A maior Estônia de todos os tempos

Sergei Pareiko, Andrei Stepanov, Raio Piiroja, Enar Jääger e Ragnar Klavan; Aleksandr Dnitrijev, Martin Vunk, Sander Puri e Dmitri Kruglov; Jarmo Ahjupera e Tarmo Kink. Vocês conhecem algum desses jogadores? Os mais adeptos ao futebol alternativo talvez citem o defensor Klavan, do AZ, ou o atacante Kink, jogador do Middlesbrough. Quem sabe o veterano Piirokja, do Vitesse. Mas, na prática, é um time de desconhecidos, e que pode chegar à Eurocopa.

Com essa seleção, a Estônia venceu a Irlanda do Norte na sexta-feira por 2 a 1 e ficou nesta terça na torcida pela Eslovênia contra a Sérvia para garantir o segundo lugar do Grupo C das eliminatórias da Euro e a consequente vaga nos play-offs. Na verdade não foi bem esse time, porque o herói da classificação estoniana entrou aos 20 minutos do segundo tempo e atende pelo nome Konstantin Vassiljev, meia do Amkar Perm, da Rússia. Ele assegurou a virada com gols aos 32 e 39 minutos da etapa final. Mas esse era apenas o início do drama estoaniano.

A primeira vez que ouvi falar sobre a Estônia foi um relato sobre Tallinn, sua capital. Soube que era a capital mais bonita na região norte do Leste Europeu. Além disso, teve sua história no século XX ligada aos soviéticos, e só terminada com a dissolução do bloco socialista.

Desde então o país vem crescendo e o futebol se reestruturando. Nos tempos de URSS as equipes da Estônia pouco acrescentavam ao campeonato nacional, apesar de alguns jogadores estonianos terem conseguido destaque vestindo o uniforme vermelho dos bolcheviques – exemplo recente: Valeriy Karpin. Hoje, a nação tem seu calendário futebolístico bem organizado, um torneio arrumadinho (a Meistriliiga), a seleção deixou de ser um saco de pancadas e aos poucos colhe os frutos da internacionalização de seus atletas e, até mesmo, do comando da seleção. Chegou a enfrentar o Brasil em 2009, lembram? Perdeu só de 1 a 0.

Tarmo Rüütli, atualmente, é o técnico – posição que ele ocupou entre 1999 e 2000 também. Mas de 2000 a 2007 a equipe teve treinadores estrangeiros, começando pelos holandeses Arno Pijpers e Jelle Goes, e finalizando com o dinamarquês Viggo Jensen. Além disso, mesmo que desconhecidos, praticamente todos os jogadores selecionáveis atuam fora do país, normalmente em ligas ao leste mesmo.

Com isso, a Estônia foi se envolvendo cada vez mais com futebol, e nesta terça-feira o país parou para acompanhar o sonho da seleção. De folga na última rodada das eliminatórias da Euro, a equipe foi a campo na A. Le Coq Arena, em Tallinn, para enfrentar a Ucrânia em amistoso que começou às 20h locais. Como já era de se imaginar, o time entrou totalmente desconcentrado e perdeu por 2 a 0.

Perto do fim, às 21h45, a bola começou a rolar no estádio Ljudski vrt, em Maribor, para Eslovênia e Sérvia. Os sérvios só se classificariam para os play-offs no Grupo C caso vencessem os eslovenos. Se isso não acontecesse, os estonianos garantiriam a segunda posição, atrás da Itália. A torcida que compareceu e não lotou a A. Le Coq Arena não arredou o pé das arquibancadas ao final do encontro com os ucranianos. Munidos de cachecóis da Eslovênia, acompanharam a vitória da seleção amiga e o gol marcado por Dare Vrsic aos 46 minutos da primeira etapa no telão. Sofreram até o final, vibraram com o pênalti perdido por Nemanja Vidic e comemoraram demais o histórico avanço para os play-offs – confira a galeria de fotos, no alto à esquerda.

Agora, a melhor Estônia de todos os tempos deve ter pela frente Portugal, Croácia, República Tcheca ou Irlanda* nos play-offs, que dividem as seleções em dois grupos para sorteio pelo ranking de coeficiente da Uefa. Ocupando a melhor posição de sua história na lista da Fifa, 58a colocada, essa Estônia busca outro milagre. A primeira parte foi alcançada, falta o complemento do serviço. Que, de qualquer modo, já foi muito bem feito.

*Passou a Turquia no ranking e entrou no Pote 1. É o melhor adversário para a Estônia.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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