Dadá Maravilha: entre gols e frases de efeito

No dia 13 de abril, Dario José dos Santos caminhava pelo estádio do Maracanã quando parou para abraçar uma estátua. Queria “reatar relações” com João Saldanha, seu suposto desafeto desde as eliminatórias para a Copa de 70. É por estas e outras que Dadá Maravilha entrou para o folclore do futebol brasileiro. A ponto de fazer com que muitos se esqueçam que por trás do folclore está o terceiro maior goleador do futebol brasileiro.

Dario é carioca e nasceu em 4 de março de 1946. Sua infância e juventude foram traumáticas. Aos cinco anos, assistiu ao suicídio da mãe e foi internado pelo pai no Serviço de Assistência aos Menores (SAM), onde ficaria pelos próximos 14 anos. Ainda adolescente, tentou se matar.

Antes de se tornar goleador, foi detido por furto aos 19 anos. O que poderia ter significado a ruína foi na verdade sua salvação. Foi na Febem que Dario iniciou-se no futebol. No mesmo ano ele passou a integrar os juniores do Campo Grande, profissionalizando-se (tardiamente, para os padrões atuais), dois anos depois.

Os gols chamaram a atenção e, em 1968, Dadá desembarcava em Belo Horizonte para defender o Galo. No ano seguinte viria a polêmica: o presidente Médici, atleticano fervoroso, estaria pressionando o técnico João Saldanha a convocar e escalar Dadá Maravilha na seleção brasileira. Comenta-se que o treinador até apreciava o futebol decisivo do centroavante desengonçado, mas diante da pressão presidencial saiu-se com algo do gênero “eu não me meto na escalação do ministério, ele que não se meta na escalação da seleção”.

Não por causa do incidente, Saldanha caiu e Zagalo assumiu, convocando Dadá, artilheiro do campeonato mineiro, para o Mundial. Mais uma confirmação da estrela do jogador, que no ano seguinte igualaria-se ao helicóptero e ao beija-flor, parando no ar para fulminar o Botafogo no Maracanã e levar o título do primeiro Campeonato Brasileiro para as Alterosas.

Dadá completou sua quinta temporada pelo Galo em 1972 e decidiu cair na estrada. Nos 14 anos seguintes, defenderia 14 equipes diferentes. Fora de Minas, brilhou com a camisa do Colorado ao fazer o gol do bicampeonato brasileiro sobre o Corinthians, justificando sua contratação a peso de ouro para os valores da época.

Nas horas vagas, Dadá era frasista inveterado, sendo atribuídas a ele perólas como: “Não existe gol feio. Feio é não fazer gol” ou, “nunca aprendi a jogar futebol, pois perdi muito tempo fazendo gols”. Tem outras como: “Num time de futebol existem nove posições e duas profissões: o goleiro e o centroavante”. “Quando eu saltava o zagueiro conseguia ver o número da minha chuteira”. “Dentro da área não houve, não há e não haverá igual Dadá: ele tem o olhar balístico da águia, a velocidade do Falcão e a impiedade do abutre”.

Filosofia à parte, Dario deixou seu nome marcado na história do futebol brasileiro. Na carreira longeva foram quatro artilharias do Campeonato Mineiro, três do Brasileiro, 10 gols numa única partida e a bagatela de 926 na carreira, sendo 499 de cabeça.
Dadá pendurou as chuteiras aos 40 anos e arriscou-se brevemente como técnico, treinando a Ponte Preta e o Brasília, além do título Amapaense pelo Ypiranga. Abandonada a prancheta, e como era de se imaginar, tem sido muito disputado como comentarista esportivo na tv mineira.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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