Argentinos Juniors: tradição nas canteiras

Um fato que mudou a história de um clube: 20 de outubro de 1976, a estréia de Diego Maradona com a camisa do Argentinos Juniors. Um dos maiores jogadores do mundo surgia com a camisa alvirrubra, no antigo estádio Boyaca e Garcia.
Mas para os campinhos de La Paternal, um bairro situado no subúrbio de Buenos Aires, onde desde 1940 localiza-se a sede do clube, alterar o rumo da história do futebol argentino era pouco. O Argentinos estaria predestinado a revelar outros ídolos no país como Redondo, Riquelme, Cambiasso e Sorín.
A história
No início do século passado, um grupo de jovens da Villa Crespo decidiu fundar uma equipe de futebol de bairro, os “Mártires de Chicago”. O nome homenageava trabalhadores mortos, no dia 1º de maio, durante um protesto em Chicago, nos Estados Unidos.
Quatro anos mais tarde, após uma partida com um time rival do bairro, “Sol de la Victoria”, os clubes decidem fundar agremiação mais poderosa, “Asociación Atlética y Futebolística Argentinos Unidos de Villa Crespo”. Que se tornou , poucos dias depois, por um pedido do fabricante de uniforme, a “Asociación Atlética y Futebolística Argentinos Juniors”.
Em 1920, o Argentinos Juniors conquista, em campo, o acesso à primeira divisão. Em 1925, mais um passo histórico, a construção de um novo estádio entre a Avenida San Martín e Punta Arenas. A nova “cancha” poderia receber mais de 10 mil pessoas e sua inauguração aconteceu com um amistoso contra o Huracán, vencido por 4 a 3. Assim, o espírito de amadorismo se esvaía e surge a primeira Liga Profissional. Na época o Argentinos Juniors já aparecia entre os mais populares da capital.
Em 1937, o clube enfrentou sua primeira crise econômica. Rebaixado para a segunda divisão e obrigado a deixar seu estádio por falta de pagamento, por pouco não viu sua história terminar.
Já nos anos 1960, o clube encontra sua verdadeira vocação: revelar jogadores de destaque para o futebol argentino, como José Mesiano e Abel Vieytes. Porém, só duas décadas depois o time faria sua melhor campanha e revelaria o maior jogador da Argentina: Diego Armando Maradona.
A história de Maradona no Argentinos Juniors começou em 1976, quando aos 15 anos, saiu do time infantil, conhecido como Los Cebollitas, e passou a atuar entre os profissionais. A estréia se deu contra o Talleres de Córdoba. Nesta temporada, o clube deixou as últimas posições para brigar pelo título.
Até hoje, “El Pibe” é o maior artilheiro da história do Argentinos Juniors com 116 gols registrados.
Los Bichos Colorados
O apelido “Bichos Colorados” surgiu na crônica esportiva em 1940, quando um jornalista, ao relatar uma partida descreveu a pressão que o time fazia no adversário como “Argentinos Juniors incomodava como bichos colorados”, insetos pequenos e vermelhos, a mesma cor adotada pelo clube pela simpatia de seus fundadores com o partido comunista.
Pouco depois da “era Maradona”, os Argentinos também receberam o apelido de “Semillero del Mundo” em referência à quantidade de jogadores importantes que saíram de sua base.
Os anos 80: As grandes conquistas
A década de 1980 foi próspera. Durante este período, o clube realizou sua melhor campanha com as conquistas do campeonato metropolitano de 1984 e o campeonato nacional em 1985, já sem Maradona. O título do campeonato argentino credenciou a equipe para disputar a Copa Libertadores da América, título que foi conquistado contra o América de Cali.
O clube disputou a Copa Intercontinental contra a Juventus, em 1985, mas foi derrotado nos pênaltis após empatar por 2 a 2 no tempo normal.
Novos tempos em El Semillero
Mesmo nos últimos tempos, jogadores importantes continuaram a sair das categorias de base de La Paternal. Atualmente, o ex-zagueiro que fez história no clube, Adrian Domenech é o responsável por coordenar as seis divisões amadoras do clube.
Porém, com o crescimento e maior investimento de outros clubes, como Boca Juniors e River Plate em suas categorias inferiores, “Los bichos” perderam espaço e uma hegemonia de títulos nas divisões amadoras.
Já na equipe profissional, o Argentinos Juniors sofre com as dificuldades para brigar com os principais clubes do país desde o final da década de 80 e vive um jejum de títulos na primeira divisão que dura 23 anos. Além disso, o clube amargou uma temporada na segundona.
Se um período histórico para o clube ficou para trás, o clube estará sempre presente na memória de toda a Argentina. Afinal, foi dos campinhos do bairro de La Paternal que surgiu o maior orgulho do país.



