Dynamo Dresden: Aqui as coisas são diferentes
Fundado em 1953, faz muito tempo que o Dynamo Dresden não figura entre os gigantes do futebol alemão. Isso mesmo: apesar de pouco conhecido, o Dresden já foi considerado uma potência.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha dividida passou a ter dois campeonatos nacionais. Entre 1950 e 1990, o Dynamo levantou o caneco da Alemanha Oriental em oito oportunidades.
No entanto, o presente em nada faz lembrar aqueles tempos de glórias e títulos. Disputando a segunda divisão do futebol alemão e forte candidato ao rebaixamento, o Dresden voltou a ser notícia. Porém, desta vez, o papel de protagonista não coube a um jogador e sim aos fanáticos torcedores da equipe.
Após duas derrotas consecutivas, o treinador Christophe Franke parecia fadado a seguir o rumo da maioria dos técnicos, principalmente no Brasil: a demissão. Entretanto, a coisa não funciona assim em todos os lugares. Sabendo da eventual demissão do treinador em caso de derrota, os torcedores do Dresden compareceram ao jogo seguinte com faixas de incentivo ao treinador. Resultado: mesmo após perder a partida disputada em casa, o presidente do clube, Volkmar Koster, que já havia dado o ultimato ao treinador, voltou atrás em sua decisão.
De uma hora para outra, com a maior cara-de-pau do mundo, o presidente reconsiderou os fatos e bradou: “Em Dresden as coisas são diferentes”. Com o apoio dos torcedores, Franke tem uma grande chance de mudar o rumo da história. No entanto, vale lembrar: cartolas são cartolas em qualquer lugar do mundo.
Política e futebol
O Dresden viveu suas principais glórias nos anos 70 e final da década de 80, período marcado pela influência da ex-URSS sobre os países do leste europeu. Com oito títulos nacionais, a equipe foi a segunda maior campeã da Alemanha Oriental, ficando atrás apenas do Dynamo Berlim. No entanto, em nível internacional, os times da RDA estavam num nível claramente abaixo das potências do continente, e o Dresden nunca teve participação expressiva na Copa dos Campeões.
Durante essa época, o Dynamo Dresden foi presidido por muitos anos por Erich Mielke, chefe da polícia secreta da Alemanha Oriental, a Stasi. Sob seu comando, o clube foi alvo de uma série de desmandos, que fizeram jogadores como Guido Weber e Mathias Muller buscarem asilo político após viagens para fora do país.
Em 1989, a reunificação da Alemanha coincidiu com a decadência não só do Dynamo Dresden, mas d as equipes da parte oriental do país em geral. A queda do muro expôs as mazelas causadas por anos de conflitos da Guerra Fria. O abismo econômico visível em diversos setores da sociedade era ainda maior no futebol. O reflexo foi imediato: com os clubes do leste sem dinheiro para igualar as propostas dos times do oeste, centenas de jogadores se transferiram logo após a queda do muro. Dentre eles, os maiores craques do Dresden: Sammer, Jeremies, Jancker e Zikler.
Desde então, o time nunca mais foi protagonista. Como vice-campeão da Alemanha Oriental, o Dynamo passou a disputar a Bundesliga. Após quatro temporadas sem maior brilho, acabou rebaixado para a segunda divisão e de lá nunca mais saiu.