Djukic: o anti-herói de La Coruña

Muitos jogadores ficam lembrados por lances que dão vitórias e títulos para seus clubes. Outros já ficam lembrados por verdadeiras “obras de arte”, que não deram títulos ou foram cruciais para momentos ruins de sua equipe.

Miroslav Djukic poderia ter entrado na primeira categoria, mas acabou sendo um candidato a entrar na segunda. Tudo porque o agora técnico da seleção da Sérvia, em um lance, decidiu a vida do Deportivo La Coruña no Campeonato Espanhol da temporada 1993/4.

Antes de tudo, o começo

Nascido em Sabac, na atual Sérvia, Djukic começou no Macva, clube da cidade, se profissionalizando em 1986. Logo começou a fazer fama na pequena equipe, se destacando como um bom líbero, e atraiu os olhares de Partizan e Estrela Vermelha, os dois principais clubes da capital iugoslava. Porém, para a temporada 1989/90, ele preferiu outro rumo.

O rumo de Djukic foi o modesto Rad, que havia feito um brilhante campeonato na temporada anterior. Sua estada no clube durou apenas um ano, pois já na temporada seguinte, o zagueiro se transferiu para o La Coruña, então apenas uma equipe de segunda divisão do futebol espanhol.

Se não fosse aquele pênalti…

Na Galícia, Djukic se tornaria um dos destaques da equipe que se tornaria uma das potências de La Liga na década passada. Na temporada seguinte à sua chegada, o Depor subiu para a elite, e logo o então iugoslavo passaria a dividir o foco nos anos seguintes com Donato, Bebeto e cia. Para melhorar, começou a ganhar suas primeiras chances na seleção.

O (que deveria ser) o ápice dele foi a temporada 1993/94, em que os blanquiazules galegos disputaram pau-a-pau o título espanhol com o super Barcelona de Cruyff. Tudo iria bem se algo não tivesse acontecido naquele 14 de maio de 1994.

Nos acréscimos do jogo final daquela temporada contra o Valencia, o jogo se encaminhava para 0 a 0 (dando a taça para o Barça), quando Nando sofreu pênalti. Bebeto seria o batedor oficial, mas por cobranças desperdiçadas durante a temporada, desistiu. Donato, o segundo na linha sucessória, já havia sido substituído. Portanto, lá foi Djukic para a cobrança…e Gonzalez defendeu, tirando a chance de título do Depor.

Com a alma em paz

O pênalti perdido não alterou muito a rotina de Djukic no La Coruña, continuando no clube até 1997. Então, se transferiu para o Valencia, outro clube que se tornaria uma força ibérica nos anos seguintes. Em seu novo clube, Djukic continuou se destacando em sua posição, garantindo uma vaga no grupo da Iugoslávia que foi à Copa de 1998.
Só que aquele pênalti perdido em 1994 ainda insistia em ser lembrado. Tanto que, quando o La Coruña finalmente foi campeão, em 2000, ele soltou um merecido desabafo: “Deus existe. Eles merecem essa conquista e eu terei agora paz em minha alma”.

O próprio Djukic também teria motivos para comemorar. Em 2002, ele estava lá quando os ches levantaram a taça da Liga. Além disso, participou de duas finais da Liga dos Campeões com seu clube, conquistando dois vice-campeonatos.

O fim de sua trajetória foi no Tenerife, para onde se transferiu em 2003. Ficou apenas uma temporada no time das Ilhas Canárias, encerrando sua carreira no ano seguinte.

Para levar a Sérvia ao ouro

Depois de encerrar a carreira, Djukic trabalhou como comentarista em Valencia, mas logo depois resolver trilhar um caminho comum ao de quase todos os ex-jogadores: virar treinador. Em 2006, assumiu a seleção sub-21 da Sérvia, tornando-se vice-campeão europeu da categoria.

Em 2007, aceitou treinar o Partizan Belgrado, um dos principais times do país. O trabalho agradou tanto que foi premiado como Treinador do Ano no país, e de quebra, assumiu o cargo de treinador das seleções principal e olímpica.

Agora, Djukic terá como missão levar sua seleção rumo a medalhas na China, além de tentar colocar o país em sua primeira Copa do Mundo como “Sérvia”. É esperar para que certos acontecimentos de 1994 não ocorram durante este caminho.

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