César Rodríguez: superado por um gênio

Por André Renato

A pauta dos principais jornais esportivos da Espanha na semana do dia 20 de março de 2012 era uma só: a possibilidade de Lionel Messi, aos 24 anos, tornar-se o maior artilheiro da história do centenário Barcelona em partidas oficiais – no geral, Paulino Alcântara é o máximo goleador, com 369 gols entre 1912 e 1927.

No entanto, para tratar do tema, era impossível não citar um outro nome: César Rodríguez, o então detentor do recorde com 232 gols, peça-chave em uma das formações ofensivas mais devastadoras dos culés e que também tem no Granada parte de sua história.

Futebol e a Guerra Civil Espanhola

César Rodríguez Álvarez nasceu em 29 de junho de 1920, na cidade de León, onde iniciou a carreira atuando pelo clube local Frente de Juventudes de León mesmo em meio à Guerra Civil Espanhola, entre 1936 e 1939.

No mesmo ano do término do conflito, o jovem leonês despertou o interesse do Barcelona, que o levou para a Catalunha. Em 1940, para cumprir o serviço militar obrigatório, foi mandado para a cidade de Granada, onde defendeu a equipe local por empréstimo durante dois anos.

E foi na pequena equipe andaluz que El Pelucas – apelido dado por conta de sua calvície acentuada – deu os primeiros sinais de que estava ali um jovem talento, sendo o principal responsável pelo primeiro acesso do Granada à primeira divisão. Na elite, ajudou o time a conquistar o 10º lugar, encerrando sua passagem com um total de 23 gols em 24 partidas.

De volta à Catalunha para brilhar

Respaldado pelo bom desempenho no Granada, César Rodríguez voltou ao Barcelona com a responsabilidade de provar seu valor, e assim o fez. Além da grande velocidade e habilidade com ambos os pés, destacava-se também como exímio cabeceador, tornando os gols a partir de cobranças de escanteio uma especialidade. Encerrou a temporada 1942/43 com 16 gols.

A primeira conquista foi o Campeonato Espanhol 1944/45, onde foi artilheiro da equipe com 15 gols, empatado com Josep Escolà, um de seus lendários parceiros. O feito foi repetido na temporada 1947/48, ganhando a Liga contribuindo com 20 gols.

Mesmo já consolidado como grande atacante no país, só foi artilheiro do Campeonato Espanhol uma vez, na temporada 1948/49, marcando 28 gols e ajudando na conquista do bicampeonato.

Quinteto fantástico

A década de 1950 é uma das mais vitoriosas da história do Barcelona, muito em função de uma das maiores formações ofensivas que o clube já viu. Com César Rodríguez e Estanislao Basora como principais jogadores, o ataque ganhou o reforço de Eduardo Manchón, Tomás “Moreno” Hernández e do húngaro Lászlo Kubala. Nascia o “Barça das cinco copas”.

Com tal formação, o Barcelona conquistou cinco taças na temporada 1951/52 – recorde superado apenas em 2009, com 6 títulos da equipe de Josep Guardiola. Com Rodríguez, o clube catalão conquistou ainda a Liga 52/53, seu último título pelo clube.

Pela seleção espanhola, disputou apenas 12 partidas e marcou 6 gols. Esteve no elenco da Fúria que disputou a Copa do Mundo de 1950, no Brasil, mas não entrou em campo.

Fim de carreira em casa

Aos 35 anos e consolidado como maior artilheiro do Barcelona, Rodríguez deixou o clube em 1955 para defender o Cultural Leonesa, recém-promovido à elite espanhola. Porém, com apenas 3 gols em 15 jogos, não conseguiu evitar que a equipe de sua cidade fosse rebaixada.

Passou ainda pelo francês Perpignan, antes de retornar à Espanha para defender o Elche por três temporadas, onde marcou 42 gols e ajudou a equipe a subir para a Primeira Divisão em 1958/59. No ano seguinte, encerrou a carreira aos 39 anos.

Rodríguez tentou a carreira como treinador, iniciando no próprio Elche. Em 1963 foi contratado pelo Barcelona, mas resistiu apenas uma temporada, passando por vários clubes espanhóis sem grande sucesso. Faleceu em 01 de março de 1995, com a certeza da missão cumprida.

Ficha:

Nome: César Rodríguez Álvarez
Data e local de nascimento: 29/06/1920, em León-ESP
Posição: Centroavante
Clubes como jogador: Granada (1940-1942), Barcelona (1942-1955), Cultural Leonesa (1955-1956), Perpignan (1956-1957) e Elche (1957-1960);
Clubes como treinador: Elche (1959-1960), Zaragoza (1960-1963), Barcelona (1963-1964), Mallorca (1965-1966), Celta (1966-1967), Bétis (1967), Zaragoza (1968-1969), Hércules (1969-1970) e San Andrés (1975-1976).
Títulos como jogador: Campeonato Espanhol (1944/45, 1947/48, 1948/49, 1951/52 e 1952/53), Copa do Rei (1950/51 e 1951/52)
Seleção espanhola: 12 jogos e 6 gols

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo