A sorte está ao lado do Chelsea

Uma qualidade essencial a times de sucesso é a capacidade de arrancar resultados mesmo quando não se faz por merecer. Foi o que aconteceu ao Chelsea no jogo de ida contra o Liverpool, em Anfield, nas semifinais da Liga dos Campeões.

Quando o árbitro já olhava para o relógio e Riise desviou contra as próprias redes o cruzamento de Kalou, a sensação de que o placar de 1 a 1 era injusto com os Reds foi inevitável. O Chelsea, com exceção dos minutos iniciais, quando chegou a pressionar, não havia feito um grande jogo.

Se não fossem as intervenções cruciais de Petr Cech, o Liverpool poderia até mesmo ter matado o confronto com mais um ou dois gols. No Chelsea, Drogba e Lampard – este visivelmente abalado com o estado de saúde da mãe, que morreria na quinta-feira – foram figuras apagadas em campo, desperdiçando bolas com facilidade.

Arrancar um empate no campo do Liverpool nestas circunstâncias é um sinal de que a sorte do Chelsea está mudando, depois de três eliminações nas últimas quatro semifinais, duas delas contra os mesmos Reds.

Não deixa de ser irônica a possibilidade de Avram Grant, impopular entre jogadores e torcedores do clube, levar os Blues mais longe do que José Mourinho levou. O gol ‘fantasma’ (segundo ele) de Luis García e o incrível gol perdido por Gudjohnsen, em 2005, e a derrota nos pênaltis, em 2007, pregaram peças no português, como se houvesse sobre ele uma maldição.

Imponderável à parte, há uma diferença fundamental no confronto deste ano: a decisão em Stamford Bridge. O campo do Chelsea não tem a mesma mística das noites européias de Anfield, mas o time joga com uma confiança invejável diante de seus torcedores.

Basta olhar para os números. Desde fevereiro de 2004, o Chelsea só perdeu uma vez em casa em jogos oficiais: 2 a 1 para o Barcelona, em 2006. Desde então, ninguém marcou mais de uma vez contra o Chelsea em Stamford Bridge na competição européia. Sob o comando de Grant, melhor ainda: nenhum gol sofrido em casa.

O Liverpool precisará, no jogo de volta, que a liderança de Gerrard, o talento de Fernando Torres e a estrela de Kuyt, que marcou contra os três adversários da equipe nas fases eliminatórias, se façam presentes. E ainda assim pode não ser suficiente. O Chelsea é favorito para disputar sua primeira final de LC, justamente em Moscou, quintal de casa de Abramovich.

Respeito é bom…

…mas o Barcelona não soube aproveitar. O Manchester United, pensando mais na grandeza do adversário do que em sua forma atual, jogou para não sofrer gols no Camp Nou. Se marcasse um no contra-ataque, ótimo. Do contrário, tudo bem assim mesmo.

Convidado a jogar no campo dos Red Devils, o Barça mostrou muita competência para trocar passes e controlar a posse de bola, mas não conseguiu ir além de lampejos de inspiração, quase todos nos pés de Messi. Infelizmente para os catalães, o pequeno argentino não estava no melhor de suas condições físicas e saiu antes da metade do segundo tempo.

Cristiano Ronaldo dificilmente será crucificado pelo pênalti perdido aos 2 minutos do primeiro tempo, e nem seria justo fazê-lo. No restante da partida, a postura tática adotada por Alex Ferguson fez com que o português ficasse muito isolado no ataque e incomodasse pouco os defensores adversários. Rooney, Tevez e Park fizeram uma partida de muitos sacrifícios e pouco brilho ofensivo.

Por outro lado, a atuação da linha defensiva foi elogiável. Brown esteve à altura na ausência de Vidic, vetado por uma indisposição estomacal, e formou uma dupla sólida com Ferdinand. Hargreaves voltou a mostrar que é tão forte na lateral-direita quanto no meio-campo. Van der Sar, quando foi exigido em chutes de Henry no segundo tempo, esteve muito bem.

O fato de o Barcelona ter feito uma de suas melhores partidas na temporada e ainda assim ter saído de mãos vazias é sinal de que as feridas do elenco continuam passando fatura. Eto’o, que perdeu uma das melhores chances do jogo, há tempos não brilha em um jogo da LC.

O Barcelona pode marcar gols em Old Trafford? Com os jogadores que tem à disposição, obviamente pode. Mas o confronto está definitivamente pendendo para o lado do Manchester United.
 

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Equipe Trivela

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