Bologna: Sem padrinhos, Bologna pede passagem
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Nem Milan, nem Lazio nem Parma. Ao contrário das expectativas, os gigantes italianos se arrastam pelas tabelas depois de campanhas de contratações milionárias, que geraram nada além de esperanças. O rumo para a quarta vaga na Liga dos Campeões da próxima temporada está muito próximo de um time bastante modesto.
Se não for o Chievo, minúscula esquadra-sensação da cidade de Verona, quem deve ascender à Europa é o Bologna, equipe de uma cidade média (tem 400 mil habitantes) e que, apesar da história milenar, não tem tradição no cenário futebolístico do país.
Mesmo com a ausência do artilheiro veterano Giuseppe Signori (que passou grande parte da temporada machucado), o Bologna mostrou uma defesa solidíssima, construída com a permanência do técnico Francesco Guidolin por quase três anos. Nesta temporada, o Bologna conhece sua melhor qualificação no campeonato nos últimos 35 anos. Se chegar à Liga dos Campeões, Guidolin terá feito história em uma cidade que vive a história desde sempre.
Atmosfera de cultura e solidez
Fundada no século IX a.C, Bologna é uma das mais antigas cidades italianas, situada na região da Emilia Romagna, vizinha a Parma e Piacenza. Com seus 400 mil habitantes, o futebol passa em segundo plano num lugar que tem a universidade de medicina mais antiga da Europa: a Universidade da Cidade de Bologna, que além de formar médicos, também tem cursos de renome mundial como o de comunicação, onde leciona o escritor Umberto Eco – autor de “O Nome da Rosa”.
Como 99,9% das cidades italianas, Bologna é um monumento a céu aberto e respira cultura nos seus gestos mais simples. Desde um passeio na Piazza Maggiore até uma rota por uma de suas 12 portas, vestígios da época em que a cidade era murada, a cidade que deu nome ao molho de macarrão mais famoso do mundo é cativante, tanto pela riqueza de seu aspecto medieval quanto pelo ambiente não-alucinado que têm cidades maiores, como Roma e Milão. Uma curiosidade: a publicação semanal mais antiga da Europa sobre esporte, o Guerin Sportivo, é editado em Bologna.
Um dos mais antigos: desde 1909
O Bologna já foi um dos grandes times italianos (acumula sete 'scudettos' desde sua fundação) e tem uma história longa, não obstante as dificuldades enfrentadas nos últimos anos. O primeiro título viria em 1924, pelos pés de um jogador que faria fama no país: Angelo Schiavio, atacante desde sempre ligado ao nome do clube.
Na década de 30, a permanência do dirigente Renato Dall'Ara seria lembrada para a eternidade na cidade emiliana, tanto pelos seus próprios feitos quanto pelo nome que ele deu ao estádio municipal, onde o clube manda seus jogos ainda hoje. A época da guerra pausou as atividades do clube, como de tantos outros times, mas reservaria para as décadas seguintes alegrias e tristezas.
Glória e desgraça: doping nos anos 60
No pós-guerra, o Bologna começou a lutar pelo título na Itália, se colocando entre os maiores times do país. Giácomo Bulgarelli (hoje analista da Gazzetta Dello Sport) fez furor pelos campos. Mas na temporada em que o time estava para conquistar seu sétimo 'scudetto', odores de uma modernidade indesejada: cinco jogadores foram pegos com doping (entre eles o astro Pascutti), e o time perdeu três pontos na tabela.
A cidade se revoltou e interpretou a medida como um 'tapetão' dos gigantes Inter-Milan-Juventus e se uniu atrás do time. Mesmo com a penalização e a suspensão dos envolvidos, o Bologna terminou em primeiro, junto com a Internazionale, e uma partida extra decidiria o campeonato.
Poucos dias antes da final, o lendário Dall'Ara morreu, e a equipe se consternou para honrar a memória do dirigente. O Bologna jogou contra o time de Moratti e venceu por 2-0. “Ele viu e está feliz”, estampava um jornal da cidade, depois do título.
Ressureição: continuidade que dá resultado
As décadas de 70 e 80 foram uma lenta morte para o clube 'rossoblú', que foi se arrastando primeiro para a Série B e depois para a Série C! No ano de 1995, o Bologna iniciou sua reação de volta para a elite. Sob o comando de Renzo Ulivieri (que comandou o Parma no ano passado), o clube subiu duas vezes de divisão e não caiu mais.
Em 1997, a cidade acolheu um astro italiano dado como 'acabado' por muitos. Era Roberto Baggio, que tinha sido mandado embora do Milan por Fabio Capello. No clube bolonhês, Baggio fez chover e acabou o campeonato com 22 gols, e com o Bologna na Copa UEFA.
Nas últimas temporadas, o time não esteve bem, ameaçando até mesmo de ser rebaixado. Apesar da pressão da torcida, a diretoria manteve o técnico Francesco Guidolin, e o trabalho deu resultado. O time não tem um jogo vistoso, mas é duríssimo de ser batido. A Liga dos Campeões está ao alcance das mãos.