Bestial x Besta

Ganhou, é bestial. Perdeu, é uma besta, já dizia o finado Oto Glória, que comandou a seleção portuguesa na Copa do Mundo de 1966 e também se notabilizou como técnico do Vasco e da Portuguesa. A frase, que entrou para o folclore futebolístico, se aplica obviamente a todo e qualquer centro de futebol profissional onde a busca por resultados satisfatórios é a prioridade dos times. No Brasil, porém, as fronteiras entre “bestiais” e “bestas” parece ser bem menor do que em outros países, e basta uma simples estatística para comprovar isso.

No Campeonato Brasileiro de 2010, houve 34 trocas de treinadores em 38 rodadas. Cinco desses técnicos mudaram de emprego por opção própria, como por exemplo Mano Menezes, que deixou o Corinthians para assumir a seleção brasileira. Três deles foram interinos. Ainda assim, o número cai para 26, o que é muito maior do que nas cinco principais ligas europenas.

No Velho Continente, Alemanha e Itália encabeçam a lista dos países que mais trocaram de técnico, com 14 mudanças. A Bundesliga, porém, possui 18 clubes contra 20 da Serie A, o que faz com que a média alemã seja um pouquinho maior. Portugal surge na terceira posição, com dez trocas em 30 rodadas, seguido da Inglaterra, com nove e da França, que teve apenas cinco técnicos demitidos na temporada 2010/11.

“Ah, mas eles são europeus, na América do Sul a coisa é diferente”, poderia dizer alguém. Na Argentina, porém, somados os Torneos Apertura e os jogos do Clausura até agora, foram demitidos 15 técnicos em 36 rodadas, média apenas um pouco maior do que a alemã.

As razões para que isso aconteça são várias. A falta de contratos estáveis, a cultura do imediatismo e a ausência total de uma regulamentação que possa restringir essa rotação (como acontece na Itália, onde técnicos não podem comandar dois times da mesma divisão em uma temporada).

Essas mudanças contínuas são prejudiciais tanto para os clubes, que acabam gastando mais dinheiro e muitas não conseguem planejar os próprios trabalhos, e para os técnicos, que não sabem onde estarão daqui a três meses e quase nunca conseguem programar suas vidas, tornando-se reféns de um mercado que costuma jogar as “bestas” no limbo com uma velocidade impossível de ser acompanhada pelos olhos.

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Equipe Trivela

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