Dasaev: vermelho não só no sangue

Dia 25 de junho de 1988, poucos se lembram desta data, mas foi nesse dia que a seleção holandesa comandada novamente por Rinus Michels, o lendário treinador da laranja mecânica de 1974, e que tinha em campo Marco Van Basten, Ruud Gullit, Frank Rijkaard e Ronald Koeman venceu por 2 a 0 o time vermelho da então União Soviética.

O resultado poderia ter sido outro, já que holandeses e soviéticos se encontraram na primeira fase, com uma vitória magra para a equipe de Lobanovsky. Mesmo assim, os soviéticos tinham um grande motivo de orgulho, Dasaev.

Nascido em 13 de junho de 1957, em Astrakhan, às margens do Rio Volga e ao lado do Cazaquistão, Rinat Dasaev (ou Dasayev), deu seus primeiros passos e saltos no futebol. Mesmo com a sombra do mítico Lev Yashin, Dasaev foi galgando seu espaço e se transferiu, aos 21 anos, do Volgar, time da sua cidade natal, para o poderoso Spartak Moscou.

No time da capital, Dasaev fez história atuando em 335 partidas entre 1979 a 1988. Logo no seu primeiro ano, o arqueiro tártaro foi campeão da Liga Soviética pelo Spartak em um campeonato muito disputado; os red and whites ficaram apenas dois pontos à frente do segundo colocado, o Shaktar Donetsk.

Naquele ano, Dasaev passou a integrar a seleção soviética, lugar que permaneceu até 1990. Foram 91 partidas disputadas com o famoso uniforme da foice e martelo. Dasaev é até hoje o recordista em número de jogos pela União Soviética.

Um dos melhores

Dasaev foi considerado um dos melhores goleiros de sua época e um dos melhores de todos os tempos. Herdeiro natural de Yashin, Dasaev foi medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de 1980, em Moscou e disputou três Copas do Mundo. Em 1982, assombrou os comandados de Telê Santana ao vender muito caro a derrota por 2 a 1, com dois golaços brasileiros, Sócrates e Éder, ambos em tiros indefensáveis de fora da área. Mas a seleção comunista acabou eliminada na segunda fase ao empatar com a Polônia e perder a vaga para a semifinal no saldo de gols.

Na Copa seguinte, mais uma frustração. Com um bom time, que contava com o experiente Oleg Blokhin, com o artilheiro Belanov e com o bom zagueiro Kuznestov, os soviéticos caíram nas oitavas-de-final ao serem derrotados, de virada, pela Bélgica, por 4 a 3 . O destino, no entanto, parecia reservar coisa melhor para Dasaev.

Na Eurocopa de 1988, disputada na Alemanha, a União Soviética fez uma campanha impecável até a final. Foram cinco partidas, com três vitórias, um empate e apenas uma derrota, justamente no jogo derradeiro diante dos holandeses. Naquele campeonato, Dasaev provou o seu valor e mesmo não sendo coroado campeão foi considerado o melhor goleiro a competição e também o melhor goleiro do mundo naquele ano.

Logo após a campanha de 1988, e com a iminente queda da União Soviética, Dasaev se transferiu para o futebol espanhol para defender o Sevilla, onde encerrou sua carreira em 1991, aos 34 anos.
Rinat Dasaev teve também uma recente passagem pela comissão técnica da seleção russa, comandada pelo holandês Guus Hiddink. Na seleção, Dasaev exercia a função de preparador de goleiros.

Hoje, Dasaev é o embaixador da final da Liga dos Campeões da Europa, que será realizada em Moscou no próximo dia 21 de maio.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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