Brasil olímpico gira em círculos

Carlos Arthur Nuzman gosta de se gabar das medalhas que o Brasil tem ganhado nos Jogos Olímpicos. Quer dizer, gostava, porque desde 2008 vem evitando usá-las como parâmetro para algo, pressionado que está pelo Ministério do Esporte, descontente com os resultados diante do aumento de investimentos. E faz todo o sentido.
O Brasil foi, por décadas, um país nanico no cenário olímpico. No máximo duas medalhas de ouro, no máximo 6 no total. Até que, em Atlanta-1996, veio a explosão. De uma tacada, o País bateu seu recorde de ouros (3), total (15) e medalhas feminina (qualquer uma. Até Atlanta, o País estava no zero). E, desde então, nunca mais voltou ao patamar anterior (em Sydney, não veio nenhum ouro, mas foram 12 medalhas no total e várias derrotas foram circunstanciais. Dá realmente para dizer que houve azar em alguns casos).
O problema é que o Brasil nunca mais passou de 15 medalhas. Até superou a marca de ouros (foram 5 em Atenas-2004), mas o total segue sempre entre 10 e 15. Mas é pior: apesar do aumento significativo nos recursos para o esporte de alto rendimento, o País anda em círculos. Nenhuma modalidade se tornou “medalhável” nesses 16 anos. O Brasil continua se sustentando no quadro de medalhas das mesmas 8 modalidades de sempre.
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1996 | 2000 | 2004 | 2008 |
| Atletismo | 1 | 1 | 1 | 1 |
| Basquete | 1 | 1 | ||
| Futebol | 1 | 1 | 2 | |
| Hipismo | 1 | 1 | 1 | |
| Judô | 2 | 2 | 2 | 3 |
| Natação | 3 | 1 | 2 | |
| Taekwondo | 1 | |||
| Vela | 3 | 2 | 2 | 2 |
| Vôlei* | 3 | 4 | 3 | 4 |
| TOTAL | 15 | 12 | 10 | 15 |
* Somando quadra e praia
Das 42 medalhas que o Brasil conquistou nos últimos quatro Jogos, 41 vieram das oito modalidades que haviam subido ao pódio em 1996. A exceção foi o bronze de Natália Falavigna no taekwondo em Pequim.
Claro que outros esportes cresceram. A esgrima cresceu. A ginástica bateu na trave algumas vezes. O boxe pode subir ao pódio em Londres. A canoagem já deu título mundial recentemente. O handebol (feminino) está forte como nunca. Mas cadê o ciclismo brasileiro? E o remo? O tiro? O levantamento de peso? O Brasil não consegue mais que uma medalha entre as dezenas distribuídas no atletismo? Ou algo além de Gustavo Borges e César Cielo na natação?
Houve evolução em finais olímpicas, em colocações entre 4º e 10º, e isso é bom. Mas é muito pouco girar sempre em torno das mesmas oito modalidades de sempre. Um país que quer se considerar força olímpica não tem apenas muitas medalhas. Tem também muita gente praticando esportes, muita gente buscando modalidades diferentes e diversificando seus pódios.
É um sinal muito mais claro de força ter 15 medalhas em 15 esportes diferentes do que ter 20 nas mesmas oito modalidades de sempre.



