mais se diz que o grupo está envelhecido, mais os resultados internacionais aparecem para mostrar que a aposta de Carlo Ancelotti vale a pena. Afinal, o time campeão de 2007 não mudou muito do vice de 2005, que por sua vez tinha uma base semelhante ao do título de 2003.

Antes mesmo de os destinos das duas equipes se cruzarem, Ancelotti já havia levantado questões sobre o preparo do Arsenal para buscar seu primeiro título europeu. Depois do sorteio, voltou a tocar no assunto. “O Arsenal era um dos times mais fortes no sorteio. Eles têm mais qualidades e melhor técnica que o Liverpool, mas não a mesma experiência”, disse o treinador rossonero. Wenger, por sua vez, não se intimida: “É um grande desafio, mas se você me perguntar se temos chance de eliminá-los, digo 'sim'”.

Um revés diante do Milan certamente faria o Arsenal se arrepender pela derrota para o Sevilla, que empurrou a equipe para o segundo lugar no grupo H. De qualquer forma, os Gunners adotam o discurso de que, para ser campeão, “não se escolhe adversário” e “é preciso vencer os grandes times”.

A troca de farpas extracampo certamente é um ingrediente especial do confronto, mas não tanto quanto o duelo dos prodígios Kaká e Fàbregas – o melhor do mundo contra um dos principais candidatos à sucessão.

A história das competições européias registra apenas dois confrontos entre os dois clubes. Na Supercopa de 1994, o Milan se sagrou campeão ao empatar por 0 a 0 em Highbury e vencer por 2 a 0 em casa, gols de Boban e Massaro. Melhor lembrança para o Arsenal é a da última visita a San Siro, quando aplicou implacáveis 5 a 1 na Inter, em 2003.

Falando na Inter, a equipe de Roberto Mancini chegou ao ponto de não ter rivais à altura na Série A. Os números são incontestáveis: apenas uma derrota nos últimos 57 jogos pelo campeonato nacional. Justamente por isso, cresce a pressão pelo fim dos fracassos europeus. Se não vencer desta vez, a equipe nerazzurra completará 43 anos sem o principal título continental – e neste período, viu os rivais locais se encherem de glórias. Nas últimas temporadas, a Inter colecionou eliminações contra adversários tecnicamente inferiores.

Superar seus limites na Liga dos Campeões não tem sido novidade para o Liverpool, que este ano mostrou não estar morto ao se classificar com três vitórias consecutivas nas últimas rodadas do grupo A, depois de somar apenas um ponto nas três primeiras. A impressionante arrancada colocou o vento a favor do técnico Rafael Benítez, excluindo qualquer possibilidade de que as desavenças com os donos do clube causassem sua demissão.

Se serve de alento, uma das vitórias marcantes da grande Inter dos anos 60 foi justamente sobre o Liverpool, na semifinal da Copa dos Campeões em 1965. Na ocasião, os Reds venceram em Anfield por 3 a 1, mas foram eliminados com uma derrota por 3 a 0 em Milão. Foi o último passo antes da vitória sobre o Benfica que valeu à Inter seu segundo – e até hoje último – título continental.

O Real Madrid, que enfrenta a Roma, é outro time que vem dominando sua competição nacional. No entanto, apesar de ter decepcionado nas últimas edições da LC, não se pode questionar o pedigree do recordista de títulos europeus. Para que venha a décima conquista, os merengues terão primeiro de passar por uma velha conhecida.

É o quarto encontro de Real Madrid e Roma em sete temporadas. Nos seis jogos anteriores, foram quatro vitórias madridistas, incluindo uma no estádio Olímpico no fatídico 11 de setembro de 2001.

O Manchester United pega o Lyon, que, a exemplo do Liverpool, chegou a ficar muito perto da eliminação na fase de grupos. Os Red Devils voltam à França depois de eliminar o Lille na temporada passada. Mathieu Bodmer e Kader Keita, hoje no Lyon, estavam presentes no confronto. Foi a primeira tentativa bem-sucedida do time de Alex Ferguson nas oitavas-de-final, depois de eliminações contra Porto e Milan nos anos anteriores.

O time francês, ao contrário, sempre havia passado das oitavas – e parado nas quartas – até cair na última temporada diante da Roma, quando nos perguntávamos se era “a vez do Lyon”. Desta vez, é inegável que as expectativas sobre os lioneses são menores.

O Barcelona, que em 2006/7 foi eliminado pelo Liverpool, desta vez teve um sorteio mais generoso e vai enfrentar o Celtic. O time escocês reconhece sua condição de azarão, mas se apóia em um ótimo retrospecto em casa para sair em vantagem no confronto e jogar a pressão para o outro lado. E, quem sabe, repetir o feito de 2004, na Copa Uefa, quando segurou um empate sem gols no Camp Nou e eliminou o Barça. É claro que esta é a hipótese menos provável, pela diferença técnica entre os times. Os blaugrana devem passar em um confronto de poucos gols.

Olympiacos x Chelsea parece, à primeira vista, o confronto mais desequilibrado dos oito, apesar de a campanha do time grego na fase de grupos recomendar respeito. O Olympiacos nunca havia vencido um jogo fora de casa na Liga dos Campeões, e desta vez arrasou o tabu. Venceu Werder Bremen e Lazio e ainda deixou ótima impressão na derrota para o Real Madrid. A história deve ser diferente quando chegar a hora da visita a Stamford Bridge, onde o Chelsea perdeu apenas um dos últimos 24 jogos pela LC, para o Barcelona. Por isso, o Olympiacos deve tentar decidir sua sorte no primeiro jogo. Se arrancar pelo menos um empate na Grécia, o time de Avram Grant deve passar fácil na volta.

O Porto voltará a Gelsenkirchen pouco menos de quatro anos depois de conquistar, na cidade alemã, o título da LC em 2004. Desta vez, a missão é arrancar um bom resultado contra o Schalke 04. O favoritismo pende levemente para o lado portista, não só pela parte técnica, mas também pela maior experiência internacional. Um personagem curioso da partida é o goleiro do Schalke, Manuel Neuer. Na ocasião da final entre Porto e Monaco, ele trabalhou como gandula.

As oitavas-de-final da LC são território incomum para Fenerbahçe e Sevilla, que fazem o menos glamouroso dos confrontos, mas um dos mais interessantes para o público brasileiro, que já viu de perto vários dos envolvidos. O Sevilla, que nesta temporada guardou seu melhor jogo para as noites européias, é ligeiramente favorecido por fazer o segundo jogo em casa.

Veja como ficou a tabela das oitavas-de-final:

Terça, 19/fevereiro
Schalke 04 x Porto
Roma x Real Madrid
Olympiacos x Chelsea
Liverpool x Internazionale

Quarta, 20/fevereiro
Celtic x Barcelona
Lyon x Manchester United
Fenerbahçe x Sevilla
Arsenal x Milan

Terça, 4/março
Barcelona x Celtic
Manchester United x Lyon
Sevilla x Fenerbahçe
Milan x Arsenal

Quarta, 5/março
Porto x Schalke 04
Real Madrid x Roma
Chelsea x Olympiacos

Terça, 11/março
Internazionale x Liverpool


Copa Uefa chega ao mata-mata

A fase de grupos da Copa Uefa terminou com poucas surpresas. A maior delas talvez tenha sido a eliminação do AZ, que pela primeira vez perdeu um jogo em casa em competição européia. O responsável por derrubar a escrita foi o Everton, que venceu por 3 a 2 em Alkmaar e fechou o grupo A com quatro vitórias, marca igualada apenas pelo Bordeaux no grupo H.

O Bordeaux, por sinal, contará com a gratidão do Galatasaray. O time francês, mesmo recheado de reservas, saiu de uma desvantagem de 2 a 0 para vencer o Panionios por 3 a 2, na Grécia. O resultado eliminou o Panionios e classificou o Galatasaray, que não passou do 0 a 0 contra o Austria Viena. O time turco conseguiu a vaga com apenas 4 pontos, a exemplo do Aberdeen, no grupo B, e do Brann, no grupo D.

O sorteio de sexta-feira designou alguns confrontos interessantes, como Galatasaray x Bayer Leverkusen, ambos com títulos da competição no currículo. O sorteio do Bayern de Munique como adversário do Aberdeen certamente não alegrou os escoceses na perspectiva de chances de classificação, mas será especial pelas recordações. Na temporada 1982/3, o time então dirigido por Alex Ferguson eliminou o Bayern no caminho do título.

Hamburg e Atlético de Madrid, os dois sobreviventes da Copa Intertoto, são favoritos contra Zurich e Bolton, respectivamente. Entre os times vindos da Liga dos Campeões, o sorteio foi mais cruel com o Slavia Praga, que enfrenta o Tottenham, e com o Rosenborg, adversário da Fiorentina.

Veja como ficaram os confrontos da terceira fase:
Ida: 13/14 de fevereiro / Volta: 21 de fevereiro

Aberdeen x Bayern de Munique
AEK x Getafe
Bolton x Atlético de Madrid
Zenit S. Petersburg x Villarreal
Galatasaray x Bayer Leverkusen
Anderlecht x Bordeaux
Brann x Everton
Zurich x Hamburg
Rangers x Panathinaikos
PSV x Helsingborg
Slavia Praga x Tottenham
Rosenborg x Fiorentina
Sporting x Basel
Werder Bremen x Braga
Benfica x Nuremberg
Olympique de Marselha x Spartak Moscou

Confira os cruzamentos das oitavas-de-final:
Ida: 6 de março / Volta: 12/13 de março

Anderlecht/Bordeaux x Aberdeen/Bayern de Munique
Rangers/Panathinaikos x Werder Bremen/Braga
Bolton/Atlético de Madrid x Sporting/Basel
Galatasaray/Bayer Leverkusen x Zurich/Hamburg
AEK/Getafe x Benfica/Nuremberg
Rosenborg/Fiorentina x Brann/Everton
Slavia Praga/Tottenham x PSV/Helsingborg
Olympique de Marselha/Spartak Moscou x Zenit S. Petersburg/Villarreal

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