Canadá: muito a crescer

Maior país das Américas, além de uma das maiores economias; mas um futebol ainda inipiente e pouquíssimo tradicional.

É inegável a evolução do esporte no Canadá nas últimas décadas, mas ainda assim o futebol sofre com a intensa disputa do coração nacional com o hóquei no gelo, que ainda atrai o maior número de fanáticos espectadores.

Apesar dos imensos esforços do próprio país, que investiu em propaganda e realizou campanhas para promover a seleção de futebol nas Eliminatórias da Concacaf da Copa do Mundo de 2010, os Canucks não chegaram à fase final outra vez, ficando em quarto lugar no grupo, atrás de Honduras, México e Jamaica, e desperdiçaram mais uma rara chance de figurar entre os melhores do mundo. E sua ambição era essa mesma: para o Canadá, bastava chegar à Copa.

Para um país com tanta possibilidades de investimento, os números são muito decepcionantes: apenas uma participação no evento mundial, em 1986, em que caíram na fase inicial; quarto lugar em duas Olimpíadas, além de uma medalha de ouro, na edição de 1904, que é desconsiderada, por não ter sido um torneio oficial. E, para um país que já chegou ao 40º lugar no ranking da Fifa, figurar atualmente em 94º é uma grande frustração.

A falta de títulos do time nacional pode ser um agravante para a falta de interesse dos canadenses pelo futebol, mas esse sem dúvida é um quadro que tende a melhorar. O Canadá se torna pouco a pouco mais competitivo nos campeonatos regionais, e isso pode ser percebido na Copa Ouro. Até os anos 80, os Canucks nem se classificavam para as quartas-de-final. No entanto, levaram o título em 1985, e novamente em 2000, além de terem aparecido nas semifinais nas outras edições.

O Toronto FC é atualmente o único clube do país na Major League Soccer americana, mas já está agendada para 2011 a entrada de mais um, o Vancouver Whitecaps, aumentando a participação canadense em uma liga que, pouco a pouco, ganha prestígio.

O treinador da equipe Dale Mitchell, maior artilheiro da história da seleção, com 19 gols, empatado com John Catliff, assumiu em 2007 a dura tarefa de levar os Rouges a resultados mais significativos no cenário mundial, após comandar uma seleção sub-20, que amargou ínfimos resultados.

Onde as minorias se destacam

Uma tendência do Canadá, diferente da maioria dos países, é a presença feminina no futebol, tão forte quanto a masculina. De fato, ambas categorias começaram a despontar conjuntamente. Porém, pela pouca atenção dada às mulheres no futebol mundial, as canadenses tiveram muito mais facilidade de se destacar, e dividem a atenção nacional da mesma maneira que os homens. Estão atualmente em 9º lugar no ranking da Fifa, e já conquistaram quarto lugar na Copa do Mundo de 2003, e bronze nos Jogos Panamericanos de 2007.

Não só as mulheres têm destaque no país, mas os grupos juvenis também realizam bons trabalhos. No entanto, a falta de espaço no futebol profissional para os jovens talentos acaba sendo um desperdício para o esporte nacional.

Talentos internacionais

Como é comum nos países que têm pouca tradição no futebol, os bons jogadores não permanecem. As principais forças dos Canucks são experientes jogadores que atuam no exterior: Paul Stalteri, que passou pelo Werder Bremen, Tottenham, Fulham, e hoje está no Borussia Mönchengladbach, ao lado de Rob Friend, ou Tomasz Radzinski, que passou por Everton e Fulham, e hoje está no Lierse, da segunda divisão belga, além de Hutchinson, do Kobenhavn, Julián de Guzmán, Deportivo La Coruña, e Daniel Imhof, do Bochum.

Além disso, o elenco atual possui jogadores experientes, mas cuja idade possivelmente não os permitirá atuar para as próximas Eliminatórias pelo Canadá. Vários jogadores, como Stalteri e Radzinski, já estão na casa dos 30, e o goleiro Pat Onstad, que atua no Houston Dynamo, completou 41 em 2009. A equipe terá que ser profundamente reestruturada, para uma nova geração que pode, quem sabe, trazer uma nova luz ao Maple Leafs.

Com um poder ofensivo que deixa muito a desejar, o forte dos Canucks é a marcação, que costuma dar trabalho aos oponentes com a forte barreira defensiva. Porém, faltam grandes nomes de referência no ataque, bons artilheiros e goleadores, assim como o meio-de-campo também peca pela falta de bons armadores que auxiliem a crição de jogadas.

O que se pode ver, portanto, é que, sim, o futebol no Canadá já é muito mais valorizado hoje do que 30 anos atrás. Porém, os Maple Leafs terão muito chão pela frente se ambicionam alcançar os rivais locais, México e Estados Unidos – que também não são referência internacional. Mas ao menos, seria um começo.

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Equipe Trivela

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