Bilic: outra vez, o sonho croata

A segunda seleção de todo europeu. Poderia ser definido assim o atual status da Croácia. Depois de tirar a Inglaterra da Euro 2008, deixou se ser reconhecida apenas por seu uniforme quadriculado vermelho e branco e pelos seis gols marcador por Davor Suker na Copa de1998 – ele foi o artilheiro daquele torneio.

Os comandados de Slaven Bilic pisaram no gramado do Estádio de Wembley despercebidos na noite de 21 de novembro. Os 90 mil ingleses, acomodados confortavelmente nas modernas cadeiras, apostavam em placares elásticos do time de Steven Gerrard, Wayne Rooney e David Beckham.

Mesmo com o passaporte para Áustria e Suíça – onde acontece a Eurocopa 2008 – carimbado, Bilic deu a seguinte ordem para seus atletas: “Joguem”, resumiu. Nos dias que antecederam a partida, a torcida britânica desrespeitou os croatas, segundo ele. Era o que bastava para a motivação. A vitória faria com que a badalada seleção da casa assistisse pela televisão à chamada “Copa do Mundo sem Brasil e Argentina”.

Em 14 minutos de jogo, a Croácia aplicava 2×0. A Inglaterra tentou reagir, lutou, empatou, mas os visitantes, antes insultados, tiveram forças para marcar mais uma vez. Ouviram o silêncio de Wembley. Um gigante caía. Derrubado por um filho.

Por cinco anos, o croata Bilic viveu em Londres e Liverpool. Jogou por West Ham e Everton. Era zagueiro. A raça apresentada em ambos os clubes o levou para a Copa da França, de onde voltou com o terceiro lugar. Baseada na história dele, a Croácia quer ser grande.

O zagueiro de um milhão

A vida de Slaven Bilic é marcada por acontecimentos precoces. Aos nove anos, já batia bola nos campos do Hajduk Split, clube renomado dentro da Croácia. Com 33, treinava a seleção sub-21, e com 37 chegou à principal. A Confederação Croata decidiu, no ano passado, que o agora advogado Bilic é o homem ideal para levar troféus àquele país.

De eliminada na fase de grupos da Copa do Mundo 2006, quando obteve irrisórios dois pontos, a classificada para a Eurocopa. Bilic mudou a forma de o time jogar. Deu autonomia aos irmãos Niko (meio-campo, joga no Salzburg, da Áustria) e Robert Kovac (zagueiro, defende o Borussia Dortmund, também da Alemanha) e apostou no brasileiro Eduardo da Silva, hoje no Arsenal.

A tática deu resultados. A Croácia fechou o grupo E na liderança, com 29 pontos e uma única derrota em 12 partidas. Silva balançou as redes 10 vezes. O primeiro êxito fez o técnico dizer em entrevista à Uefa “que com um pouco de sorte, é possível derrubar qualquer equipe da Europa”.

Frases como essa ilustraram a carreira de Bilic. Por seis anos, atuou pelo Hajduk Split. Os títulos de campeão nacional e da Supercopa da Croácia, em 1992, o fizeram perceber que o leste europeu havia ficado pequeno. O alemão Karlsruher SC pagou 750 mil libras pela virilidade de Bilic e três anos mais tarde, em 1996, lucrou mais de um milhão de libras quando negociou o zagueiro com o futebol inglês.

No West Ham, ganhou notoriedade a ponto se ser convocado para a disputa na Euro 96. A campanha foi boa. A Alemanha (campeã) cruzou o caminho e deixou os croatas nas quartas-de-final. O destaque do time: Slaven Bilic.

A valorização conquistada no torneio não permitiu que os Hammers segurassem o elogiado defensor. Trocou de cidade e de clube. Em 1997, se apresentou ao Everton. Sempre patriota, aterrissou em Liverpool com um objetivo claro: disputar a Copa da França, em 1998.

Copa e rescisão de contrato

O objetivo foi alcançado. Não pelo futebol demonstrado no Everton, mas sim por todos os serviços prestados à seleção desde 1992. Ou então, porque não havia zagueiro melhor. A primeira temporada em Liverpool foi das piores. Na maior parte do tempo, sua função se limitava a assistir aos jogos do banco de reservas. Às vezes, nem relacionado era.

Na Copa, no ano seguinte, ele conseguiu recuperar a força que o havia levado para a Inglaterra. Com a camisa número seis, à frente do goleiro Ladic e ao lado do zagueiro Zvonimir Soldo, Bilic foi um dos mais esforçados croatas que empurraram, a seleção ao pódio. Uma campanha com direito a goleada por 3×0 na Alemanha nas quartas-de-final. Em sete jogos, apenas quatro gols sofridos.

Foram as últimas boas apresentações do zagueiro. Voltou à Grã-Bretanha com lesão na virilha, o que o tirou dos gramados por três meses. Resolveu tratar-se em casa, em Split. E isso o fez bem.

Recuperado, tentou jogar novamente, já não escondendo o esgotamento físico. Como resultado, novas lesões apareceram, e se tornaram companheiras de Bilic. Era o fim da carreira. O Everton percebeu isso. Em 1999, rescindiu o contrato do jogador – ainda havia 28 meses para serem cumpridos -, lhe entregando um milhão de libras.

Bilic decidiu se aposentar da seleção e assinou com o Hajduk Split. Jogou lá até 2001, quando definitivamente parou, aos 31 anos. Em uma década de carreira, marcou 23 gols. Desses, três pela seleção.

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Equipe Trivela

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