Al-Owairan: Um mito no meio do deserto

Saeed Al-Owairan é daqueles jogadores que ficam conhecidos mundialmente por apenas um momento histórico. No caso dele, a arrancada rumo ao gol no jogo contra a Bélgica na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, quando driblou meio time, e estufou as redes do excelente goleiro Preud’homme. O gol entrou na galeria dos mais belos da história dos Mundiais. 

Mas a história do saudita não começou em 1994. Seis anos antes, Al-Owairan vestira a camisa do Al-Shabab pela primeira vez. Foi a primeira e única camisa de um clube profissional que o jogador vestiu em toda sua carreira.

Uma curiosidade sobre o time de Riad: em 1985, a equipe foi treinada por um brasileiro até então pouco conhecido como técnico. Era Luis Felipe Scolari, que se tornaria campeão do mundo com a seleção brasileira 17 anos depois.

Além de técnica, Al-Owairan teve a sorte de surgir em uma boa época do futebol da Arábia Saudita. Na mesma safra, apareceram o atacante Al-Jaber — já aposentado — e o goleiro Al-Deayea, que atua pelo Al Hilal.

A carreira no Al-Shabab

Owairan, assim como boa parte dos atletas do Oriente, era um jogador rápido, mas tinha como diferenciais a finalização certeira e o cabeceio firme.

Prova disso é a média de gols que teve na Liga Saudita: foram 58 gols em 163 partidas. Média de quase 0,4 gols por jogo. Um aproveitamento alto para o padrão saudita no final dos anos 80 e início dos 90.

Além disso, Owairan foi artilheiro da Liga por três vezes nos anos 90. Antes da Copa de 1994, já era um dos principais ícones da geração “dourada” da seleção que se denomina como o “Brasil do Deserto”. O Mundial serviu apenas como consagração do atleta.

A Copa de 1994

Owairan era o camisa 10 da Arábia Saudita, seleção que disputava uma Copa do Mundo pela primeira vez na história. E a expectativa com relação à participação dos sauditas era das piores. Mas o time surpreendeu.

Depois de uma estreia complicada com derrota para os holandeses, a Arábia se recuperou e venceu Marrocos de virada. Para passar de fase, teria de vencer a promissora Bélgica. Os obstáculos eram vários: o sol do meio-dia em Dallas, uma equipe belga equilibrada e o goleiro Michel Preud’homme, um dos melhores do mundo.

Mas todo o cenário desfavorável foi transformado aos cinco minutos. Owairan recebeu uma bola antes do meio de campo, avançou, passou por quatro atletas e, na saída de Preud’homme, finalizou forte, sem chances para o goleiro. O gol rendeu ao jogador o apelido de “Maradona das Arábias”, em alusão ao gol de Diego na Copa de 1986.

Os sauditas conseguiram a classificação, mas foram eliminados logo em seguida, pela Suécia, com uma derrota por 3 a 1. De qualquer maneira, foi o suficiente para marcar o nome da Arábia Saudita naquele Mundial e transformar Owairan em um mito no seu país. No mesmo ano, ele foi eleito o Bola de Ouro, como melhor jogador da Ásia, feito que só seria repetido por um saudita seis anos depois, quando Nawaf Al-Temyat levou o troféu.
 

A história guardada por Owairan

Diversos times europeus quiseram contrata-lo, mas a lei saudita não permitia transferências de jogadores. Com isso, continuou fazendo seus gols no Al Shabab e foi garoto propaganda de inúmeras empresas, dentro do Oriente Médio.

Ainda jogou uma Copa do Mundo, a de 1998, na França, mas essa é preferível esquecer, até mesmo pela falta de renovação do time, que foi último no seu grupo, que tinha França, Dinamarca e África do Sul.

Saeed Al Owairan ainda é lembrado como um mito por todos os sauditas, e sua dupla de ataque, com Sami Al Jaber, em 1994, estará sempre guardada na memória do futebol do Oriente Médio.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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