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A hora da renovação

Todo final de Copa do Mundo é a mesma história. Na imprensa e na boca do povo, surgem dúvidas sobre o futuro das seleções mais tradicionais. Todos querem saber quem irá se aposentar e quais serão as novidades dos times nas próximas convocações. Pensando em suprir esta necessidade de nosso leitor, a Trivela preparou um breve guia de como as grandes equipes da Europa devem iniciar esta nova fase e lutar pelo título europeu em 2008, em competição que será realizada na Áustria e na Suíça.

Alemanha

Terceira colocada do Mundial-06, a equipe anfitriã da competição apresentou um time bastante jovem no torneio. Assim, é provável que o trabalho do novo técnico, Joachim Löw, seja bastante semelhante ao de seu antecessor, Jürgen Klinsmann.

As principais novidades devem ser a efetivação de Timo Hildebrand como goleiro reserva (e herdeiro da posição de Lehmann após a Eurocopa) e os desenvolvimentos de Philipp Lahm, Bastian Schweinsteiger e Lukas Podolski como principais apostas germânicas.

Quem também deve ganhar espaço na equipe é o centroavante Stefan Kiessling, do Bayer Leverkusen. Destaque da seleção sub-21 da Alemanha, o grandalhão deve ficar com a vaga do já experiente e rodado Oliver Neuville ou do pouco produtivo Mike Hanke.

Portugal

A renovação portuguesa passa, basicamente, por uma missão: encontrar os substitutos de Luís Figo e Pauleta, que anunciaram a aposentadoria da seleção de Scolari após a Copa do Mundo.

Apesar de contar com duas opções imediatas – Simão Sabrosa para a ponta direita (ou esquerda, invertendo o lado com Cristiano Ronaldo) e Nuno Gomes no comando de ataque – o treinador brasileiro sabe das limitações destes atletas e deve testar alguns jovens.

Por isto mesmo, logo em sua primeira partida no pós-Mundial, Scolari deu uma chance ao ponteiro Nani, de apenas 19 anos. Mesmo com a derrota para a Dinamarca, o garoto brilhou e, inclusive, marcou um gol olímpico.

Para substituir Pauleta, Portugal conta ainda com Hugo Almeida, reserva do Werder Bremen, mas que tem força física suficiente para ganhar das defesas adversárias, e com a possível naturalização de Liédson, ex-Corinthians, que brilha no Sporting.

No entanto, o grande nome da nova geração de valores portugueses está no meio de campo e pode roubar a posição de Maniche ou Deco. Trata-se de João Moutinho, uma talentosa jóia a ser lapidada. Volante de muita marcação, possui ainda recursos técnicos para ditar o ritmo de jogo de um time e se aventurar ao ataque. Tudo isto com somente 20 anos.

Espanha

A seleção espanhola deixou a Copa do Mundo com um saldo positivo. Apesar de ter sido eliminada logo nas oitavas-de-final da competição, a equipe fez uma boa primeira fase e mostrou que algumas de suas promessas, como o meia Cesc Fabregas e os atacantes Fernando Torres e David Villa podem brilhar também em nível internacional.

Assim, o trabalho do técnico Luís Aragonés deve ser mantido (mesmo com a derrota para a Irlanda do Norte nas eliminatórias para a Euro). Mudanças devem acontecer de modo gradual, em um ritmo bem leve.

Uma das apostas é a entrada de Andrés Iniesta na equipe principal. O meia do Barcelona, que pouco defendeu a seleção até o momento, esteve na Copa e é um jogador bastante interessante para atuar como terceiro ou quarto homem do meio de campo, talvez até mesmo na posição de Raúl, que está longe de ser uma unanimidade, mas continua como uma das “lendas” do time.

O outro reforço espanhol está no ataque e vem em dose dupla. Muito experiente, Fernando Morientes reencontrou o bom futebol no Valencia, depois de uma passagem frustrante pelo Liverpool e pode voltar à seleção, onde também espera chegar Kepa Blanco, um dos nomes de maior potencial do Sevilla, que ainda possui Jesús Navas como opção para o futuro.

França

Sobreviver à aposentadoria de Zinedine Zidane, o principal jogador da história francesa. Esta é a principal necessidade do treinador Raymond Domenech, que não agüentou a primeira paralisação do astro e o chamou de volta ao time nacional.

Na França pós-Zidane, não há um jogador com as mesmas características do astro. Assim, a responsabilidade de substituí-lo será repartida entre três atletas: o volante Patrick Vieira, novo capitão do time, e os extremos Franck Ribéry e Florent Malouda. Isto se o jovem Yoann Gourcuff, do Milan, não brilhar e forçar Domenech a colocá-lo no posto de Zidane.

O novo esquema francês deverá ser o tradicional 4-4-2, que substituirá o 4-2-3-1 utilizado durante o Mundial. Com esta formação, Henry deixará de atuar isolado na frente e ganhará um parceiro de ataque. Neste começo de trabalho, Louis Saha surge como o principal candidato à vaga, mas não é impossível pensar em Karim Benzema, do Lyon, (principalmente para 2010) como companheiro do atacante do Arsenal.

Outros nomes importantes do processo de renovação francês são os volantes Rio Mavuba e Julien Faubert, do Bordeaux, principais nomes para a sucessão de Claude Makélélé (envolvido em um conflito de interesses com o Chelsea) e Jérémy Toulalan, que deve ser o novo reserva de Vieira.

Inglaterra

Os ingleses desperdiçaram a sua melhor geração na Copa de 2006. A decepcionante queda nas quartas-de-final do Mundial pôs fim a um time equilibrado e talentoso. Agora, a esperança de continuidade do bom trabalho da Inglaterra passa pelo desenvolvimento do garoto Theo Walcott, do Arsenal.

Convocado para a Copa sem ao menos defender a equipe principal do clube londrino, o jogador pode fazer uma dupla infernal de frente com Wayne Rooney. Porém, para isto, o atleta terá que evoluir e completar o seu potencial. Caso isto não ocorra, o grandalhão Peter Crouch deverá continuar no ataque inglês, o que significa dificuldade no caminho dos súditos da Rainha.

Por outro lado, a provável despedida de David Beckham também pode representar a ascensão de outro talentoso valor, Aaron Lennon, do Tottenham. Porém, para que isto aconteça, Steve McClaren terá que montar um esquema mais audacioso e devolver Gerrard para a sua posição original: a faixa central do meio de campo, abdicando assim de um volante, Owen Hargreaves ou Michael Carrick.

Itália

Campeã mundial com uma equipe repleta de jogadores na faixa de 28 a 30 anos, os italianos devem atrasar o seu processo de renovação, que só deve realmente acontecer após a Eurocopa-08. Até lá, veremos um time parecido com que o que levantou o troféu na Alemanha, inclusive com o seu capitão, Fabio Cannavaro, um dos mais experientes do grupo –tem 33 anos.

Uma das poucas novidades no elenco de Roberto Donadoni deve ser a volta de Antonio Cassano. Grande revelação do futebol italiano, o meia-atacante pouco jogou nas duas últimas temporadas e, só agora, sob o comando de Fabio Capello no Real Madrid, reencontrou o seu bom futebol e reassumiu seu posto na seleção italiana.

Quem também deve ingressar no time tetracampeão do mundo é o jovem Alberto Aquilani, da Roma, que pode assumir a posição mais frágil do meio-campo italiano: a faixa direita, composta por Simone Perrotta ou Mauro Camoranesi nos últimos anos.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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