Coton Sport: o Lyon da África

2008 nem acabou é já está marcado como o melhor ano da história do Coton Sport Garoua, de Camarões. O clube conquistou o inédito hexacampeonato nacional e, pela primeira vez, foi à final da Liga dos Campeões da África (LCA), o mais badalado dos torneios daquele continente.
Tropeçou e perdeu o título. Viu desabar o sonho de bater de frente com o gigante europeu Manchester United, no Japão, na briga para ser o melhor do mundo.
No jogo de ida da final, apanhou do Al Ahly, do Egito, por 2×0 fora de casa. Na volta, se mandou para o ataque, deixando espaços para o adversário contra-atacar. O Coton Sport, que recém atingiu a maioridade, até fez dois gols, mas tomou outros dois.
Esse simpático clube tem só 22 anos de idade e disputa a Série A há 16, mas já fala e age como se fosse mais velho. Na curta vida, levantou 12 taças – nove do campeonato da primeira divisão e três da Copa de Camarões. Números que o colocam na 50ª posição do ranking da Federação de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS), à frente de La Coruña, Valência e do próprio Al Ahly, por exemplo.
Apesar do sucesso, o Coton Sport não é o mais vitorioso do país. Está atrás do Canon Yaoundé, fundado em 1929 e dez vezes campeão camaronês, onze da LCA, e dono da maior torcida. As seis conquistas consecutivas do campeonato, no entanto, renderem ao time de Garoua o apelido de Lyon africano.
O jejum continua
Ir ao Japão e ter chance de enfrentar o Manchester United ficou só no desejo. Os egípcios deitaram e rolaram em cima do Coton Sport. Fizeram quatro gols nos dois embates e destruíram a esperança dos camaroneses.
O Coton Sport seria o quarto do país a vencer a Liga, além de quebrar um tabu nacional que já dura 28 anos. Depois do Canon, em 1980, nenhum time de Camarões ganhou o troféu. A aposta e a esperança caminharam e correram juntos com um atacante do Níger. Daouda Kamilou, de 21 anos, marcou sete gols e foi um dos artilheiros da LCA. O torneio começou em fevereiro, reunindo 58 equipes de 44 países.
O sucesso do Al Ahly e o fracasso do Coton Sport talvez seja explicado pela força de cada um. Enquanto o primeiro é cinco vezes campeão da África, o segundo sequer havia passado das oitavas-de-final da Liga. A euforia era tanta que depois de desbancar o Dynamos, do Zimbábue, na semifinal, o site oficial exibia em destaque a frase: “Enfim, na final da Liga dos Campeões!”.
Um cresce…e o outro desaba
Mesmo com a diferença no número de conquistas, nos últimos anos o Coton Sport se agigantou, enquanto o principal rival, o Canon, encolheu tanto que seu último título é o campeonato camaronês de 2002. Não aparece no ranking da IFFHS e só chegou a uma final da LCA quando tinha 42 anos.
Quando isso aconteceu, o Coton Sport, que fez o mesmo com 22, estava longe de existir, mas o estádio onde hoje manda os jogos começava a ser construído e foi inaugurado em 1978. O Roumdé Adjia é municipal é comporta até 35 mil pessoas.
O aluguel do campo é pago pela Sodecoton, indústria de algodão de Garoua, norte de Camarões. A empresa é proprietária do time. Com dinheiro em caixa, mantém salários em dia e faz boas – e baratas – contratações. Se ainda não foi o suficiente para tornar o clube campeão internacional, serviu para enfileirar seis títulos na seqüência do campeonato local. Entre 2003 e 2008, só deu Coton Sport. O campeonato tem 16 times e segue o modelo de pontos corridos, em turno e returno. O hexa, inclusive, abriu espaço para comparações – nas devidas proporções, claro – com o Lyon, que desde 2002 manda no futebol francês.



