Arda Turan: O menino de ouro da Turquia

O sucesso da Turquia na Eurocopa-2008 começou a ser escrito no momento em que o jovem meia Arda Turan, de 21 anos, ganhou uma posição no time titular. E terminou quando ele ficou de fora.

Sentado no banco de reservas, apenas assistiu à derrota para Portugal na estréia. Jogou e desequilibrou diante da Suíça, na rodada seguinte. E repetiu o feito contra a República Tcheca. Nas quartas-de-final, converteu um dos pênaltis que colocaram os turcos entre os quatro melhores daquele continente. Suspenso por dois cartões amarelos, não jogou contra a poderosa Alemanha na semi, e viu sua seleção desabar.

Chamado de menino de ouro pela imprensa européia, impressionou pela visão de jogo, habilidade e velocidade. As mesmas características, já havia apresentado nas três temporadas anteriores do campeonato turco, e fizeram com que o Galatasaray, clube a que pertence, fixasse seu passe em 10 milhões de euros.

Ele tem estrela, dizem quem o viu jogar. Sempre foi o craque e principal jogador das seleções de base. Em 2006/07, foi considerado a revelação da primeira divisão nacional. Nessa mesma época, marcou dois gols que classificaram o Galatasaray para a fase de grupos da Liga dos Campeões. E na última temporada, levantou o troféu de campeão turco. O seu primeiro título.

A estrela brilha

Quarenta e sete minutos da etapa final. Turquia e Suíça empatavam em 1 a 1 no segundo jogo de cada equipe na Euro 2008. O resultado deixava os turcos com um ponto no grupo A, e virtualmente eliminados. A Suíça, nervosa e desorganizada em campo, deixou um buraco no lado direito de sua defesa. Por ali, corria Arda Turan. O camisa 14 da seleção turca recebeu um passe e avançou. Na velocidade, ganhou dos adversários que tentavam marcá-lo em vão. Livre, chutou forte, marcou o gol, e deu sobrevida à Turquia.

No jogo seguinte, a República Checa era o inimigo. De novo, a vitória era o único resultado que interessava. Os checos venciam por 2 a 0 e se classificavam – ao lado de Portugal – até os 30 da segunda etapa, quando a estrela de Turan brilhou outra vez. De novo pela esquerda. De novo um chute forte. 2 a 1. Faltavam 15 minutos e dois gols para a epopéia.
Nos últimos lances da partida, a Turquia virou e seguiu adiante. Nas quartas-de-final, levou um gol da Croácia aos 13 do segundo tempo da prorrogação. Aos 15, empatou. Nos pênaltis, Turan fez o dele. A Turquia, de forma heróica, chegou até a semifinal.

Desmontada por lesões e suspensões, foi superada pela Alemanha. Punido com dois cartões amarelos, Turan não pôde ajudar os poucos companheiros, pois no time havia mais cinco suspensos e seis lesionados. No segundo jogo em que não participou, veio a segunda derrota – e a eliminação. Não esteve em campo por culpa de um dos seus maiores defeitos: o emocional. Irrita-se facilmente com os adversários, e discute com a arbitragem. O Galatasaray quer corrigir o problema. Outro ponto a ser trabalhado são as conclusões a média e longa distância.

Turan nasceu em Istambul, em janeiro de 1987. Nove anos depois, começou a mostrar interesse pelo futebol no inexpressivo Bayrampasa Altintepsispor. Descoberto por olheiros, desembarcou no Galatasaray em 1999, onde ficou até 2005, quando foi emprestado ao Vestel Manisaspor (da primeira divisão turca) para ganhar experiência. Meia de origem, foi escalado na lateral direita. Voltou ao Galatasaray no ano seguinte pronto para decolar.

Na estréia, barbarizou. Marcou duas vezes na goleada por 5 a 2 sobre o FK Mladá Boleslav, da República Checa, no jogo de volta da terceira eliminatória da Liga dos Campeões. A atuação lhe rendeu a primeira convocação à seleção principal, o que contribuiu para ser eleito a revelação da Süper Lig turca, primeira divisão da Turquia. Firmado entre os titulares do Galatasaray, assinou um contrato de 10 milhões de euros. Hoje, é companheiro do brasileiro Lincoln, ex-Atlético- MG.

É destro, mas prefere atuar pela ponta esquerda. Foi por ali que sairam a maioria dos 30 gols que marcou pelo clube (computando as categorias de base) e os três pela seleção. Além dos dois na Eurocopa, fez outro em maio, num amisto contra o Uruguai. Joga também como ala. Geralmente, alterna entre o meio e a lateral.

Amado e extravagante

O alto valor da multa rescisória fez com Liverpool, Inter de Milão e Espanyol recuassem da tentativa de contratá-lo. Depois do sucesso da Eurocopa, é provável que receba novas propostas. Os leões (como são chamados os torcedores do Galatasaray) exigem a renovação de contrato e imploram por sua permanência. O idolatram pelas jogadas mágicas que culminaram com o título em 2007/08. O menino “dourado” encantou por saber jogar em um espaço pequeno do campo, adotando o drible curto, que às vezes, parece uma humilhação ao adversário.

É amado pela torcida desde quando atuava no Vestel Manisaspor. Lá, humilhou o maior rival do Galatasaray, participando de três dos cinco gols aplicados no Fenerbahce (o placar foi 5 a 2 ), durante o campeonato turco 2005/06. Fenerbahce e Galatasaray formam uma das maiores rivalidades do futebol mundial, representando um ódio mútuo assustador.

Risonho, de baixa estatura (1m78) e bastante atencioso com os fãs, Turan tem algumas peculiaridades. O número das camisetas, por exemplo. Gosta de uma numeração pouco usual, mais vista no futebol americano e no basquete. Atualmente, veste a 66. E no Manisaspor, usava a 99.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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