Eritreia: a fuga dos Red Sea Boys

 

Por Rafael Duarte

Quando o assunto é futebol entre seleções nacionais, nada é mais importante do que a Copa do Mundo da Fifa. Os torneios continentais classificatórios para a próxima edição do torneio que será realizado no Brasil em 2014 já começam a ser disputados pelo mundo. Mas algumas “baixas” já estão certas para a próxima Copa, as seleções que sequer fizeram sua inscrição para participar das eliminatórias continentais para a competição, como é o caso da Eritreia.

O Estado da Eritreia é uma nação localizada no chifre da África, tendo o litoral de seu território banhado pelo mar vermelho. Por este fato, os jogadores de sua seleção são conhecidos como os Red Sea Boys, os garotos do mar vermelho. Uma grande curiosidade sobre este país é a fato de em seu território ter sido encontrado os restos mortais humanos mais antigos do mundo, o que nos leva a crer que esta foi uma das primeiras regiões habitadas.

A seleção nacional

Mas nem tudo é orgulho em sua história. Um dos países mais pobres do mundo, a renda per capita considerando seus mais de seis milhões de habitantes é de apenas US$ 600. Para termos uma ideia da pobreza da nação africana, basta pensar que a renda per capita do Brasil é de aproximadamente US$ 10.814. E é assim, no meio de tanta pobreza, que é possível explicar o porquê dos insucessos de sua seleção nacional.

Os Red Sea Boys fizeram seu primeiro jogo em 1992, em um amistoso contra a seleção do Sudão que terminou empatado em 1×1. Após a independência do país, a ENFF (Federação Nacional de Futebol na Eritreia, em inglês) foi reconhecida pela Fifa, em 1998, mas antes disso o selecionado eritreu já disputava alguns torneios, como a Copa CECAFA, torneio realizado entre as nações do leste africano.

Desde a sua filiação à Fifa, a Seleção da Eritreia disputou as eliminatórias para a Copa do Mundo do Japão e Coreia, em 2002, sendo eliminados no primeiro jogo para a Nigéria, e para a Copa da Alemanha, em 2006, eliminados também na primeira fase, desta vez para o Sudão.

Para as eliminatórias da Copa do Mundo de 2010, a primeira da história realizada no continente africano, a Eritreia foi sorteada para o grupo 11, juntamente com Togo, Zâmbia e Suazilândia, mas desistiu da competição antes mesmo do seu início.

O melhor resultado eritreu em competições foi nas eliminatórias para a Copa Africana de Nações de 2008, quando terminou em segundo lugar no grupo, atrás apenas de Angola.

Sem sombra de dúvidas o maior problema da seleção Eritreia de futebol e de seus clubes são as constantes fugas de jogadores da concentração durante as viagens para pedir asilo político em outros países.

Durante a realização da Copa CECAFA da Tanzânia, em 2007, nada menos do que 12 membros da equipe desapareceram em busca de asilo. No mesmo ano, a Angola recusou o pedido de outros seis fugitivos eritreus.

Mas engana-se quem pensa que apenas na seleção este problema é constante, já que recentemente 13 dos 26 jogadores do Red Sea, maior clube do país e maior vencedor do torneio nacional, com 7 conquistas, se refugiaram na Tanzânia após a disputa de um jogo, provando que, se no Brasil o futebol é a esperança de um futuro melhor pelos altos salários e possibilidade de transferência para grandes centros europeus, na Eritreia o futebol também é a esperança de um futuro melhor, mesmo que ele seja apenas como forma de fugir do seu próprio país.

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