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“Foi como a luz no fim do túnel”

O camisa dez do Hertha Berlim encarou a oportunidade de jogar a terceira divisão do Campeonato Suíço como a última oportunidade da carreira. Para não ter o sonho de jogar futebol frustrado e ter de voltar de São Paulo para Fortaleza de mãos vazias pela segunda vez, Raffael deixou o Juventus aos 18 anos, antes mesmo de ser jogador profissional.

Daí em diante, a ascensão do meia atacante foi meteórica. Depois de dois anos, transferiu-se para o Zürich e foi bicampeão da Super League. Levado pelo treinador Lucien Favre, chegou ao Hertha Berlim na temporada retrasada e não demorou para ganhar a titular do time que hoje disputa as primeiras posições do Campeonato Alemão.

Você saiu de um clube da Suíça, de pequena importância no cenário europeu, para ganhar a camisa dez do Hertha Berlim e, em pouco tempo, a titularidade em umas das equipes que disputa o título da Bundesliga. Você se surpreendeu com a rapidez dessa transição?

No começo fiquei muito surpreso. Ir para um time que disputa um título na Alemanha e depois ganhar a camisa dez logo de cara… No primeiro jogo que fiz pelo Hertha, no ano passado, já comecei como titular.

Como é o relacionamento com o treinador Lucien Favre e por que você acha que ele fez questão de trazer você do Zürich?

A gente tem um bom relacionamento. Conheço ele desde o Zürich e nunca tivemos nenhum tipo de problema. Com ele sempre joguei no Zürich e aqui não está sendo diferente.

Como foi a adaptação dentro dos gramados? Você sentiu alguma diferença no estilo de jogo? Tem atuado da mesma maneira?

A minha forma de jogar não mudou muito, não. O que muda é o campeonato, que é muito mais competitivo do que lá. No Zürich a gente foi bicampeão e no momento em que eu saí a gente estava em segundo lugar.

Depois de você, outros brasileiros chegaram ao Hertha, como o Cícero, o Kaká e o Lúcio, como é a convivência com eles?

A convivência entre a gente é excelente. Sempre estamos juntos, um vai na casa do outro para almoçar ou jantar. Às vezes tem um ou outro jogador que sai com a gente, mas ficamos mais entre os brasileiros. A nossa relação aqui é excepcional.

Depois de algumas dificuldades no início da temporada, o time parece estar se encontrando dentro de campo e já está a dois pontos dos líderes. Como você avalia esta subida de produção?

Acho que é o trabalho, né? Quando uma equipe se ume e corre atrás de um objetivo junta as coisas começam a acontecer. A diferença que eu vejo é que a gente é mais um grupo, sabe? O entrosamento é melhor e a gente tem mais opções no banco também. Se um sai e outro entra, continua a mesma coisa. A gente está a dois pontos dos líderes, mas poderíamos estar em primeiro. Estamos evoluindo em relação ao que a gente mostrou no começo da temporada.

Quais eram as expectativas do Hertha Berlim antes do início do campeonato, o time esperava brigar pelo título, se classificar para a Liga dos Campeões, ou tinha o objetivo de ficar na zona de classificação para a Copa Uefa?

O objetivo da gente era terminar entre os primeiros. O clube queria que a gente pudesse disputar a (Copa) Uefa. Aqui dentro está todo mundo surpreso com o desempenho do time.

O clube não vence o Campeonato Alemão desde a década de 30 e o último título foi há sete anos. A cobrança da torcida é maior por esse motivo?

O torcedor sempre cobra. Mas não vejo toda essa pressão para ganhar o campeonato, não. Se chegar tudo bem, se não chegar… Pelo menos tentamos.

No Hertha Berlim, o Cícero também tem feito muito sucesso. Além disso, o Carlos Eduardo, o Renato Augusto, entre outros, tem se destacado na Bundesliga. Os brasileiros estão em alta na Alemanha?

Com certeza, não só esses que você citou, mas também tem o Tinga, que atravessa um momento muito bom no Borussia Dortmund, o Zé Roberto, do Bayern, e por aí vai. Aqui eles estão animados com os brasileiros.

Você saiu do Brasil aos 18 anos para viver em um lugar completamente diferente.
Como foi a adaptação à Suíça? Quais foram as maiores dificuldades que teve que enfrentar?

Foi muito difícil porque fui sozinho, sem a ajuda de ninguém. E sem ajuda de nenhum intérprete. A maior dificuldade foi essa, chegar em um país sem saber falar a língua, sem conhecer ninguém… E enfrentar o frio, né?

Como você foi descoberto no Brasil? Foi levado por algum empresário, observado por algum olheiro?

Com doze anos eu fui jogar no Vitória. Fiquei lá uns sete meses, depois voltei. Não deu certo lá. Voltei para Fortaleza e surgiu a oportunidade de fazer uma peneira para o Corinthians. Aí gostaram e levaram eu e o meu irmão para São Paulo. Só que também não deu muito certo e depois de um tempo lá voltei para Fortaleza. Depois teve outra peneira só que para jogar no Juventus. Gostaram também e dessa vez eu fiquei por lá.

Mas e do Juventus para o Chiasso, como você recebeu a proposta?

Isso foi como a luz no fim do túnel. O Juventus estava quase para falir. Já tinha acabado com as divisões de base, com o infantil e com o juvenil. Ficaram só os juniores e o profissional. Eu estava nos juniores e falaram que muitos iriam ser negociados e que a maioria iria embora… Foi quando surgiu essa oportunidade. O Toni Duarte, um que trabalha lá no Sport, me ligou e falou que tinha essa possibilidade. Ele perguntou se eu gostaria de jogar lá e eu aceitei de primeira.

Como você encarou a proposta de sair do Brasil para jogar em um clube (Chiasso) da terceira divisão de um país com pouca tradição no futebol? Não teve medo de ser esquecido? O salário era irrecusável?

É, eu aceitei porque o Juventus já estava para falir e também pelo salário que me ajudou bastante. Eu cheguei e já queria voltar.

Você se decepcionou com o que encontrou lá?

Não, muito pelo contrário. Eu queria voltar porque como falei fui sem ninguém para me ajudar, tinha que me virar sozinho. Depois chegaram outros brasileiros. Teve uma época em que éramos sete brasileiros.

O que você projeta para sua carreira daqui em diante? Sonha em atuar um clube maior da Europa? Espera chegar à seleção?

O meu maior sonho é jogar pela seleção. O que eu quero para a minha carreira é cumprir o contrato que eu tenho aqui, que vai até 2012, e quem sabe conquistar o título alemão, que seria um sonho também.

Sonha em jogar por algum clube do Brasil? Qual?

Também tenho essa meta de um dia jogar no meu país. Eu gosto muito do São Paulo, sou sãopaulino.

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Equipe Trivela

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