Dimba: A Dimbalada voltou!

Muita gente passaria reto ao cruzar numa esquina com Editácio Vieira de Andrade. Aliás, seria estranhíssimo que alguém, ao ler este início de coluna, soubesse apenas pelo nome quem é esse tal Editácio. Quem parece padecer desse mesmo mal são os zagueiros dos 23 clubes que disputam o campeonato brasileiro de 2003 ao lado do Goiás, time onde atua Editácio, ou Dimba. Afinal, em 24 jogos Dimba já marcou 19 gols, quase 1 por partida, sendo até o momento o artilheiro isolado da competição. Isso sem contar que seu time, o Goiás, até a última rodada, era o lanterna na tabela de classificação, e que o restante do time inteiro, entre titulares e reservas, marcou 18 gols nos mesmos 24 jogos.

O apelido, nem mesmo o próprio Dimba sabe de onde surgiu. Sabe que desde pequeno é chamado assim, e assim ficou até hoje. Como jogador, nunca foi considerado um craque, mas a verdade é que não se pode negar que Dimba é um típico matador: faz gol de pênalti, faz gol de fora da área, de esquerda, de direita, de cabeça e até mesmo de falta. Na lista de artilheiros do Brasileirão, concorrem com ele nomes como Luís Fabiano e Aristizábal, que atuam respectivamente no terceiro colocado e no líder da competição. Nada mais natural do que o líder e o terceiro colocado contarem em seus elencos com dois dos artilheiros do campeonato. O estranho no ninho é mesmo Dimba, que teima em fazer gols a cada jogo e se distanciar cada vez mais na artilharia, apesar da péssima campanha de seu time.

Na teoria, quem é considerado melhor jogador? O que faz 19 gols jogando num time tecnicamente fraco ou o que faz 16 atuando com um elenco de craques a sua volta? Aparentemente, fazer gols jogando em times fracos não é bom para a imagem de Dimba. Afinal, aos 29 anos, o jogador nunca foi sequer cogitado para uma chance na seleção brasileira, nunca teve passagens por grandes times. Mas Dimba continua fazendo seus golzinhos e não parece se importar muito com os críticos. Seus únicos sonhos no momento são mesmo se tornar artilheiro da competição e tirar sua equipe das ultimas colocações da tabela. O problema é que Dimba já passou por uma situação extremamente parecida no Brasileiro passado. E, mesmo com seus gols, não conseguiu nem a artilharia nem a fuga do rebaixamento.

Rebolada x Dimbalada

Dimba começou tarde no futebol. Ele apareceu no Sobradinho, de Brasília. Foi para o Botafogo do Rio em 96, jogou uma época no Bahia e depois voltou para o Botafogo. E foi em 97, jogando pelo Botafogo, Dimba teve um dos momentos mais marcantes de sua carreira. Nas finais do campeonato carioca, realizadas em duas partidas contra o Vasco da Gama, Dimba jogou mal e foi vaiado pela torcida até os 33 minutos do segundo tempo da segunda partida, quando marcou o único e decisivo gol que garantiu o título para o alvinegro. Apesar de ter recebido menos destaque por parte da imprensa do que a rebolada de Edmundo, craque do Vasco, no primeiro jogo da final, Dimba conseguiu seu primeiro grande momento de fama. Em alusão à Timbalada, ritmo baiano da moda, a torcida botafoguense instituiu no Rio de Janeiro a Dimbalada, e assim Dimba pôde aproveitar o repentino sucesso, a instantânea transformação de perna-de-pau para ídolo de uma torcida.

Mas assim como veio rápido, o sucesso logo deu lugar novamente ao esquecimento, e de ídolo Dimba caiu para a reserva, e da reserva para a dispensa. A partir daí, Dimba virou mais um cigano do futebol, rodando por clubes de todo o país e até do exterior e parecia mais um caso desses jogadores que surgem como promessa mas logo desaparecem sem deixar rastro.

Até que no campeonato brasileiro de 2002 aparece na escalação do time do Gama, de Brasília, um tal Dimba no ataque. Seria o mesmo jogador? Depois de tanto tempo sumido, era difícil alguém acreditar que o mesmo Dimba de cinco anos atrás poderia estar de volta e, o que era ainda mais improvável, poderia ter a melhor fase de sua carreira pela frente. O problema é que o futebol é um esporte imprevisível.

Artilheiro dos rebaixados

A passagem pelo Gama em 2002 serviu para trazer de volta a confiança e resgatar o prestígio perdido nos anos em que passou distante das manchetes e dos noticiários esportivos. A volta ao Centro-Oeste, onde tudo começou, parece ter dado novo fôlego à irregular carreira do jogador. Dimba marcou 17 gols na temporada de 2002, ficando na vice-artilharia, atrás do mesmo Luís Fabiano com quem inverteu posições este ano. O Gama? Bom, o Gama acabou em último lugar, foi rebaixado para a Segundona.

Mas, apesar disso, a semelhança com a temporada atual pelo time do Goiás é mera coincidência. Tudo que Dimba não quer é ficar estigmatizado como o ´artilheiro dos rebaixados´. No momento, seus gols conseguiram tirar o Goiás da lanterna na 23ª rodada. Resta saber se a história irá se repetir, ou se desta vez Dimba conseguirá realizar seus dois objetivos: a artilharia e a permanência na primeira divisão.

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