Badu: herói do Sub-20

Andre Awey chegou ao Mundial do Egito com um sobrenome de peso. É filho de Dede Ayew, o maior futebolista ganês de todos os tempos, considerado o Pelé da África. Ransford Osei chegou com rótulo de goleador. Era o capitão da equipe sub-17 dois anos antes e foi um dos artilheiros daquele Mundial. Além de ser um dos goleadores daquele torneio terminou, este ano, como destaque do Africano sub-20. Mas de ator principal teve seu papel perdido para o coadjuvante Dominic Adiyiah, artilheiro e melhor jogador no Egito.
O trio ofensivo foi importante, mas quem marcou o gol que garantiu o inédito título para Gana, e para o futebol africano não foi nenhum dos três. A vitória que esteve mais perto para o Brasil – ficou na frente por duas oportunidades – saiu através de Emannuel Agyemang Badu, um meia de ofício que já atuou como zagueiro e também como atacante.
Versatilidade é o ponto forte do jogador. Quando Gana estava com um homem a menos, ele completou a zaga. Quando o time estava completo, era o homem que dava equilibrio ao meio campo. Ao lado de Rabiu formou a parte defensiva da seleção. Ao contrário dele, saia mais para o jogo. Forte fisicamente, o jogador tem muita vitalidade. Chute forte de fora da área, principalmente de perna direita.
Não marcou nenhum gol durante a competição, só o gol de pênalti na final – já está de bom tamanho – mas foi de extrema importância no campeonato. Tem a confiança do treinador Sellas Tetteh que não sacou o jogador em nenhuma partida. Badu disputou todos os jogos, incluindo todos os minutos possíveis. Ele, mais o goleiro Daniel Agyei e o atacante Dominic Adiyiah foram os únicos que conseguiram esse feito.
Badu não esteve no Mundial sub-17 de dois anos atrás. Seu futebol vem evoluindo a cada ano que passa. Hoje já representa a seleção principal. A carreira começou no Berlin FC, clube da cidade de Berekum. No ano de 2001 passou para o Arsenal, da mesma cidade e mais popular, até a temporada 05-06, ainda pelas categorias de base. Na temporada 07-08, o jogador chegou ao time principal e passou a ser convocado constantemente para as seleções de base de seu país.
Seleção principal
Para a seleção principal, o meia, único dos campeões que atuou nas eliminatórias pelo time de cima, foi convocado para quatro partidas. Nos jogos contra Líbia, Gabão, nos dois confrontos, e contra Lesoto, todos em 2008 em jogos válidos pela segunda fase. Na partida contra Lesoto, o promissor fez sua estreia. Entrou aos 83 minutos no lugar de Michael Essien, na vitória de sua seleção por 3 a 2. Nas outras partidas ficou apenas no banco de reservas.
Em 2009, o jogador foi convocado para a disputa da Copa Africana de Nações (CHAN) para jogadores que atuam na África, realizada nos meses de fevereiro e março, na Costa do Marfim. Na fase de grupos, nos jogos contra Zimbábue, Líbia e Congo, o jogador foi titular. Classificado para a semifinal, Gana enfrentou Senegal. Badu, contundido esteve fora. Sua seleção empatou e venceu nos pênaltis. Na final, ainda sem condições de jogo, viu a derrota por 2 a 0 para o Congo. Além da CHAN, o jovem também esteve presente no classificatório para o Mundial sub-20, realizado em Ruanda.
O prestígio conquistado na seleção não é mesmo nas equipes da Europa. O jovem promissor já foi convidado para o Basel, da Suíça, mas uma lesão o fez cancelar a viagem, Middlesbrough e Wolverhampton, ambos da Inglaterra. Mas foi o Recreativo de Huelva que o contratou para atuar na equipe principal e também para os reservas. O clube espanhol deixou de pagar o salário do atleta, algo em torno de 300 mil doláres. O jogador insatisfeito abandonou o clube e voltou para sua terra.
Depois do Mundial sua sorte na Europa deve melhorar. Olheiros da Juvenuts estiveram na final para acompanhar o jogador africano, mais os brasileiros Alex Teixeira e Rafael Tolói. E gostaram do que viu. Além da Vecchia Signora, a Sampdoria também entrou no negócio. A Samp ofereceu uma proposta em torno de 500 mil Euros e deve contratar o jogador no mercado de janeiro.



