Cavalo paraguaio… ou goiano?

Foi há exatamente um ano, pela 30ª rodada da Série B de 2008, que o Vila Nova perdeu para o Bahia por 3 a 2 em Feira de Santana e, com a vitória do Barueri sobre a Ponte por 1 a 0, saiu do G-4 para não mais voltar. Naquele jogo, Túlio Maravilha marcaria seu 22º gol na competição, isolando-se ainda mais na artilharia. Entretanto, o veterano atacante fez apenas mais dois nos últimos nove jogos e assistiu ao seu time, um dos únicos três a vencer o Corinthians, a cair da vice-liderança para a sétima colocação nas dez rodadas finais.

A incrível queda de produção da equipe de Givanildo Oliveira rendeu ao Vila o apelido de “cavalo paraguaio” do ano, por ter somado duas vitórias, um empate e sete derrotas na reta decisiva da Série B, perdendo um acesso que parecia garantido. Curiosamente, situação semelhante parece começar a acontecer na mesma época, e não muito longe da Toca do Tigre.

Segundo time a ficar mais tempo no G-4 até aqui (atrás somente do Guarani, que esteve em todas as rodadas), o Atlético-GO só não é considerado uma surpresa desta Série B porque, apesar de ter subido no ano passado, vem recebendo investimentos pesados de empresários e parceiros, reformulou a estrutura e manteve a base que, já entrosada, saiu na frente enquanto os adversários buscavam o time ideal. Outro trunfo foi a volta de Mauro Fernandes, técnico campeão da Série C.

Contudo, o returno não começou nada bem para o Dragão. Especialmente fora de casa, onde o desempenho já não era tão bom: de três vitórias, um empate e cinco derrotas na primeira metade do campeonato, a equipe conseguiu apenas um ponto em cinco jogos longe do Serra Dourada, perdendo até para adversários mais fracos, como o ABC. O revés no Frasqueirão, aliás, motivou uma atitude surpreendente da diretoria, que decidiu demitir Fernandes e contratar Artur Neto, campeão estadual com o clube em 2007.

Na estreia, os 2 a 0 sobre o São Caetano diminuíram a tensão, mas novo tropeço longe de seus domínios – 2 a 1 para o Paraná, em Curitiba – acendeu de vez o alerta: com a vitória do Ceará sobre o ABC em Natal (onde o Atlético falhou), a equipe caiu para a quarta colocação, pior posição desde a 11ª rodada. Um dos principais problemas foi a queda drástica de produção de jogadores importantes como Robston e Marcão, responsáveis diretos pela ótima campanha de então.

No próximo final de semana, o Atlético pode sair do G-4 pela primeira vez desde a sexta rodada. Em um confronto direto pelo acesso, recebe a Portuguesa e, se perder, pode ser ultrapassado por um Figueirense em ascendência, que joga em casa diante do Juventude. Até o final do campeonato, serão quatro fora e cinco no Serra Dourada – dois deles, confrontos diretos em sequência, contra Guarani e Ceará.

Se mantiver até o final do campeonato o desempenho como mandante (o melhor dentre os vinte clubes, com onze vitórias e três empates), o Atlético estará em 2010 na Série A, repetindo o feito de América-RN, Vitória e Ipatinga, que nos últimos anos conquistaram dois acessos consecutivos. Entretanto, se deixar afetar-se pela queda de rendimento das últimas partidas e começar a perder pontos em seus domínios como tem feito longe deles, o Dragão pode acabar engasgado com a própria fumaça e transformar-se na versão 2009 do cavalo paraguaio – ou goiano.

Clube empresa

Ainda em Goiânia, o Vila Nova já pensa em 2010. Após uma temporada em que nem brigou pelo acesso nem contra o rebaixamento, a diretoria do Tigre pretende transformar o clube em empresa. A ideia é parecida com a que o próprio Atlético utiliza, ou ainda muitos clubes pequenos do interior do país: fechar uma espécie de parceria e reunir vinte sócios de peso que custeiem, mensalmente, as despesas do departamento de futebol.

A intenção é sair do vermelho e conseguir montar um time para finalmente voltar a vencer – o último Estadual foi em 2005. A contrapartida seria através do repasse do controle das ações e dos lucros de eventuais negociações de jogadores. De acordo com o presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Alberto Barros de Castro, nos últimos seis anos o Vila tem buscado um patrocínio forte, mas não obteve sucesso. “Já investi muito dinheiro aqui e o Sizenando (Eterno Ferro, presidente) também”, afirmou.

Outra forma de ajuda será a abertura para que empresas possam se tornar sócias do clube, investindo valores maiores. É uma idéia, mas que parece fadada ao fracasso dada à falta de profissionalismo com que as diretorias ainda comandam: estabelece-se uma meta muitas vezes além do possível e, quando ela não é cumprida, demitem o treinador, rescindem contratos e se endividam ainda mais com a vinda de jogadores para apagar o incêndio.

Sem contar que o retorno com o futebol em curto prazo é muito difícil, o que acaba afastando os investidores. De qualquer forma, a torcida do Tigre espera que dê certo, e que o time deixe de ser mero coadjuvante.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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