Birmingham: Tradição sem títulos
De vez em quando, uma vitória contra o maior rival é muito mais saborosa que um título internacional. Derrotar o time do vizinho ou do colega de trabalho pode provocar um prazer maior que a ponta da tabela de classificação. Essa é mais uma das razões que faz o futebol ser, talvez, o esporte que mais desperte paixões. Isso não é diferente em Birmingham, cidade com mais de 3 milhões de habitantes, no centro da Inglaterra. Atualmente, cada time da cidade está em uma divisão. Enquanto o Aston Villa passeia pela metade da tabela da Premier League, o Birmingham destaca-se na primeira colocação da Segundona, prestes a retornar à elite do futebol inglês.
Há pouco tempo, porém, os dois times estavam na mesma divisão. Na temporada 2001/2, por exemplo, o Birmingham ganhou os dois derbys contra o Aston Villa e ainda terminou o campeonato acima dos rivais na tabela. Nada melhor para um time pequeno do que triunfar sobre um inimigo historicamente mais poderoso.
A história
As origens do Birmingham encontram-se na igreja. Os Blues surgiram com o nome de Small Heath Alliance, em 1875, formado por um grupo de jogadores de críquete da Holy Church, tornando-se profissional dez anos depois. O clube mudou seu nome em 1905, adotando o nome atual. No ano seguinte, com o crescimento do clube, uma mudança de endereço foi necessária. Os Blues foram para o local atual: St. Andrew’s.
Antes disso, ainda como Small Heath Alliance, veio o primeiro título da segunda divisão, em 1892/3. Mesmo com a conquista, a equipe não subiu, pois perdeu o antigo jogo que decidia o acesso para o Newton Heath, time que deu origem ao Manchester United. Na temporada posterior, mesmo sem o título, eles subiram, batendo o Darwen.
Em toda sua história, o Birmingham viveu em uma gangorra interminável pelas divisões do futebol inglês. A maior tristeza foram as três temporadas na terceira divisão, de 1989 a 1992.
Na FA Cup, o Birmingham perdeu duas finais. A primeira derrota aconteceu em 1931: 2 a 1, para o West Bromwich Albion. A temporada 1955/6 foi bastante vitoriosa. Depois do título da segunda divisão, o time ficou chegou mais uma vez à final da FA Cup. Dessa vez, os Blues perderam por 3 a 1, para o Manchester City.
Em 1963, chegaram à sua terceira decisão de copas inglesas – só que, dessa vez, o jogo era válido pela Copa da Liga Inglesa. O jogo era contra o Aston Villa, maior inimigo do clube. As finais eram disputadas em duas partidas. Na primeira, em St. Andrew’s, a vitória histórica por 3 a 1. No Villa Park, um empate sem gols garantiu o título do Birmingham.
A equipe foi também a primeira da Inglaterra a participar da Inter-Cities Fairs Cup, torneio que depois virou a Copa Uefa. Por duas temporadas seguidas, o Birmingham chegou à final. Em 1960, mais de 40 mil pessoas presenciaram a derrota para o Barcelona, em St. Andrew’s. Em 1961, a final foi vencida pela Roma.
Craques do passado
Nos anos 70, o Birmingham fez campanhas médias, mas um jogador se destacou: Trevor Francis. Com sua habilidade e gols, foi convocado para seleção inglesa, em 1975. Até hoje, é considerado o maior jogador que passou por St. Andrew’s.
Se o assunto é artilharia, não podemos deixar de falar de Joe Bradford, o maior artilheiro da história do clube. Habilidoso e bom cabeceador, ele foi um fenômeno, marcando 267 jogos em 445 jogos, atuando entre 1920 e 1935.
O Birmingham também teve um jogador campeão do mundo: foi o argentino Alberto Tarantini, que ajudou seu país ganhar o Mundial, em 1978. Os Azuis tiveram também um técnico que ganhou a Copa: Alf Ramsey, técnico da seleção inglesa em 1966 e do Birmingham entre 1977 e 1978.
St Andrew’s
Durante a Primeira Guerra Mundial, Birmingham foi uma das cidades mais atacadas.A Luftwaffe atacou mais de 20 vezes a sede do clube, que perdeu grande parte de seu estádio devido ao bombardeio dos alemães. O telhado de parte do estádio caiu, e a sede ficou em um estado pesaroso. Tiveram, então, que jogar suas partidas no Villa Park.
De lá para cá, poucas foram as reformas em St. Andrew’s. A capacidade do estádio foi gradualmente reduzida, por causa do Relatório Taylor, chegando a 28.255 lugares, menos que a metade de seu recorde de público, batido em 1939, num jogo contra o Everton pela FA Cup, quando 66.844 pessoas lotaram St. Andrew’s.