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Dnipro o quê?

Muita gente ficou surpresa com a notícia: Giuliano vai jogar no Dnipro Dnipropetrovsk. A maioria não faz ideia de que clube seja esse, enquanto os demais criticam a decisão de se transferir para a Ucrânia. Sobre o primeiro ponto, falo nos parágrafos abaixo. Em relação à segunda questão, trata-se de um debate velho no blog. Cliquem aqui para ler o que escrevi na época da transferência de Cleiton Xavier para o Metalist Kharkiv (infelizmente perdemos os comentários na migração para o UOL).

O Dnipro é o terceiro time ucraniano – nunca venceu o nacional desde a independência do país, mas tem dois títulos soviéticos no currículo. Está atrás de Shakhtar Donetsk e Dynamo Kiev, mas historicamente é um dos grandes do país. Foi, recentemente, ultrapassado pelo Metalist, que passou a investir demais. Porém, com novos proprietários, a equipe de Dnipropetrovsk busca recuperar o terreno perdido.

O presidente do clube é Ihor Valeriyovych Kolomoyskiy, listado pela Forbes como o 799º homem mais rico do mundo (US$ 3,8 bilhões em 2010). Ele é um dos maiores acionistas do Privat Group, um conglomerado de empresas na Ucrânia que vai desde o setor de gás e extração de petróleo, passando por bancos, até o ramo alimentício e de comunicação.

Com seu dinheiro o clube contratou o técnico espanhol Juande Ramos, de passagem marcante pelo Sevilla e decepcionantes nos demais times. Construiu um estádio novo, mas não conquistou o direito de ser uma das sedes da Eurocopa de 2012.

Giuliano foi o primeiro grande nome para 2011, e espera-se que mais um ou outro jogador de impacto chegue. Mas não serão contratações que mudarão o status do time. Da seleção ucraniana tem alguns jogadores aidna convocados e outros que não são mais lembrados, mas longe de serem os destaques – casos de Ruslan Rotan, Oleksandr Hladkiy e Andriy Rusol, por exemplo. No Campeonato Ucraniano, paralisado devido ao inverno, ocupa a quarta colocação, com 35 pontos, 17 a menos que o líder Shakhtar.

Com isso, o principal jogador da última Libertadores troca o Internacional por um clube extremamente tradicional na Ucrânia, mas que não chegará perto da Liga dos Campeões. Para alcançar o patamar de Shakhtar e Dynamo, postulantes às duas principais vagas europeias hoje em dia, muita coisa precisará mudar ainda. A atual campanha do Shakhtar na LC e o Dynamo avançando na LE podem resultar em uma melhora no coeficiente dos ucranianos na Uefa, mas atualmente o país possui apenas uma vaga para a Liga dos Campeões.

Dito isso, e com a análise escrita no outro post (linkado no primeiro parágrafo), afirmo que a transferência de Giuliano será benéfica para ele se este se entregar realmente. Não ficar pensando em voltar ao Brasil diante do primeiro problema que surgir. O Inter preferiu se desfazer do jogador ao ver € 10 milhões entrando em sua conta, o que não é pouco (pelo contrário). É uma decisão do clube que não cabe questionar. Conseguiria mais daqui seis meses, por exemplo? Impossível cravar isso. O Inter acreditou ser um bom negócio, e eu também acho que foi. Percebeu a chance de equilibrar as contas no ano (sempre admite que precisa vender um jogador por temporada).

Giuliano certamente teria mercado nos campeonatos de Espanha e Itália. É muito bom jogador, habilidoso, com grande visão de jogo e mostrou-se decisivo na competição mais importantes do continente. Caberia a ele optar por esperar mais um tempo antes de ser negociado. Também viu a montanha de dinheiro e quis fazer seu “pé de meia” logo. Como já disse, agora terá que se entregar para não se arrepender depois.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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