Foé: A morte entrou em campo
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Final da Copa das Confederações de 2009. Antes da partida final, entre Brasil e Estados Unidos, um menino entrou em campo e fez um emocionado discurso, lembrando o seu pai, morto em uma partida de futebol, e agradecendo a todos os que ajudaram.
Semifinal da Copa das Confederações de 2003. Um jogador da seleção de Camarões cai em campo, desacordado. Apesar dos esforços, ele viria a falecer. O nome do jogador: Marc-Vivien Foé, o pai do tal menino, Marc Scott.
Fracasso na Copa, sucesso na Europa
Nascido em Yaoundé, capital camaronesa, Foé se destacou no início como jogador da base do Union Garoua, antes de ir para o Canon, um dos principais times do país, em 1991. Lá, conquistou a Copa de Camarões, em 1993, e as suas primeiras participações na seleção local.
O meio-campista vestiu a camisa dos Leões na Copa do Mundo de 1994, sendo um dos únicos que se safou da campanha fracassada da equipe nos Estados Unidos. O prêmio foi sua contratação por parte do Lens, da França.
No Sang et Or, foi um dos grandes destaques do time, onde foi campeão francês em 1997/98. No entanto, perdeu a chance de jogar a Copa a ser realizada naquele país, e uma possível ida ao Manchester United, devido a um problema na perna.
Entre a Inglaterra e a França
Em 1998, assim que conseguiu se recuperar, Foé se transferiu para o West Ham. Ficou pouco na equipe, indo dois anos depois para o Lyon, no qual defendeu a equipe no primeiro dos sete títulos consecutivos do OL na Ligue 1. Suas participações pelo clube seguiram lhe rendendo convocações, e inclusive, mais uma Copa do Mundo, em 2002.
Tão logo a Copa acabou, Foé foi trazido por empréstimo pelo Manchester City. O jogador foi bastante útil aos Citzens, com seus nove gols marcados pela equipe na Premier League. Inclusive, foi o autor do último gol do Maine Road, antigo estádio da equipe, contra o Sunderland.
A morte (ou 26 de junho de 2003)
Foé foi convocado para a Copa das Confederações de 2003, jogando contra Brasil e Turquia na primeira fase. Na semifinal, contra a Colômbia, mais uma vez o jogador esteve presente em campo, para aquela que seria sua última partida em campo.
Aos 27 do segundo tempo, Foé caiu sozinho no círculo central do Gerland, estádio que conhecia desde os tempos de futebol francês. Desacordado, o jogador sofreu várias tentativas de reanimação em campo, sendo levado depois de maca para fora, onde recebeu respiração boca-a-boca e massagem cardíaca. No entanto, morreria minutos depois de chegar ao hospital.
Camarões se classificou para a final, contra a França, e levou a partida até a prorrogação, para tentar dar o título ao companheiro morto. Mas o gol de Henry, na prorrogação, acabou com as esperanças dos Leões.
No começo, a morte de Foé não teve um motivo definido, na primeira autópsia feita, dando margem a especulações. No entanto, em uma segunda autópsia, foi descoberto que o jogador havia sofrido um problema cardíaco em campo, o que veio a matá-lo.
Homenagens
Ainda na Copa das Confederações, foram feitas homenagens a Foé. Henry, ao marcar seu gol na semifinal contra a Turquia, apontou o dedo ao céu, em homenagem ao camaronês. Na cerimônia de premiação, o meio-campista foi agraciado postumamente com a Bola de Bronze (o terceiro melhor jogador da competição), e os jogadores de Camarões levaram uma foto enorme do jogador, onde a medalha do vice-campeonato foi colocada.
Outras homenagens foram feitas. O Lyon chegou a aposentar seu número na equipe, o 17, mas isso durou até 2008, quando outro camaronês, Jean Makoun chegou e passou a usar a camisa, como forma de homenagem ao compatriota. O Manchester City também decidiu por aposentar a camisa que Foé usou no clube, a 23. Um memorial foi feito no City of Manchester, além de uma avenida ganhar o seu nome perto do estádio do Lens.
Em 2009, a mais recente homenagem, já citada acima, na qual o filho do meio-campista, Marc Scott, leu um discurso relembrando seu pai e agradecendo às pessoas que o ajudaram, em especial, jogadores de Camarões.