Férias pelo Leste: Split, mas pode chamar de Hajduk Split

Em nenhuma cidade na Europa ou mesmo no Brasil vi a presença tão marcante de um time como em Split. Não há uma quadra seguer onde ao menos uma pixação em referência ao time esteja por lá. Normalmente são escudos pintados nas paredes dos prédios ou das casas, ou então os torcedores com camisas, cachecóis ou agasalhos do time.

Split é uma cidade tranquila, com quase 200 mil habitantes, banhada pelo Mar Adriático e destino preferido de muitos turistas italianos. Toda a costa croata é belíssima, com paisagens bem diferentes das que encontramos no Brasil. As praias são geralmente pequenas e com a encosta das áridas montanhas terminando praticamente na água.

Aliás, de Sarajevo segui para Split de ônibus. São apenas 160 km de distância entre as cidades, mas percorridos durante impressionantes sete horas. Impressionantes pela demora (em virtude de diversas paradas e estradas íngremes), mas também pelos cenários de filme no caminho. Em território bósnio, as verdes montanhas com os rios correndo por entre elas são espetaculares. E já na Croácia, a imensidão do mar azul se responsabiliza pelo resto. Só não consegui ir mais ao sul, a Dubrovnik, tida como a mais bela cidade croata.

Em relação às atrações da cidade, Split é mais para descanso mesmo. O Palácio Diocleciano é muito belo, mas como foi tomado por lojas, bares e restaurantes perdeu um pouco do seu encanto. A orla, à noite, é um passeio imperdível. Não fui, afinal, sou um homem casado, mas sei que as baladas pegam por lá… ao menos experimentei a melhor cerveja da viagem em Split, a Karlovacko.

Voltando ao futebol, Split lhe proporciona uma imersão na história do Hajduk. A primeira parada deve ser feita no estádio Stari Plac, casa do time entre 1911 e 79. Pequeno, acanhado, quase escondido em um bairro residencial, hoje ele é palco dos jogos de rúgbi do RK Nada. De lá é possível seguir a pé para o Poljud, um pouco mais afastado do centro, mas com visão para o Mar Adriático. Moderno, com capacidade para 34 mil pessoas, costuma receber alguns jogos da seleção croata também. Pena que não há museu ou qualquer possibilidade de visitá-lo internamente. Fotos só do lado de fora.

Só fico imaginando como deve ser para um torcedor do Dinamo Zagreb morar em Split. Afinal, a rivalidade entre os clubes é gigantesca, e na cidade não há espaço para rivais – por mais que haja outro time por lá, com o nome do município, mas inexpressivo. Porque em Split ou você torce para o Hajduk Split ou você finge que torce para o Hajduk Split.

E uma última curiosidade: o maior grupo de torcedores do clube de chama Torcida. Sim, como em português, e a origem disso está no Brasil. Em 1950, um fã do Hajduk viajou ao Brasil e descobriu a palavra e seu significado. Quando retornou à Croácia, fundou a sua própria Torcida. Hoje, um bando de fanáticos pelo time.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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