Da série: Os dogmas do futebol
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Edmundo está velho, está afundando o Vasco. Robinho não joga nada, é um novo Denílson. Essas coisas nós ouvimos a toda hora quando o assunto não exige qualquer reflexão ou apuração. Vou começar pelo que me motivou a escrever. Tem gente que não vê o Edmundo jogando desde o Campeonato Carioca ou assistiu a um jogo em que Edmundo foi mal neste Brasileiro e repete, insistentemente: “já era, acabou. É um peso para o Vasco”. Eu não sou cego, defensor implacável do Animal (apesar de fã incondicional, por mais paradoxal que isso lhe pareça), mas todos os últimos jogos do meu time ao qual ele participou não tenho a menor dúvida em dizer: ruim com ele, pior, muito pior, sem ele.
Passes precisos, visão de jogo, personalidade. É óbvio que o vigor físico não permite mais um domínio e proteção da bola para continuar uma jogada, ou uma jogada de linha de fundo (talvez uma das melhores características do Edmundo dos velhos tempos), mas com um drible curto e um passe rápido, muitas vezes ele consegue fazer a melhor jogada. Repito o que já venho dizendo há tempos: ele será muito importante para a dura tarefa de tirar o Vasco da Segundona. Ontem, ele foi bem mais uma vez, ainda conseguindo dar de presente um gol para seu parceiro Leandro Amaral que desperdiçou a jogada quando ainda estava 1 a 0 para o Palmeiras.
Outro dia li que Edmundo poderia ser “a cereja do bolo” de um time bem arrumado. Tudo bem, esse Vasco está aos cacos, mas ele continua imprescindível e, de certa forma, diferenciado. Escapar da Segunda Divisão não é título para ninguém, mas deve servir de motivação para Edmundo. Lembrança: Dunga fez de cabeça, pelo Inter, um gol que salvou o Colorado do rebaixamento há alguns anos. Pouco depois ele se aposentaria.
Robinho deu um show na vitória contra uma baba (estou pasmo de saber que há bobos até no decantado futebol inglês) lá da Premier League e já voltou a ser aclamado por todos. Quando começou no Santos (2002), poucos lembram, mas o Diego era tido como mais jogador, mais completo (assim como o volante Paulo Almeida era mais falado que o superior Renato, que chegou à Seleção), até porque era mais novo. Sempre achei Robinho melhor e hoje todos têm certeza disso, mas por inúmeras razões, inclusive por culpa do próprio, ele não conseguiu manter o bom futebol que chegou a jogar no Real Madrid. Assisti algumas partidas em que o ex-camisa 7 do Santos acabou com o jogo, mas também soube que não jogou nada outras tantas. A meu ver pesa sobre ele uma espécie de “síndrome de Denílson com Ronaldinho Gaúcho”. Ou seja, quando a gracinha, pedalada ou o que seja dá certo e ele faz gol ou dá bom passe, é gênio, rei etc e tal. Quando falha e o time perde, é firula, vai para o circo, essas definições bem originais e construtivas que as pessoas bolam.
O ex-santista já era meu favorito e de muita gente para ser titular na Seleção desde a última Copa, mas para a próxima é ele e mais um no ataque. Meu favorito é Nilmar, com Alexandre Pato, um “imortal” Ronaldo, Adriano, Luís Fabiano (os dois últimos uns dois degraus abaixo da turma) correndo por fora. O futebol sempre terá suas verdades incontestáveis, mas para mim certo é que Robinho é mesmo um jogadoraço. Possui estilo diferente do Cristiano Ronaldo ou do Messi, duas das maiores estrelas do futebol atual, mas ao revelar de vez sua ambição egoísta de ser o melhor do mundo para jogar na Inglaterra, mostrou ao menos personalidade. Até que os fatos provem o contrário, é bom negócio para o Brasil.