Bahamas: Futebol pelo mar
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O pequeno país caribenho formado por mais de novecentas ilhas e ilhotas tenta buscar o seu espaço no planeta bola. O futebol chegou ao arquipélago após a Primeira Guerra Mundial, já que o país era rota de navegação pelas Américas: com isso, os navios (militares e cargueiros) ancoravam em Nassau, capital bahamense e como passatempo, os marinheiros praticavam o esporte, o que acabou por despertar o interesse da população local.
Em New Providence (a ilha em que se localiza Nassau) surgiram os primeiros times e duas ligas amadoras. Os nomes revelam uma curiosidade: uma era a New Providence Sunday League e a outra alterava o nome para Saturday. Isso porque os jogos eram disputados em um único local, o Clifford Park, as partidas de uma liga eram jogadas aos sábados e da outra aos domingos.
Em 1957 foi montada uma equipe denominada All-Star, criada para fazer uma excursão à Miami e fazer um jogo contra o Coral Gables Soccer Club, organizada pelo Ministério do Turismo. Nesta época, os jogadores Roy Armbrister, Irrington Isaacs, Paul Thompson, William Lowe e Leroy Archer se destacaram e viraram referência do futebol local. As viagens tornaram-se constantes e dez anos depois, as duas ligas se fundiram, originando a Associação de Futebol das Bahamas (BFA, sigla em inglês) e em 1968, filiou-se à FIFA.
Organização e projeto da FIFA impulsionam o esporte
O primeiro jogo oficial da seleção foi disputado em abril de 1971 e não foi nada animador: derrota por 8×0 para o Haiti. Nos anos seguintes, Bahamas disputou os Jogos Caribenhos, mas sem destaque. O único torneio oficial a contar com a participação das Bahamas na fase final foram os Jogos Pan-Americanos de 1971, em Cáli, Colômbia. Uma vitória por 4×2 sobre a República Dominicana e duas goleadas sofridas, uma por 6×0 frente aos anfitriões colombianos e outra por 5×0 para o Canadá foram os resultados de uma campanha ruim, mas não desastrosa.
Mas o futebol local custa a evoluir de fato. A FIFA participa com o desenvolvimento através do programa Goal, projeto implantado no ano 2000 com a construção de um centro de incentivo às crianças de nove a quinze anos na prática do esporte, já que basquete e atletismo são mais populares do que o futebol nas Bahamas. A associação local coordena este trabalho com torneios infantis de onde saem alguns garotos para fazer testes no time inglês do Southampton.
O campeonato nacional é disputado por dez times divididos em três ligas: Liga de Grand Bahama, Liga de New Providence e Liga de Abaco (outro conjunto de ilhas que formam as Bahamas). Os vencedores das três competições disputam um triangular para definir o campeão do país. Também há uma copa em mata-mata, nos moldes tradicionais de outros países. O Bears FC, da ilha de New Providence, atual campeão, é ao lado do United e Cavalier (ambos também de New Providence), os maiores ganhadores de títulos com quatro troféus cada um. O campeonato é disputado com regularidade na temporada 1991/1992 e não se tem registros de vencedores em décadas passadas, a não ser esparsas notícias que os times que dominavam o cenário eram o Tropigas (hoje Bears) e o Nick's Body Shop (hoje United).
Brasileiro é a esperança
Bahamas estreou nas Eliminatórias no torneio que visava a Copa do Mundo de 2002. Após duas vitórias sobre Anguilla (3×1 e 2×1) a seleção avançou à fase seguinte e caiu diante do Haiti depois de perder por 9×0 e 4×0. Nas Eliminatórias de 2006, parou ainda no primeiro adversário ao empatar por 1×1 e perder por 3×1 para a República Dominicana.
Para obter sucesso nas atuais Eliminatórias, os dirigentes contrataram o treinador brasileiro Neider dos Santos. Desconhecido em seu próprio país, Neider já trabalhou na Tanzânia (foi técnico do Simba Sports Club) e Guiana e desde o segundo semestre de 2007, dirige a seleção bahamense. No Brasil ele trabalhou nas divisões inferiores de Botafogo, Vasco e Mesquita.
A torcida ficou animada quando a seleção avançou de fase no Pré-Olímpico ao eliminar Haiti e Ilhas Virgens Americanas. Fã do brasileiro, a imprensa local chamou a seleção comandada por Neider “Samba Football”.
O trabalho do treinador é garimpar jogadores com potencial a se tornarem profissionais, observando os campeonatos das categorias de base e visitando universidades nos Estados Unidos e Canadá em busca de estudantes do país. “O meu objetivo é encontrar jogadores com condições de integrar a equipe que vai disputar a primeira fase das Eliminatórias contra Ilhas Virgens Britânicas”, disse em depoimento ao site da FIFA.
A empolgação com o trabalho de Neider tem levado torcedores e a imprensa a pensar na Jamaica já pela segunda fase. “Eu não estou preocupado neste momento com a Jamaica. Primeiro temos que jogar com as Ilhas Virgens Britânicas” disse o treinador sobre o possível encontro.
Mas o país tem motivos para estar otimista. No último encontro entre ambos as Bahamas venceram por 6×1. Os dois jogos serão disputados em Nassau no estádio Thomas Robinson com capacidade de nove mil lugares, no final de março.