Bilhões em ação

Japão, Coréia do Sul, Arábia Saudita e Irã têm sido, nos últimos tempos, os mais assíduos representantes da Ásia em Copas do Mundo. Não por acaso, são, entre os países desse continente, os mais bem colocados no ranking da FIFA. Essas quatro nações e mais a Austrália, que migrou para a confederação asiática, não vão precisar disputar a fase inicial da qualificação para 2010.

O maior continente do mundo dispõe de quatro vagas garantidas no Mundial da África do Sul. Um possível quinto posto dependerá de um confronto com o vencedor das eliminatórias da Oceania (que, obviamente, não será mais a Austrália). Nas últimas Copas, o adversário da repescagem vinha sendo uma seleção da Concacaf. Trinidad e Tobago foi o algoz do Bahrein no apuramento para a Copa de 2006, limitando a Ásia a quatro times nos campos da Alemanha.

É bastante provável que a maioria dos representantes asiáticos no próximo Mundial saia exatamente do grupo de elite que entra mais tarde na disputa, mas pode haver surpresas. Em 2002, por exemplo, a China atingiu pela primeira vez o maior torneio da Terra, e nada impede que novas estréias aconteçam na África do Sul. A fantástica conquista do Iraque na Copa da Ásia de 2007 comprova que o “top five” da confederação asiática não está num plano infinitamente superior ao de algumas nações futebolisticamente emergentes.

Portanto, é interessante verificar a situação das seleções envolvidas na primeira etapa das Eliminatórias Asiáticas. É certo que muitas delas não passam de figurantes, mas tratam o sonho da Copa com a mesma reverência. Antes de apresentarmos detalhes e prognósticos dos dezessete apimentados duelos de ida e volta desta fase inicial, falemos acerca do regulamento das eliminatórias asiáticas.

Forma de disputa

Quarenta e três seleções da Ásia (considerando a Austrália “asiática”) manifestaram interesse de participar das Eliminatórias. Brunei, Laos e Filipinas optaram pela ausência. Como cinco países já tinham lugares reservados em um estágio posterior, sobraram 38 times na primeira fase, que consiste em um mata-mata do qual saem 19 equipes. Na verdade, sairiam. Depois da inscrição feita e do sorteio realizado, Guam e Butão desistiram de ir adiante, dando de bandeja vagas para Kuwait e Indonésia na etapa seguinte da competição.

Do mata-mata saem, então, 17 times, que se somam a Kuwait e Indonésia. Desse conjunto de 19 seleções, 11 avançam diretamente à terceira fase – as 11 mais bem posicionadas no ranking da FIFA. As oito seleções restantes fazem um play-off que define mais quatro vagas no terceiro round, no qual também estarão presentes Japão, Coréia do Sul, Arábia Saudita, Irã e Austrália. Essa terceira fase contará, portanto, com 20 equipes, que serão divididas em quatro chaves de cinco. As duas primeiras de cada chave se classificam para a quarta fase, formando dois grupos de cinco seleções.

Os dois melhores times de cada grupo da quarta fase asseguram vaga na Copa de 2010, ao passo que os terceiros colocados lutam pela oportunidade de enfrentar o representante da Oceania, na repescagem.

Preview das batalhas da primeira fase

Dos 17 confrontos dessa etapa, 13 serão apresentados aqui. Os quatro restantes (Mongólia x Coréia do Norte, Timor Leste x Hong Kong, Sri-Lanka x Qatar e Bahrein x Malásia) ficam para futuras edições desta coluna.

Líbano x Índia

Trata-se de um dos mais equilibrados pegas desta primeira fase. No ranking da FIFA, Líbano e Índia ocupam, respectivamente, o 144o e o 145o lugares. Os libaneses jamais puseram o pé em uma Copa do Mundo, mas nunca chegaram tão perto de fazê-lo quanto em 2006. Já os indianos ganharam, por conta da desistência dos concorrentes, o direito de vir ao Brasil em 1950, mas acabaram deixando a chance passar. Reza a lenda que os jogadores desanimaram quando souberam que teriam de jogar com os pés calçados. Outras versões do episódio dão como motivo do abandono a longa duração de uma eventual viagem ao Brasil e falta de recursos.

O jogador mais importante da atual seleção indiana é o seu capitão e maior artilheiro de todos os tempos (20 gols em 51 partidas), Baichung Bhutia. Anos atrás, ele se tornou o primeiro de seu país a jogar num time da Inglaterra (Bury FC). Embora o críquete seja o esporte mais popular da Índia, Bhutia tem status de ídolo nacional. Em Namchi, capital do estado de Sikkim, foi erguido um estádio com o seu nome. Hoje, o centroavante defende o Mohun Bagan. Um de seus companheiros no clube é Subrata Pal, também titular da seleção. O promissor goleiro de 20 anos é aquele que, em 2004, chocou-se com o atacante brasileiro Cristiano Júnior numa final de Copa nacional. Cristiano faleceu horas depois.

O comando da seleção indiana está entregue ao inglês Bobby Houghton. Já o Líbano é treinado por Aduan Al Sharki, onze vezes campeão libanês com o Al Ansar. Al Sharki teve grande responsabilidade nessas conquistas. Nos anos 90, o país se recuperava de uma guerra civil e sofria para se reerguer. No futebol, isso foi possível por meio do estímulo de Al Sharki, base do sucesso do Al Ansar. Na seleção, o técnico conta com dois jogadores que atuam no futebol alemão: o defensor Youssef Mohamad e o meia Roda Antar, ambos do Colônia.

China x Myanmar

Em campo, a China deve dar uma dura em Myanmar. O mundo queria, porém, que fosse assim também na política. Isso porque a ditadura militar que (des) governa Myanmar há décadas anda calando a oposição à base de violência, e a China, influente parceira econômica, se recusa a atacar publicamente as barbaridades que se têm visto no país vizinho, entre elas a prisão de monges budistas que protestavam de forma pacífica.

No meio da confusão, um brasileiro: Marcos Falopa, ex-Santos e Palmeiras, dirige a seleção de Myanmar, que jamais havia ingressado em Eliminatórias de Copa antes. Nas décadas de 60 e 70, quando ainda se chamava Birmânia, o país impunha respeito no futebol do sudeste asiático. O ponto mais alto foi o vice na Copa da Ásia, em 1968. Depois, perdeu força e prestígio. O campeonato nacional, disputado desde o fim da década de 90, tem times como Ministério do Comércio, Ministério da Energia, Exército e Construção. Mas o bom mesmo é o Finances and Revenue, que faturou dez títulos.

A China, dona da maior torcida do planeta (que, em 2002, comprou 170 milhões de novos televisores para acompanhar a seleção no Mundial), vai, certamente, eliminar Myanmar, ainda que não ponha em jogo “estrangeiros” como Sun Jihai (Manchester City), Zheng Zhi (Charlton), Dong Fangzhuo (Manchester United), Sun Xiang (PSV) e Yu Dabao (Benfica). O técnico Vladimir Petrovic, contratado em setembro, tem nas mãos uma ocasião propícia para renovar o moral do time chinês, um pouco abalado após a fraca campanha na Copa da Ásia.

Paquistão x Iraque

O curdo Hawar Mohammed bateu o córrner, o sunita Younis Mahmoud testou firme e acertou o alvo. O camisa 3 da Arábia Saudita, chamado Osama, ficou apenas olhando. Foi o gol do título. Em 29 de julho de 2007, o Iraque conquistou a Ásia. Uma zebra, sem dúvida, não só por conta da forte concorrência como também pelo estado em que se encontra o país. O fisioterapeuta Anwar Jassim, morto dias antes da abertura da competição, foi uma das inúmeras vítimas do caos mesopotâmico.

Apesar de zebra, o time iraquiano revelou-se bastante respeitável. O camisa 10 Younis Mahmoud converteu-se em um dos jogadores mais cobiçados do continente. O dinâmico meia Nashat Akram funcionou muito bem no 4-2-3-1 montado por Jorvan Vieira. O brasileiro pediu demissão e foi substituído por Egil Olsen, que levou a Noruega a duas Copas do Mundo seguidas (94 e 98). Olsen herda um grupo cujas proezas remontam às Olimpíadas de Atenas, em que o Iraque foi quarto colocado. Já estavam no time Hawar Mohammed, Mahmoud, Akram, o goleiro Nour Sabri, o defensor Bassim Abbas, o meia Qusai Munir e outros.

O Paquistão, franco atirador nesse duelo, não passou pelas eliminatórias da última Copa da Ásia, perdendo seus seis jogos. As parcas esperanças do técnico Akhtar Mhiuddin residem nos “estrangeiros” Zeshan Tehman (zagueiro do Queens Park Rangers, da Inglaterra) e Azeem Razwan (atacante do Malmö, da Suécia). Os Greenshirts (apelido da seleção paquistanesa) não vão poder utilizar os serviços do goleiro Jaffar Khan, cedido a uma unidade do exército que está no Congo.

Síria x Afeganistão

Entre 1984 e 2003, a seleção afegã não disputou uma partida sequer. Durante o regime talibã (1996 – 2001), a prática de futebol, bem como as de outras atividades lúdicas – soltar pipa, por exemplo -, foi brutalmente desencorajada. Hoje, programas da Unicef ligados ao futebol buscam, nos campos de refugiados, devolver um pouco de infância ás crianças do Afeganistão. Enquanto isso, os futebolistas adultos entram nas Eliminatórias da Copa sabendo que sua casa será Dushanbe, capital do Tadjiquistão. Por conta dos problemas políticos do país, não será possível mandar jogos no Estádio Olímpico de Ghazi, que, aliás, carrega consigo o funesto legado de ter servido de arena a uma série de atrocidades cometidas pelo poder talibã.

Nas Eliminatórias 2006, o Afeganistão foi presa fácil para Turcomenistão, perdendo por 0x11 e 0x2. Diante da Síria, a história deverá ser parecida. Ou até pior, já que os sírios atravessam um bom momento, tendo vencido seis de seus últimos oito jogos. O Al Kamara, da primeira divisão do país, chegou à final da Champions League asiática em 2006. A seleção sub-20 cumpriu bom papel no Mundial de 2005, batendo a Itália por 2 a 1 na fase de grupos e perdendo por apenas 1 a 0 para o Brasil, gol do lateral Rafinha.

O principal jogador do time sírio é o atacante Firas Al-Khatib, que joga no Kuwait e fez quatro gols nas eliminatórias da Copa da Ásia 2007. Nessa competição, o empate com a Coréia do Seul, em Seul, foi um resultado digno de elogio.

Camboja x Turcomenistão

A seleção cambojana nem tentou qualificar-se para a Copa de 2006. Em 2007, já foi esmagada por Malásia (6×0), Índia (6×0) e Séria (5×1). Um terço do povo sobrevive com menos de um dólar por dia. Os campos de futebol são parcos e péssimos. O único elemento dissonante nesse terrível panorama é o técnico australiano Scott O`Donnell. Oito anos atrás, ele e sua esposa adotaram duas crianças de Camboja. Tempos depois, adotou a seleção de Camboja. “É difícil e eu não sabia com exatidão onde estava me metendo”, declarou O`Donnell. Nem a intervenção do príncipe Norodom Ranariddh em 2005, trocando peças do elenco que iria aos Jogos do Sul da Ásia, foi capaz de fazê-lo largar a missão.

Segundo maior exportador de gás natural do mundo, o Turcomenistão, antigo membro da União soviética, está em outro plano, embora o ranking da FIFA o ponha apenas quatro posições acima de Camboja (174o contra 178o ). O atacante (e inimigo dos locutores) Guvanchmuhamed Ovekov joga no futebol ucraniano e é o destaque da seleção nacional.

O melão é um dos simbolos de Turcomenistão. Há, no país, quinhentas variedades da fruta e até um dia especial para celebrá-la. Mas o duelo com Camboja deverá ficar mais para o mamão, e com açúcar. A não ser que Scott O`Donnell e o experimentado Samel Nasa (que não é parente do ex-jogador do Vasco e já atuou como zagueiro, meia e atacante na seleção cambojana) inventem um milagre.

Tailândia x Macau

O melhor jogador da seleção de Macau chama-se Geofredo de Sousa Cheung. O nome do meia revela traços da colonização portuguesa e do contato com os chineses. Mas o hibridismo do meio-campista vai além da esquisita alcunha: além de titular da seleção de futebol de Macau, Geofredo quebra um galho no escrete de futsal do país. E não é o único. O capitão Lam Ka Koi também tem essa espécie de polivalência.

No caso do técnico japonês Masanaga Kageyama, a virtude é outra: o otimismo. Antes de um recente embate contra a Coréia do Norte, Kageyama disse: “Macau pode fazer um bom jogo”. Resultado: 7 a 0 para a Coréia do Norte. Quase todas as últimas partidas de Macau terminaram com derrotas elásticas. A exceção foi um empate sem gols contra a poderosa Mongólia.

Por tudo isso, a Tailândia, sem ser uma potência, é franca favorita. Dominante no cenário do sudeste asiático – venceu as sete últimas edições do certame regional –, a equipe tailandesa é bem mais forte que a macaense e deverá progredir na competição. Com Kiatisak “Zico” Senamuang aposentado há poucos dias, o principal jogador tailandês passa a ser o atacante Teeratep Winothai, que tem passagens pelas categorias de base do Everton e do Crystal Palace.

Omã x Nepal

Em 2003, a revista France Football elegeu Omã a melhor seleção asiática do ano. Enxergou bem, já que, nos anos seguintes, o time do sultanato obteve vaga em Copas da Ásia duas vezes consecutivas (2004 e 2007) e realizou boas campanhas na Copa do Golfo. Nas eliminatórias para a Copa da Ásia de 2004, Omã devastou o Nepal, vencendo por 7 a 0 e 6 a 0. Nenhuma novidade: todos os jogos entre essas duas seleções na história terminaram com derrota nepalesa. Na terra das montanhas mais altas do mundo, não se consegue de modo algum escalar o ranking da FIFA. Omã, ao contrário, tem feito isso com certa eficiência: figura, hoje, na 79a colocação.

Somente uma zebra do tamanho do Everest poderia conduzir o Nepal à próxima fase. Nas Eliminatórias para a Copa de 2006 e para a Copa da Ásia de 2007, a seleção local preferiu nem se inscrever. O atual técnico indiano Shyam Thapa reconhece que o objetivo é 2014. Por mais que o veterano goleiro Upendra Man Singh (formado em Medicina) e seus colegas se esforcem, provavelmente não há outro remédio.

Por falar em goleiros, o de Omã exerce seu ofício na Premier League. Ali Al Habsi, 1,94m, guarda a meta do Bolton. Na seleção, é orientado pelo argentino Gabriel Calderón, ex-jogador de Betis e PSG, que, como treinador, levou a Arábia Saudita à classificação para o Mundial de 2006, mas foi substituído por Marcos Paquetá antes de colher os frutos de seu trabalho.

Palestina x Cingapura

Apesar de Cingapura estar 19 posições acima no ranking da FIFA, apostamos na Palestina. Reconhecida pela FIFA em 1998, a federação sem país oficialmente constituído tem resvalado, nos últimos anos, em grandes êxitos – chegou a liderar seu grupo nas Eliminatórias para a Copa de 2006 e por pouco não foi à Copa da Ásia de 2007. Talvez seja a hora de purgar o sofrimento da nação conquistando algo grande, como fez o Iraque, na mais recente Copa da Ásia.

Como a cidade de Gaza não é dos lugares mais seguros para se jogar bola, a Palestina receberá Cingapura em Doha, capital do Qatar. Jogos fora do lar, treinos no Egito e problemas para juntar o time fazem parte da rotina do selecionado palestino. Infelizmente, tragédias também são freqüentes. O talentoso meia Tarek Al-Quto morreu num dos ataques de Israel. A casa de Ziad al Khourd fói destruída. O estádio de Gaza tem uma cratera provocada por uma bomba. Apesar de tudo, o desempenho do time tem passado longe do vexame. Nas eliminatórias para a Copa da Ásia de 2007, empatou com o Iraque (2×2) e venceu Cingapura, adversário que terá de novo pela frente. O placar foi 1 a 0, gol de Fahed Attal, maior goleador da história da seleção. Nessa participação no certame continental, ficou faltando uma segunda partida contra Cingapura, cancelada devido às dificuldades que o time palestino encontrou para viajar.

Se venceu há alguns meses, a Palestina pode vencer outra vez. Mas não vai ser moleza. Em recentes amistosos, Cingapura perdeu por apenas 2 a 1 para Dinamarca e Uruguai. O técnico sérvio Rodojko Avramovic, no cargo desde 2003, conta com alguns bons jogadores, como o goleiro Lionel Lewis, que recebeu indicação para melhor jogador da Ásia em 2006.

Vietnã x Emirados Árabes

Na opinião de Milan Macala, treinador do Bahrein, Vietnã x Emirados é o confronto mais forte e parelho desta fase inicial. Pode parecer exagero, principalmente no que diz respeito ao Vietnã, mas a verdade é que o time treinado pelo austríaco Alfred Riedl obteve resultados expressivos nos últimos meses, atingindo as quartas-de-final da Copa da Ásia e batendo o Bahrein de Macala por 5 a 3, num amistoso.

Nessa que foi sua mais brilhante trajetória na competição continental em todos os tempos, o Vietnã derrotou os Emirados Árabes por 2 a 0. O setor mais consistente da equipe vietnamita é o meio-campo, que alinha o experiente Tran Truong Giang, seu companheiro de clube Vu Phong (autor demuitos gols pela seleção olímpica), Le Cong Vinh (eleito melhor jogador do país em 2006) e Phan Van Tai Em.

Embora a evolução do Vietnã seja evidente, os Emirados Árabes detêm o favoritismo. O fiasco na Copa da Ásia pode ser explicado, em parte, pelas contusões de vários titulares que, meses antes, haviam ajudado o escrete a arrebatar a Copa do Golfo. A artilharia dessa competição coube ao meia Ismail Matar, 24 anos, tido como um dos melhores jogadores da Ásia na atualidade. Outros bons jogadores da equipe são o goleiro Waleed Salem, o defensor Humaid Fakher, o meia Subait Khater e o atacante Mohammed Omar, todos eles integrantes do Al Ain de 2003, vencedor da Champions League asiática. Comandava esse time o excêntrico Bruno Metsu, que levara Senegal à Copa de 2002. Hoje, Metsu é técnico dos Emirados e conhece a fundo o plantel que tem.

Iêmen x Maldivas

São mais de mil as Ilhas Maldivas. Muitas delas foram castigadas pelas Tsunami, que impuseram a necessidade de se criar novos mapas cartográficos para a região. O time do arquipélago também precisa de um mapa, de uma direção. Precisa saber se o seu nível é o do empate sem gols com a Coréia do Sul, pelas Eliminatórias 2006, ou o do desastroso 0x17 diante do Irã, em 1997. Por isso reconvocou o técnico eslovaco Joseph Yankez, que conseguira alguns bons resultados em 2003.

A seleção maldiva, que não se apresenta desde dezembro de 2005, tem como base o New Radiant, o VB Sports e o Victory, clubes locais. Ahmed Thoriq, atacante do New Radiant e do time nacional, jogou poucas partidas em 2007, todas elas em períodos de férias escolares, porque está estudando na Malásia. Esse pormenor dá o tom do desafio que Joseph Yankez vai encarar. Ele chamou 33 jogadores para os jogos contra a Iêmen, que podem manter vivo ou aniquilar o sonha da Copa de 2010.

O desafiante Iêmen, país de população pobre e basicamente rural, possui um time do mesmo nível, mas certamente um pouco mais entrosado. Afinal, muitos de seus atletas jogam juntos desde o Mundial sub-17 da Finlândia, em 2003. Os laterais Al Badani e Al Safi e os atacantes Sami Juaim e Abdulelah Sharian ilustram esse significante dado, que pode fazer a balança dessa eliminatória pender para o lado dos iemenitas.

Uzbequistão x Taipei

A maioria dos jogadores da seleção de Chinese Taipei (antigo Taiwan) defende os únicos clubes semi-profissionais da liga local, Tatung e Taipower. Enquanto isso, o Uzbequistão conta com jogadores de times como Saturn, Torpedo (ambos da Rússia) e Dynamo Kiev. Está muito claro, portanto, que o time usbeque, quase cem colocações à frente de Taipei no ranking da FIFA, leva vantagem nesse emparelhamento.

Nos últimos anos, essas seleções se enfrentaram três vezes, duas delas pelas Eliminatórias 2006 (1 a 0 e 6 a 1 para o Uzbequistão), nas quais a equipe usbeque quase garantiu o direito de disputar a repescagem contra Trinidad e Tobago, permitindo que a chance escapasse num tumultuado duelo com Bahrein. O terceiro encontro recente com Taipei se deu em março deste ano e terminou com magra vitória da ex-república soviética (1×0).

Shatskikh, do Dynamo Kiev, e Geinrikh, do Torpedo Moscou, formam o ataque uzbeque. Em 2006, eles foram considerados os dois melhores jogadores do país em atividade. A força ofensiva uzbeque vai se deparar, nos jogos contra Taipei, com goleiro Lu Kun-chi, que veste as cores do Grulla Marioka, clube de uma divisão regional japonesa. Também japonês é o técnico de Taipei, Toshiaki Imai, que, por estar agradando na função de técnico da seleção, foi incumbido de assumir mais um cargo: o de treinador do time nacional feminino.

Bangladesh x Tadjiquistão

No “qualifying” asiático para a Copa de 2006, o sorteio da fase preliminar produziu esse mesmo emparceiramento. Com duas vitórias por 2 a 0, o Tadjiquistão eliminou o oponente. Existem gigantescas chances de a história se repetir, mas isso não abala tanto o bengalês, mais preocupado com os campeonatos de críquete. Somente em 2007 uma liga de futebol profissional passou a existir em Bangladesh.

Entram e saem técnicos de diversas nacionalidades (alemã, argentina, coreana, austríaca, inglesa, iraniana…), e o time bengalês continua fraquíssimo. O nome da vez é o indiano Syed Nayeemuddin, que passou um mês treinando uma equipe bastante mudada em relação à que representou Bangladesh na Challenge Cup, competição voltada para seleções emergentes do continente asiático. Nela, houve um encontro nada satisfatório com o Tadjiquistão, que venceu por 6 a 1.

Nesse triunfo tadjique, o atacante Khurshed Makhmudov e o meia Ibraguim Rabimov deixaram suas marcas. São eles os dois melhores jogadores do futebol de Tadjiquistão no momento. Ambos defendem o Regar Tadaz, cinco vezes campeão nacional nos últimos seis anos.

Quirguistão x Jordânia

De 1996 a 2004, a Jordânia galgou 119 posições no ranking da FIFA – da 156a à 37a. Depois da curva ascendente, a descendente: nos últimos três anos, observou-se uma lenta e constante queda, que empurrou o país para a 99a colocação. O declínio iniciado em 2004 pode ter alguma relação com a dramática disputa de pênaltis contra o Japão que tirou a Jordânia da Copa da Ásia daquele ano. Percebendo a iminência da derrota (perdiam por 3 a 1), os japoneses sugeriram ao árbitro que as cobranças passassem a ser feitas na baliza do outro lado do campo. A proposta foi aceita e os jordanianos erraram os três tiros seguintes, presenteando o Japão com uma vaga nas semifinais.

O trauma foi uma das causas da derrocada? Talvez. O certo é que o time naufragou nas eliminatórias da Copa da Ásia de 2007. Em recentes amistosos, porém, empatou com o Iraque e derrotou o Bahrein, resultados sem dúvida animadores. Em setembro, o português Nelo Vingada assumiu a direção técnica da seleção jordaniana. Vingada já havia trabalhado na seleção da Arábia Saudita e na do Egito.

O Quirguistão, 149° colocado do ranking da FIFA e adversário da Jordânia nesta primeira fase, não mete medo. Sobra fragilidade em campo e faltam recursos no banco: a federação quirguiz confessou, em seu site oficial, que não tem condições de arcar com as despesas das viagens das Eliminatórias e que, portanto, necessita de doações. Com esse clima, não se pode esperar muito do Quirguistão. Há de se ressaltar, no entanto, que o maior fornecedor de jogadores para a equipe quirguiz – o Dordoi-Dynamo, tricampeão nacional e bicampeão da AFC President`s Cup – vive o melhor momento de sua história.

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Equipe Trivela

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