Brondby: Campeão Real
Entre os muitos clichês do futebol, existe um que diz haver momentos em que a tradição fala mais alto. Pois só isso é capaz de explicar a vitória do Brondby sobre o Kobenhavn, na final da Royal League 2006/7, em 15 de março. Vivendo à sombra dos rivais de Copenhague nos anos recentes, o BIF causou surpresa ao vencer por 1 a 0, em pênalti convertido por Martin Ericsson.
Não foi só a penalidade da Royal League que projetou a equipe de maior tradição do futebol dinamarquês na mídia internacional. Em partida válida pela Superligaen, o meia Ericsson, inovou. Correu para a cobrança do pênalti e, em vez de chutar a gol, deu uma leve rolada na bola à frente. Duncan Rasmussen, que se posicionara na risca da grande área para eventualmente pegar o rebote, finalizou a gol, em lance similar ao que Johan Cruyff já havia feito.
A jogada inusitada rodou os programas esportivos brasileiros e em todo mundo, trazendo novamente à tona o belo uniforme do Brondby, apagado nos últimos anos. Jogado à sombra do Kobenhavn, o BIF sobrevive graças à tradição e ao dinheiro recebido pela venda de bons jogadores revelados nos últimos anos, característica essencial da equipe que projetou ninguém menos que Brian e Michael Laudrup.
New firm
Diante de todo esse cenário, fica possível rotular a final da Royal League como o confronto do time tradicional, no caso o Brondby, contra o emergente e recentemente bem sucedido FCK.
Nos últimos quatro anos, em apenas uma oportunidade o Brondby conseguiu quebrar a hegemonia doméstica dos rivais de Copenhague. Dessa equipe, todos os principais integrantes já foram negociados: Daniel Agger é zagueiro do Liverpool, Thomas Kahlenberg defende o Auxerre, e Jonas Kamper, o Arminia Bielefeld. Por fim, havia os atacantes Morten Skoubo, hoje na Real Sociedad, e Johan Elmander, destaque no Toulouse.
A acirrada rivalidade entre as duas equipes praticamente monopoliza as atenções no futebol dinamarquês. Com exceção do Aalborg, prejudicado pelos últimos resultados e por estar mais ao norte, Brondby e Kobenhavn são as únicas equipes que atraem grandes públicos e atingem projeção internacional. Em um paralelo ao ‘Old Firm’, clássico escocês entre Rangers e Celtic, os duelos foram batizados de ‘New Firm’, sobretudo pela pouca idade do FCK, com apenas 15 anos de atividades.
Combustível para a Dinamáquina
Bastante novo em comparação com os ‘grandes’ de outros países, o Brøndby nasceu em 1964 e domina o quadro local com 15 títulos nacionais, sendo cinco deles na Copa da Dinamarca. Produzir bons, ótimos e grandes jogadores tornou-se a principal tradição do clube, especialmente depois da Copa de 1986, quando a Dinamarca se tornou referência de jogo vistoso e ofensivo. Geograficamente, o clube está localizado no município de Brondby, cidade de aproximadamente 35 mil habitantes colada em Copenhague, capital da Dinamarca.
Apenas 10 anos após sua fundação, o Brondby atingiu a primeira divisão nacional. Nesse contexto de projeção, o nome de Per Bjerregaard aparece como fundamental. Ex-jogador e posteriormente presidente, ele trouxe Finn Laudrup para o comando da equipe. Finn mudou a concepção de jogo para uma abordagem mais ofensiva e que desse espaço para jovens talentos, como os filhos Brian e Michael, lançados ao mundo nos anos seguintes.
Ainda que revelados no Brondby, os fantásticos irmãos Laudrup não chegaram a ser personagens muito importantes na história do clube. Apenas Michael, já como treinador, conseguiu sucesso há poucos anos, ao vencer a Superligaen 2005/6 e outras duas Copas da Dinamarca.
Três nomes em especial, pode se dizer, compõem a galeria de ídolos recentes do clube. Peter Schmeichel, que jogou quatro anos no gol do Brondby, foi personagem decisivo na Copa da Uefa 1990/1, quando o clube foi até as semifinais e caiu diante da Roma. Ebbe Sand, durante sete anos, foi sinônimo de gol com a camisa do BIF, antes de brilhar no Schalke 04.
Por fim, Kim Vilfort foi um meia dominante do Brondby durante 12 anos. Com a camisa amarela, conquistou mais de dez títulos, além de ser um digno representante do BIF na épica Dinamáquina, campeã na Euro-92 com um gol do próprio Vilfort. O meia, aliás, dá o nome mais popular do Brondby Stadium, chamado por muitos de Vilfort Park.
No momento, a principal referência do elenco é o experiente zagueirão Per Nielsen. Sem grandes aparições com a camisa da seleção, Nielsen se impõe basicamente pela liderança acumulada por 14 anos de clube e a faixa de capitão. Parece pouco. Enquanto não surge uma outra grande geração, haverá sempre um pênalti aqui e um jogo importante acolá, momentos em que o Brondby dará mostras de sua incontestável tradição no cenário nacional.