Dahlin: no passado sueco

Uma das estatísticas mais intrigantes envolvendo as Copas do Mundo é aquela segundo a qual pelo menos um dos quatro semifinalistas da última edição sequer se classifica para a próxima. Tem sido assim, de maneira ininterrupta, desde 86, e tudo indica que será assim em 2010, dado o tremendo esforço que Portugal de Carlos Queiroz tem feito para manter a tradição.

Onze anos atrás coube à Suécia manter o tabu. Quatro anos antes, os suecos, liderados por Thomas Brolin e Kennet Anderson, surpreenderam o mundo ao ficarem com o terceiro lugar na Copa dos EUA. Mas aquele time tinha mais que Brolin, Anderson e Larsson. Tinha Martin Nathaniel Dahlin.

Filho de um músico venezuelano de origem africana e de uma psicóloga sueca, Dahlin nasceu em 16 de abril de 68 e foi batizado em homenagem a Martin Luther King, assassinado doze dias antes em Memphis. Apesar de ter nascido em Uddevalla, foi em Lund que ele passou sua infância. Aos dez anos ficou maravilhado diante dos gols de Kempes na copa de 78 e decidiu seguir carreira profissional.

A carreira de Dahlin teve um início tardio (ao menos para os padrões atuais) e um fim prematuro (para qualquer padrão). Ele iniciou sua carreira no Malmo, clube que defendeu entre 1988 e 1991 e onde fez 39 gols em 79 jogos. Sem perder tempo, em seu primeiro ano como profissional o atacante foi convocado para a seleção sueca. Teve seu primeiro encontro com Romário nas olimpíadas de Seul. Quatro anos depois lá estaria Dahlin, disputando a semifinal da Euro-92.

Aos 23 anos o promissor atacante brigou com o Malmo e foi negociado com o Borussia Mönchengladbach, onde permaneceu por cinco temporadas, sendo vice-campeão da copa da Alemanha em 92 a faturando o mesmo troféu em 95, ao lado de Effenberg. Em 93, fora eleito o jogador sueco do ano. Em grande forma, recebeu convite do Everton para ganhar 50% a mais. Rejeitou, pois preferia jogar na Itália ou na Espanha.

1994 foi “o” ano da carreira do jogador. Tudo conspirou para o sucesso da seleção em solo americano: o time era forte, o ambiente era bom e o estilo de jogo encaixava contra o adversário mais difícil, vide o empate na primeira fase e derrota suada para o Brasil na semifinal. Inspirado, Dahlin foi às redes quatro vezes, contra Camarões, Rússia(2) e Arábia Saudita. Além disso, contribuiu com três assistências. De quebra, tamanha semelhança com o ex-jogador de futebol americano O.J. Simpson lhe rendeu o apelido de O.J.

As boas atuações pela seleção e pelo Borussia despertaram o interesse da Roma, para onde Dahlin rumou na temporada 96-97. Contrariando as expectativas, sua passagem pela bota foi relâmpago e decepcionante: três jogos, nenhum gol e passagem de volta para o Borussia. Interessado em disputar um campeonato de primeiro nível, Dahlin teve uma boa temporada na Alemanha e conseguiu uma transferência para o Blackburn Rovers.

Na Inglaterra o atacante manteve o bom futebol e anotou quatro gols em dezenove jogos disputados na temporada 97-98. A temporada seguinte foi decisiva, negativamente, em sua carreira. Uma contusão durante um treino fez com que ele disputasse apenas cinco jogos. Posteriormente, o Blackburn envolveu-se numa controvérsia com a seguradora em torno do reembolso pela contusão do atleta, em caso que teve idas e vindas e culminou em decisão contrária ao clube, que teve que arcar com a bagatela de 4 milhões de libras.

Sendo pouco aproveitado, transferiu-se para o Hamburgo em 1999, onde atuou por uma temporada até anunciar sua prematura aposentadoria, em decorrência da contusão sofrida nos tempos de Blackburn. Encerrou, desta forma, uma bem sucedida carreira, marcada por 123 gols em 267 jogos.

Após pendurar as chuteiras, Dahlin se tornou empresário de jogadores. Representa, entre outros, Markus Rosenberg (Werder Bremen), Ola Toivonen (PSV), Behrang Safari (Basel), Jonas Olsson (West Brom) e Matias Concha (Bochum). Além disso, é dono da marca de roupas, a “Dahlin”.

Recentemente Dahlin declarou-se um grand fã de Ibrahimovic. No entanto, evitou classificar o craque como o melhor sueco de todos os tempos. Ele diz não gostar de comparar jogadores de gerações diferentes e lembrou de Gunnar Nordahl, artilheiro da Série A por cinco temporadas seguidas nos anos 50. Comparações à parte, o certo é que Dahlin escreveu seu nome na história das Copas.

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Equipe Trivela

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