Duncan Edwards: morto antes do auge

 Na semana passada, a Inglaterra parou. Na mesma semana que o Manchester United perdeu para o Manchester City em Old Trafford pela segunda vez na temporada (há 40 anos isso não acontecia), o futebol do país homenageou os jogadores do United que morreram num acidente aéreo em Munique.

Oito jogadores perderam a vida no acidente, alijando o então bicampeão United de buscar o tri. Entre os mortos, um deles era especial, cotado para ser o melhor jogador inglês até então. Duncan Edwards, um meio-campista de 21 anos, já tinha 18 jogos pela seleção, 175 jogos pelo Manchester United e a adoração da torcida. Edwards voltava de Munique após um jogo contra o Estrela Vermelha, na Iugoslávia, pela Liga dos Campeões. O Manchester perdeu meio time, a Inglaterra, perdeu vários titulares da seleção e a sua maior esperança de vir a ter o melhor jogador de todos os tempos.

O menino de Dudley

Nascido em Dudley, uma cidade na região de Wolverhampton, poucos anos antes do início da II Guerra Mundial. Chamando a atenção desde cedo, jogou pela seleção bem cedo, em 1950, quando ainda tinha 14 anos. Foi quando o ex-jogador e então técnico das divisões de base da Inglaterra, Joe Mercer, percebeu a qualidade do garoto e comentou com Matt Busby sobre o achado. “Acho que conheci um menino que vai dar um bom jogador”, afirmou Mercer. Busby, já técnico do United há cinco anos, não titubeou e levou Edwards para Old Trafford quando ele fez 16 anos, a idade mínima para contratar um jogador, batendo a concorrência do Wolverhampton e Bolton.

Edwards estreou em 1953 como o mais jovem atleta a atuar pela Football League, com 16 anos e meio, contra o Cardiff. Ao seu redor estava um time extremamente jovem, os ‘Busby Babes’, que fariam fama na década. Dois anos depois, contra a Escócia, Duncan estrearia pela Inglaterra aos 18 anos, estabelecendo um recorde que duraria até 1998, quando Michael Owen estreou com a camisa do ‘English Team’.

Com uma habilidade impressionante, Edwards não deixava de ter o ritmo de jogo necessário para atuar no físico futebol inglês. Era capaz de jogar em qualquer posição, mas notabilizou-se como ‘wing half’, o jogador que atuava pelos flancos na linha de três do esquema 2-3-5 vigente na época. Tinha o chute forte e preciso com ambos os pés, era perfeito no ar, desarmava e passava de modo excelente. Ou pelo menos é como é lembrado.

O ídolo se vai

Já bicampeão inglês e apontado como fenômeno e líder dos ‘Busby Babes’, sua carreira foi tragicamente encerrada pelo acidente aéreo de Munique, em 6 de fevereiro de 1958, que matou sete jogadores imediatamente. Duncan resistiu por 15 dias no hospital, surpreendendo os médicos pela força com que lutava para se recuperar. Dois dias depois do acidente, na UTI do hospital em Munique, murmurou para o assistente técnico Jimmy Murphy: “Que horas começa o jogo contra o Wolves, Jimmy? Preciso estar pronto”. Em 21 de fevereiro, faleceu, causando grande comoção nacional.

Claro que muito do mito se criou pelo fato de Edwards morrer antes de chegar ao seu ápice, mas os que o viram jogar falam mesmo que se tratava de um fenômeno. Colegas como Bobby Charlton ou jogadores mais jovens como Tommy Docherty falam de Edwards como uma entidade mítica. Infelizmente Edwards não jogou contra a Hungria em 1953. Se tivesse jogado, talvez tivesse deixado mais mostras de como era bom.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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