Cidade Azul, não! Atlético Tubarão!

Todo dia de rodada no atual Campeonato Catarinense virou um desafio para a imprensa de todo o estado. Chamar o Atlético Tubarão de Cidade Azul ou vice-versa? Enfim, a dúvida de como chamar o único clube da cidade de Tubarão – localizada no Sul do Estado de Santa Catarina – na elite do futebol catarinense, existe.

O promissor começo

Fundado em 14 de abril de 2005 como Associação Cultural, Recreativa e Esportiva Cidade – Cidade Azul é o nome fantasia junto à Federação Catarinense de Futebol –, o clube começou bem a sua história no cenário catarinense. Assim como São Caetano, Brasiliense, Paraná Clube e outros clubes que em pouco tempo de fundação já figuravam na elite, o Cidade Azul cresceu rapidamente. Logo em sua primeira competição, a Série B1 do Campeonato Catarinense 2005 – uma espécie de terceira divisão –, venceu bem o primeiro turno. Foram oito vitórias e apenas uma derrota em nove jogos.

Os 24 pontos deram uma vaga nas quartas-de-final contra a Camboriuense. Na final, bateu o Operários Mafrenses e o título veio junto com uma vaga na semifinal geral do campeonato. No segundo turno, o time não repetiu a boa campanha do primeiro e terminou na sexta colocação. Mesmo assim se classificou para as quartas-de-final.

O Cidade Azul parou na semifinal do returno. No entanto, isso não foi um problema, já que o time estava automaticamente classificado para a semifinal geral do campeonato contra o Figueirense B. O Figueira venceu os dois jogos e foi para a final. Mas como a Federação não permite o acesso de times reservas, ou os chamados “times B”, a vaga para a Série A2 caiu no colo do Cidade Azul.

Mais perto da elite

A Série A2 de 2006, que depois passou a ser chamada de Divisão Especial, reunia os clubes que não estavam no Campeonato Brasileiro da Série A (Figueirense) e B (Avaí) mais os dois primeiros colocados da Série B1 de 2005 (Cidade Azul e Próspera), totalizando 12 equipes. Nesta competição ou o time subia para a elite ou caía para a Segundona – a chamada Divisão de Acesso.

A pressão de encarar times de tradição como Criciúma e Joinville foi grande e o Cidade Azul não resistiu. Somou apenas nove pontos em 11 jogos e ficou no 11º lugar, o penúltimo da competição – o Cidade Azul caiu para a segunda divisão de 2007 apenas por ter sofrido mais gols que o Brusque.

O ano histórico

2007 chegou e as coisas mudaram no Peixe. Rotina para os times pequenos, devido ao calendário, o clube entrou em campo apenas no segundo semestre, em julho. A batalha na Divisão de Acesso começou no dia 8 de julho: vitória por 1 a 0 sobre o Ferroviário. O restante da 1ª fase foi razoável, o bastante para se classificar e vencer o primeiro turno, que dava direito a uma vaga na final do campeonato.

No segundo turno, a história se repetiu e o time de Tubarão levantou a taça. Mais. Ao vencer os dois turnos sagrou-se campeão da Divisão de Acesso 2007 e conquistou a tão sonhada vaga na elite do futebol catarinense em 2008.

O sonho e a polêmica

O tão esperado sonho de chegar à elite do Campeonato Catarinense se concretizou e o Cidade Azul pôde começar o primeiro semestre com o calendário definido. Em menos de três anos, o clube estreava no Catarinão. A primeira partida foi fora de casa, contra o Marcílio Dias, em Itajaí. A derrota por 1 a 0 era só o começo, já que muitos reforços ainda estavam se entrosando. Entre eles o meia Arílson, aquele mesmo que abandonou a seleção brasileira em pleno Pré-Olímpico de 1996, na Argentina.

Mas, antes do início do Campeonato Catarinense, a torcida decidiu protestar. Não aceitava mais o nome Cidade Azul. Torcedores se identificavam mais com o nome ligado à cidade. Com isso, a diretoria se mexeu e deu início ao processo para a mudança do nome do clube para Clube Atlético Tubarão, que nada tem a ver com o extinto Tubarão Futebol Clube, vice-campeão estadual em 1998 e 1999.

No entanto, para conseguir a certidão negativa junto à FCF e mudar o nome, o clube deve quitar débitos com INSS e Receita Federal. E o dinheiro? O diretor André Barcelos explica: “Foi feita uma rifa, onde inclusive arrecadamos mais do que o esperado, que era R$ 3 mil, e o pessoal deve quitar os débitos.” Mas para a Federação Catarinense, o clube ainda é Cidade Azul – mesmo assim, o clube já tem um novo distintivo e se auto denomina Clube Atlético Tubarão. Ainda segundo o dirigente, a mudança de nome já foi aprovada pelo conselho deliberativo e consta em ata, que está para ser registrada em cartório.

No último dia 10 de janeiro, uma nova diretoria tomou posse do clube. O novo presidente é Pedro Almeida, que presidiu o Tubarão Futebol Clube nos anos em que o clube foi vice-campeão catarinense. Bom sinal para Clube Atlético Tubarão, que tem como técnico Alexandre Pandóssio, ex-goleiro e ídolo do Criciúma na década de 1990.

O tão falado “Cidade Azul ou Atlético Tubarão”, como a imprensa denomina o time em dias de jogo, ainda vai durar muito. Atualmente, pelo menos até o começo do 2º turno do Campeonato Catarinense 2008, o Cidade Azul ou Atlético Tubarão – viu? – está na última colocação, com nenhuma vitória, e é sério candidato ao rebaixamento, que neste ano, pela primeira vez, terá três times.

Mas, se depender da torcida que tem o poder até para mudar o nome do clube, o Cidade Azul, quer dizer, o Atlético Tubarão vai permanecer na elite do futebol catarinense em 2009.

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Equipe Trivela

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